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SoftBank: análise de valor deveria tomar menos tempo, diz Szapiro

Líder da operação no Brasil prefere concentrar esforços na análise da tese, do time e da qualidade de execução, antes de fazer investimento

Em março deste ano, Alex Szapiro trocou de lado. O executivo deixou a Amazon Brasil e assumiu a liderança da operação brasileira do Softbank, parte do time de 60 pessoas que o fundo japonês de Masayoshi Son tem para olhar a América Latina. São equipes não só para selecionar os investimentos, mas para impulsionar as escolhidas e desenvolvê-las.

“O que realmente me atraiu foi o foco de longo prazo e poder ajudar os empreendedores da região.” O Softbank acaba de levantar mais US$ 3 bilhões para investir em startups latino-americanas e o total ainda pode alcançar US$ 5 bilhões. Com isso, a gestora de Son dobraria a aposta na região, onde já tem um portfólio de mais de 50 empresas (65% delas no Brasil).

“Eu fiquei extremamente convencido quando conheci o time, que esse grupo de pessoas é realmente fora da curva. É bom sair da nossa zona de conforto. Tenho 50 anos e tenho a chance de estar em um lugar em que sou uma das pessoas que menos sabe. É um desafio muito interessante”, comenta ele sobre essa mudança de sua rotina com a nova posição.

O SoftBank começou na região com um fundo de ‘growth’, dedicado a empresas de alto potencial de crescimento, mas hoje também atua em duas outras frentes. A primeira é no ‘early stage’, aquelas empresas em estágio bastante inicial. Para essa frente, a gestora trouxe como sócios Rodrigo Baer, ex-Redpoint eventures, e Marco Camhaji, outro ex-Amazon. Outro pilar desenvolvido é liderado por Nicola Calicchio, que foi McKinsey, e assumiu como chefe de inovação. Ele procura por oportunidades de transformação digital em grandes empresas, que podem ser incumbentes ou até mesmo empresas já listadas em bolsa.

Com o olhar de quem viveu o dia-a-dia dos dois lados, Szapiro conversou com a Revista EXAME, como  parte da matéria especial da edição de quinta-feira, dia 18,  "Criadores de Unicórnicos", a respeito dos  investimentos que o país vem recebendo dos fundos de venture capital, atraindo os maiores expoentes globais dessa indústria. Trechos inteiros da conversa, só aqui no EXAME IN.

As empresas da América Latina estão limitadas a resolver problemas da região?

Eu não tenho dúvida que dá para ir além. Empresas como Gympass ou Vtex já se tornaram multinacionais e nasceram no Brasil, resolvendo problemas locais. São exemplos do portfólio exportando tecnologia. E tem as que não surgiram no Brasil, mas estão fazendo inovações aqui. A Rappi, por exemplo, com o Turbo, de entrega em até 10 minutos. A Loggi, com soluções para esse país continental. Esses aprendizados são exportáveis para fora da região. É fato que o Brasil tem mais história e mais anos de tecnologia.

Em comparação ao restante da região, você quer dizer?

Sim. Em 1999, participei do time que montou o Submarino. Tínhamos o sonho de operar em toda a América Latina, só que os outros países não estavam prontos. A infraestrutura existente aqui facilitou. Nos demais, demorou. A população daqui é muito mais digitalizada do que em vários lugares do mundo. Para empresas como Netflix, Uber e Facebook, o Brasil é um dos maiores mercados.

E dá para pensar, então, que uma empresa que nasce em um país pode se expandir mais facilmente para outros aqui da região?

Quando conversava com empreendedores, sempre os desafiava quando me contavam que queriam ir para quatro países ao mesmo tempo. Eu falava para consolidar em um lugar primeiro.  Mas agora algumas teses são tão boas, os times são tão bons, que faz sentido abrir em vários países. Um exemplo disso é a Kavak — estão resolvendo um grande problema da venda de carro, do lado do vendedor e do comprador. Era um problema da região toda, não só do México. Hoje eles estão em vários países. Não é porque querem estar em vários, mas porque o mesmo problema se repete. Além disso, há também vantagens estruturais hoje. Quando se cria um aplicativo, ele já vale para a região toda. Um cliente de nuvem da Amazon já consegue fazer uma negociação para funcionar para toda a região. Ficou mais fácil do ponto de infraestrutura escalar muitas coisas para dois países ao mesmo tempo. Antigamente, tinha que quase construir do zero em cada país que entrava.

Como avalia o ecossistema brasileiro de venture capital nesse momento?

Estamos em um momento de aceleração. E não há mais como voltar atrás. O ecossistema tem ganhado musculatura, novos participantes, experiência. Antigamente, falar de venture capital com family offices, eram assim:  ou não queriam saber, ou alocavam 0,5%. Hoje é o contrário. Eles estão buscando ativamente oportunidades e com percentual bem acima de 0,5% ou 1%. Além disso, vemos muitos empreendedores que tiveram suas saídas [venda de participações nas empresas criadas] voltando ao ecossistema. Muitas presentes em nosso próprio portfólio. Os fundadores estão investindo já nas próximas gerações. Não vejo como retroceder nesse ambiente com inteligência artificial e blockchain.

É visível que a avaliação atribuída às empresas está cada dia maior. É preocupante?

Sinceramente, acho que temos de gastar menos tempo nisso. Será que precisa tanta energia vendo se algo vale 10 ou 12 se você acredita que pode valer 100? Prefiro ter mais cuidado na tese, no time, na qualidade de execução. E vamos lembrar, tecnicamente, os valuations [avaliações das empresas] são comparados com os múltiplos de empresas semelhantes em fases na frente. Além disso, normalmente, mais de um fundo participa e aprova os valores.

Você, então, não se preocupa com uma eventual repetição da bolha de 2.000?

Podemos até pensar no momento de liquidez, mas o nível de inovação e oportunidades é muito diverso. Só que é importante ter uma coisa em mente: não é todo mundo que vai sobreviver e virar unicórnio. Podemos dividir assim: 15% das empresas dos fundos vão ser big winners [grandes vencedoras], com múltiplos de 30, 40 e 50 vezes; 15% vão deixar de existir. E no meio, terão as avaliadas em duas ou três vezes, porém, por private equities. São tantas mudanças que vão acontecer nos próximos anos, que não acredito em uma bolha. Há sim um grande espaço para se usar inteligência artificial, dados e tecnologia para repensarmos as formas de consumo e entretenimento. Quando eu penso sobre o futuro, ele me leva a crer que não há uma bolha.

A instabilidade política e macroeconômica da região assusta? Podia ser melhor?

Temos que nos preocupar com o que controlamos. Os problemas vão surgir. A volatilidade aqui é conhecida há 50 anos e olha quantas empresas de sucesso criamos. Olhamos o Brasil e vemos os problemas, mas esquecemos as mudanças que aumentaram produtividade e oportunidade. É um grande oceano azul para empreendedores. A criatividade é muito boa.

 

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