NotCo recebe aporte do dono da Shake Shack para expandir nos EUA e Brasil

A empresa chilena não divulgou o tamanho do investimento ou seu valuation, mas diz vai se tornar um unicórnio ainda em 2021

A startup chilena NotCo, famosa por produzir alimentos como maionese, leite, hambúrguer e sorvete à base de plantas, acaba de trazer um investidor de peso para o seu já badalado grupo de acionistas. A empresa divulga nesta quarta-feira, 2, ter recebido um aporte do Enlightened Hospitality Investments, fundo de Danny Meyer, fundador da rede americana de hamburguerias Shake Shack. Não foram divulgados o valor do investimento nem o valuation da companhia — que aspira se tornar um unicórnio ainda em 2021.

A NotCo cresceu junto com a popularidade dos alimentos à base de plantas, cada vez mais presentes nos supermercados dos grandes centros. Fundada em 2015 por Karim Pichara, Pablo Zamora e Matias Muchnick, a empresa desenvolveu um algoritmo chamado Giuseppe que utiliza inteligência artificial para sugerir combinações de plantas que possam replicar o sabor, a textura e o aroma de alimentos feitos com ingredientes de origem animal (veja o infográfico abaixo).

A tecnologia da companhia atraiu mais de US$ 115 milhões em investimentos de fundos como Kaszek Ventures, Future Positive, L Catterton e Bezos Expeditions (do fundador da Amazon, Jeff Bezos). Sua última rodada foi uma série C de US$ 85 milhões, anunciada em setembro do ano passado com exclusividade pela EXAME.

Nessa nova captação, a estratégia é mais importante que o capital em si. A expectativa da empresa é que a entrada do fundo de Meyer ajude a NotCo a expandir pelos Estados Unidos, onde opera desde setembro do ano passado com uma equipe de 20 pessoas. O primeiro produto levado para o país foi o não-leite, que já está sendo vendido em mais de 400 lojas da rede de supermercados americana Whole Foods, da Amazon. Ainda neste semestre, a empresa deve entrar em outros 3.000 pontos de venda.

Em entrevista ao EXAME IN, o fundador e presidente Matias Muchnick disse que a companhia fez a entrada no mercado americano com muito cuidado, ciente de que por lá há dezenas de alternativas ao leite e ao hambúrguer de origem animal nas prateleiras do supermercados. “Sabíamos que nos Estados Unidos não havia espaço para erro, tudo custa muito caro, era um desafio enorme. Mas já nos primeiros meses, o produto foi um sucesso. Estamos com vendas acima da média das outras marcas da mesma categoria”, diz o fundador.

danny-matias Danny Meyer, da Shake Shack, e Matias Muchnick, da NotCo: investimento abre portas para parcerias comerciais entre as empresas

Danny Meyer, da Shake Shack, e Matias Muchnick, da NotCo: investimento abre portas para parcerias comerciais entre as empresas (NotCo/Divulgação)

Com o produto aprovado pelo consumidor americano, a startup fica com o desafio de tornar a marca mais conhecida no novo mercado. Quem comanda essa operação de marketing é o brasileiro Sergio Eleuterio, que liderou estratégias para a Kraft Heinz e o grupo O Boticário. A expectativa é que o selo de aprovação de Danny Meyer, figura conhecida e respeitada no setor de alimentação do país, aumente o reconhecimento da marca entre o público. O investimento também abre espaço para futuras parcerias comercias entre a marca e a rede da Shake Shack.

Na América Latina, o Brasil é a grande prioridade. Palavras do próprio Muchnick. Segundo o fundador, parte do capital dessa rodada será usado para trazer novos produtos para o mercado brasileiro e expandir a atuação da empresa para outros estados — hoje os produtos da NotCo estão presentes somente em São Paulo. "O Chile é nosso maior mercado ainda, mas o Brasil tem grande potencial de se tornar o número 1 na América Latina no ano que vem", diz o fundador.

A companhia tem aumentado seus investimentos de marketing no país também para tornar a marca mais popular entre os consumidores. Com a pandemia impedindo as degustações de produtos nos supermercados, a NotCo lançou seu próprio e-commerce e apostou em campanhas de televisão e de marketing digital para apresentar seu produto a novos clientes em potencial. "Queremos trabalhar mais com influenciadores, porque eles têm tempo para explicar ao consumidor o que é o nosso produto", diz Simone Murata, diretora de marketing da startup.

Mesmo com os obstáculos impostos pela pandemia, a NotCo cresceu sua operação quatro vezes em 2020. Para este ano, os sócios projetam pelo menos triplicar o faturamento e entrar em novos países, como Canadá e Colômbia, onde redes de supermercado e de restaurantes já indicaram interesse em trabalhar com seus produtos. O principal desafio para a companhia agora, de acordo com Muchnick, é achar o ritmo ideal de crescimento. "Não queremos segurar a inovação ou a nossa expansão e perder oportunidades, mas temos que tomar cuidados para não exagerarmos em alguns movimentos", diz.

 (Guilherme Henrique/Ar/Exame)

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