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Após aporte da Arco, edtech Tera lança curso para formar programadores

Empresa quer aproveitar o bom momento do mercado de tecnologia brasileiro, que deve abrir mais de 420.000 vagas nos próximos cinco anos

Leandro Herrera, fundador e presidente da Tera: em oito meses, o novo curso da edtech pretende ensinar desenvolvimento de software do zero (Tera/Divulgação)
Leandro Herrera, fundador e presidente da Tera: em oito meses, o novo curso da edtech pretende ensinar desenvolvimento de software do zero (Tera/Divulgação)
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Carolina Ingizza

27 de setembro de 2021 às 14:00

Cinco meses depois de receber um aporte da Arco Educação, a edtech Tera lança o primeiro produto financiado pelo investimento: um curso online para formação de programadores iniciantes. Usando sua experiência na formação de profissionais para outras áreas da chamada "nova economia", a  companhia desenvolveu a metodologia do programa. Segundo a empresa, o objetivo é que alunos de qualquer origem profissional consigam em até oito meses assumir posições juniores de desenvolvimento de software no mercado de trabalho.

Com o curso, a empresa passa a competir com outras escolas de tecnologias focadas no setor, como a Trybe, que já recebeu mais de R$ 75 milhões em aportes, e a argentina Digital House, que em março concluiu uma rodada de R$ 280 milhões. Segundo disse o presidente e fundador Leandro Herrera ao EXAME IN, a competição não é uma preocupação: a oportunidade no mercado de tecnologia é tão grande que ele acredita que há espaço para todos.

Com o desemprego na casa dos 14% no Brasil, o mercado de tecnologia parece um oásis. Semana após semana startups e empresas tradicionais abrem centenas de vagas de emprego que jamais serão preenchidas nas áreas de desenvolvimento de software e gestão de produtos. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o país terá uma demanda de 420.000 profissionais de tecnologia até 2024, mas só irá formar 46.000 pessoas por ano com esse perfil — o que deve deixar 190.000 vagas em aberto.

“Como há uma demanda absurda por programadores, construímos o curso de modo a estreitar os laços do aluno com o mercado. Ao longo do programa, eles vão executar projetos reais de empresas do setor”, diz Herrera. No total, são 500 horas de conteúdo divididas entre aulas gravadas e aulas ao vivo remotas.

O idealizador do curso é César Martins, um dos fundadores da escola Happy Code, que ensina programação para crianças em mais de 500 unidades pelo mundo. "Como o curso da Tera é focado em recolocação profissional, os alunos não precisam ter nenhum conhecimento técnico prévio, só raciocínio lógico", diz o executivo.

À vista, o curso custa R$ 9.900, mas os alunos podem optar por um modelo de compartilhamento de renda, em que só começam a pagar quando conseguirem um emprego na área com salário mensal acima de R$ 3.500. Nesse modelo, o valor total a ser pago fica em R$ 17.000.

Do marketing à programação

Fundada em 2016 pelo empreendedor Leandro Herrera, a Tera foi criada em um momento em que o mercado de tecnologia brasileiro começava a despontar. Ex-funcionário da ONG de apoio ao empreendedorismo Endeavor e da edtech Geekie, Herrera percebeu que havia um desencontro entre o perfil de profissional que as companhias precisavam e as formações universitárias brasileiras. Então, decidiu criar um modelo de educação para preparar em até seis meses qualquer profissional que quisesse se especializar em áreas como gestão de produtos, marketing digital, experiência do usuário e análise de dados.

O modelo da Tera aposta na imersão dos estudantes e no desenvolvimento de projetos práticos que estejam relacionados com as demandas mais recentes do mercado de trabalho. Para isso, o time de 180 professores da startup é composto de profissionais de empresas como Google, Creditas e Nubank. O tíquete médio dos cursos é de R$ 5.500.

Desde que foi fundada, a companhia já formou mais de 6.000 estudantes. Até o começo da pandemia, as aulas eram feitas em um formato híbrido, com encontros presenciais e material de apoio online. Com a necessidade de isolamento social, o ensino precisou ser adaptado para um formato totalmente remoto.

Em 2020, o faturamento se manteve na faixa de R$ 8 milhões — mesmo patamar de 2019, mas com o novo produto, a empresa projeta um crescimento de receita de duas vezes e meia até o final do ano. Segundo Herrera, neste ano vão passar 4.500 alunos pelos cursos da Tera, o dobro de 2020, e em 2022 a meta é chegar a pelo menos 12.000 estudantes matriculados.

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