Merama: “P&G do marketplace” capta R$ 1,15 bilhão dez meses após criação

A rodada série B da companhia foi liderada pelo SoftBank e pela Advent
 (Merama/Divulgação)
(Merama/Divulgação)
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Carolina Ingizza

Publicado em 28/09/2021 às 09:00.

Última atualização em 28/09/2021 às 09:42.

Em dez meses, a startup Merama passou de uma ideia a uma empresa com valor de mercado acima de US$ 800 milhões. A companhia nasceu dividida entre Brasil e México com uma proposta ambiciosa: construir um conglomerado de marcas digitais, nos moldes das tradicionais Unilever e P&G, na América Latina.

Em abril deste ano, captou US$ 160 milhões para financiar as primeiras aquisições. Agora, com mais de 20 empresas no portfólio e 30 marcas sob seu comando, a startup levantou uma rodada série B recorde de R$ 1,15 bilhão (US$ 225 milhões) liderada pelo SoftBank e pela Advent. A Globo Ventures também entrou na rodada, assim como os investidores anteriores Monashees, Valor Capital, Balderton Capital e Maya Capital.

"O negócio acelerou tão rápido que precisamos de mais capital para manter a roda girando", diz o cofundador Renato Andrade em entrevista ao EXAME IN. Com o dinheiro, a empresa vai continuar com sua esteira de aquisições, planeja disponibilizar mais capital de giro para as marcas do portfólio e quer ampliar sua equipe interna, hoje com 110 pessoas, para pelo menos 150 até o final do ano.

“A estratégia da Merama e sua trajetória de crescimento na América Latina mostra não apenas que a empresa está liderando a aceleração dessas marcas emergentes, mas também ressalta a diferença que elas estão tendo com suas relações de consumo de marca", diz Scott Sobel, sócio-fundador do Valor Capital Group.

O sucesso da Merama para levantar capital é resultado da combinação de um time de fundadores de peso com uma proposta de negócio que já se mostrou bem sucedida fora do Brasil. Do lado brasileiro, os sócios são Renato Andrade e Guilherme Nosralla, que se conheceram na consultoria McKinsey e decidiram empreender juntos. Do lado mexicano, são Felipe Delgado, Olivier Scialom e Sujay Tyle, que têm experiência em empresas de tecnologia e e-commerce. Tyle, inclusive, empreende desde a adolescência. Seu último negócio, a Frontier Car Group, um marketplace de carros usados, foi adquirido em 2019 pela OLX por US$ 700 milhões.

A proposta da Merama é criar uma holding de marcas de destaque em grandes marketplaces da região, como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza. Para isso, a empresa procura marcas que faturem pelo menos US$ 1 milhão por ano e compra mais de 50% do negócio, mantendo os fundadores na gestão.

Aproveitando as sinergias entre as operações, investindo dinheiro para ampliar os estoques e usando tecnologia para facilitar processos, a Merama consegue triplicar a taxa de conversão de vendas das marcas adquiridas já nos primeiros meses após a transação. “Os problemas iniciais são 80% do problema: capital de giro, estoque, marketing e tecnologia. Depois que entramos nas marcas, percebemos outras demandas e conseguimos ganhos não tão óbvios em áreas como o jurídico e na contratação de profissionais”, diz Nosralla.

A startup não divulga quais são as marcas do seu portfólio, mas afirma que já está presente nas principais categorias do e-commerce (menos alimentação) e deve faturar US$ 250 milhões em 2021 em abril, a projeção era de US$ 100 milhões. Do total, as vendas no Brasil representam mais de 50%, seguidas por México, Chile, Colômbia e Peru.

O modelo é uma tropicalização do que faz a americana Thrasio, uma das empresas de tecnologias que em menos tempo se tornou um unicórnio nos Estados Unidos. Por lá, ela conquistou mais de US$ 1,7 bilhão em aportes com sua estratégia de adquirir empresas que vendem no marketplace da Amazon, a varejista líder do e-commerce o país. Além dela, se destacam no mercado global a americana Perch, a alemã SellerX e a francesa Branded.

Com a série B, além do capital que precisa para escalar a operação, a Merama conquistou novos investidores que podem ajudá-la a construir o conglomerado que deseja na América Latina. A Advent, além de ter investido mais de US$7 bilhões em 67 empresas na região nos últimos 25 anos, também é experiente em varejo e e-commerce, com investimentos no Grupo Big (ex-Walmart Brasil) e na própria Thrasio.

Em entrevista ao EXAME IN, Brenno Raiko, sócio da Advent responsável pelo setor de tecnologia na América Latina, contou que a experiência bem sucedida com o unicórnio americano os fez continuar apostando na tese. "Vemos as mudanças de hábito impulsionadas pela covid-19, com o aumento da penetração do e-commerce na América Latina, e acreditamos que a Merama, com seu componente de tecnologia, pode auxiliar a consolidar esse segmento que ainda é muito fragmentado", diz Raiko.

Na visão da Advent, o timing do negócio também foi fundamental para a conclusão do investimento. Como o modelo proposto pela startup não é impossível de ser copiado, ganha espaço a empresa que conseguir adquirir primeiro fatias das melhores empresas de e-commerce da região. "É uma vantagem importante e difícil de replicar", afirma o sócio.

Wilson Rosa, sócio responsável pelos investimentos em varejo da Advent International na América Latina, fará parte do conselho de administração da startup, assim como Paulo Passoni, managing partner do SoftBank para a América Latina. Já Alex Szapiro, operating partner da Softbank e ex-country manager da Amazon Brasil, ingressará como board observer.

O SoftBank é um investidor na americana Perch, além de ter apoiado grandes negócios de e-commerce na América Latina, como Rappi, MadeiraMadeira, PetLove e Olist. “Liderada por uma equipe excepcional, a Merama começou rapidamente a construir um portfólio seleto de marcas líderes no mercado de comércio eletrônico latino-americano. Estamos entusiasmados com a parceria e em apoiar na missão de remover as barreiras tradicionais do varejo, construindo líderes de categoria em toda a região”, afirma Passoni, em nota.

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