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Na Disney, um final nada feliz para Nelson Peltz

Investidor ativista não conseguiu, pela segunda vez, um assento no conselho da companhia

A Disney tem parques em diversos países do mundo (AFP/AFP Photo)
A Disney tem parques em diversos países do mundo (AFP/AFP Photo)
Karina Souza

Karina Souza

3 de abril de 2024 às 18:50

Nelson Peltz, conhecido investidor ativista e fundador da gestora Trian, protagonizou duas temporadas de brigas com a Disney em busca de um assento no conselho. O capítulo final (pelo menos por enquanto) saiu nesta quarta-feira. Em assembleia, acionistas votaram para eleger todos os candidatos ao board e, mais uma vez, o nome de Peltz não foi contemplado

Segundo o WSJ, nas últimas semanas, membros do conselho da Disney e executivos da companhia — incluindo o próprio CEO, Bob Iger — estiveram em reuniões com grandes acionistas, argumentando a respeito do progresso da empresa em direção à lucratividade do streaming e enfatizando os planos de revitalização do estúdio. No discurso, defenderam também que seria problemático para a empresa e para Iger caso Peltz conseguisse um assento no conselho. 

Em comunicado aos acionistas após a votação, a empresa afirmou que os 12 conselheiros foram eleitos “por uma margem substancial”, sacramentando o apoio dos acionistas ao CEO, Bob Iger. Com exceção de um conselheiro, todos os demais são ligados ao atual executivo. 

“Com o proxy fight já finalizado, estamos ansiosos para concentrar 100% da nossa atenção nas nossas prioridades mais importantes: crescimento e criação de valor para os nossos acionistas e excelência criativa para os nossos consumidores”, disse Iger num comunicado.

A Trian também se posicionou de forma oficial. “Nós estamos orgulhosos do impacto que tivemos em reorientar essa companhia em geração de valor e boa governança”, afirmou, em nota.

Essa foi a segunda vez em que Peltz tentou se juntar ao conselho da Disney. O movimento veio quase um ano depois de Peltz ter tentado um movimento similar, sem sucesso – pressionando a Disney a implementar medidas de austeridade para ‘recuperar sua mágica’ e buscar um sucessor para o CEO Bob Iger.

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Na época, Iger lançou um pacote que acabou deixando Peltz sem argumentos, com uma ampla reestruturação, que envolvia corte de custos de US$ 5,5 bilhões e 7 mil empregos. O dono da Trian declarou vitória e tirou o time de campo.

Depois disso, Peltz voltou com tudo. No fim de 2023, o investidor – famoso por já ter vencido batalhas que provocaram mudanças de gestão na Heinz, na DuPont e na P&G – voltou a aumentar sua posição na Disney. Com cerca de US$ 3 bilhões investidos na companhia, ele tem pouco mais de 2% das ações e é um de seus maiores acionistas.

“Desde que demos à Disney a oportunidade de provar que podia corrigir o ‘prumo do navio’ em fevereiro até nosso reengajamento com a companhia semanas atrás, os investidores perderam mais de US$ 70 bilhões em valor de mercado”, disse a Trian em comunicado em dezembro. “A confiança dos investidores está baixa e até o CEO da Disney está reconhecendo que os desafios da empresa são maiores do que se acreditava anteriormente”.

A Disney veio a público no fim do ano passado e defendeu seu desempenho, dizendo que está no caminho para economizar mais de US$ 7,5 bilhões em custos, mais do que inicialmente previsto.

A companhia também criticou, na época, os laços de Peltz com Isaac ‘Ike’ Perlmutter, o antigo presidente do conselho da Marvel, que teve uma demissão conturbada da Disney no começo deste ano e é dos principais antagonistas de Bob Iger.

Com a conclusão da batalha, as ações da Disney operam em queda de 2,85% nesta tarde, cotadas a US$ 119,32. De janeiro para cá, os papéis acumulam alta de 31,6%. Na Nyse, a Disney vale US$ 219 bilhões.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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