Grendene se une à 3G para explorar mercado internacional de calçados

3G Radar, dos mesmos fundadores da 3G Capital, é maior acionista minoritária da empresa, com fatia de 7%

A Grendene, dona das marcas Melissa e Ipanema, quer aproveitar melhor as oportunidades do bilionário mercado internacional de calçados. Para isso, vai participar da estratégia de distribuição. Para executar esse plano, a companhia gaúcha se uniu à gestora de recursos 3G Radar, que tem como fundadores os sócios da 3G Capital, do trio Ambev.

Juntas, elas vão aportar US$ 100 milhões em uma joint-venture. A gestora terá o controle, com uma fatia ligeiramente superior da sociedade, de 50,1%.

“O mercado global de calçados movimenta cerca de 20 bilhões de pares ao ano. Somos um dos maiores fabricantes globais e fazemos 150 milhões de pares anuais. Tem muita oportunidade ainda para ser explorada”, diz o diretor de relações com investidores Alceu Albuquerque, em entrevista ao EXAME IN. A empresa tem condição hoje de produzir 100 milhões de pares a mais.

Ainda não há um plano detalhado de como tudo vai funcionar e quais mercados serão explorados. A expectativa é que essas definições ocorram dentro dos próximos 60 dias. Por enquanto, Grendene e 3G Radar assinaram o memorando de entendimentos. O contrato definitivo virá ao fim desse prazo.

A assinatura prévia e sua divulgação foram aceleradas após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionar a empresa sobre algum fato relevante, dada a movimentação atípica das ações: alta dos papéis e acompanhada de um volume maior de negociação.

No primeiro trimestre de 2021, as vendas internacionais representaram 23% do volume e quase 29% da receita bruta de R$ 644 milhões da empresa. O volume aumentou 45% e o faturamento externo, auxiliado pelo câmbio, mais de 60%.

“Vamos unir todo nosso conhecimento na fabricação de calçados, como um dos maiores produtores do mundo, com o talento de gestão e de atração de bons profissionais da 3G”, enfatiza o executivo. “É uma combinação perfeita.”

A 3G Radar é a maior acionista da empresa — avaliada em R$ 9,7 bilhões na B3 — depois dos controladores, a família Bartelle, com 7% do capital total. Albuquerque reforça que até o porto, a Grendene continua soberana de tudo. Do porto em diante, a gestão será dessa nova joint-venture, cuja gestão ficará nas mãos da 3G. E caberá a essa nova sociedade definir qual melhor estratégia para cada um dos mercados.

Atualmente, a Grendene vende seus produtos para distribuidores locais nas regiões que atende e eles colocam os produtos em lojas multimarcas. Agora, o objetivo é ter uma atuação mais estratégica e, por isso, começar a participar dessa operação. Em receita, além de um esperado aumento de vendas, a empresa também passará a participar do resultado da distribuição, o que por enquanto não acontece.

Embora ainda muitas definições precisem ser feitas no detalhe, o grupo já vinha desenvolvendo um plano internacional para potencializar a Melissa fora do Brasil. Já estava decidido, por exemplo, que o objetivo é desenvolver um modelo de franquia nos Estados Unidos,  ou seja, passar a ter loja da marca. Já foram abertas, nesse ano, três unidades em solo americano. Por enquanto, todas próprias.

E está no pipeline avançar sobre o mercado mais cobiçado do mundo, também com loja da marca: nada menos do que a China. “Entre 1 e 3 lojas devem ser inauguradas nesse ano”, explicou o diretor da Grendene. Segundo ele, esse plano, que antes seria executado pela própria Grendene, agora vai ser tocado pela joint-venture.

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