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Hapvida

Squadra acusa Hapvida de 'maior destruição de valor' do mercado

Gestora é acionista da companhia e pede renovação do conselho de administração

Hapvida: Squadra pede renovação do conselho (Hapvida/Divulgação)
Hapvida: Squadra pede renovação do conselho (Hapvida/Divulgação)
Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 2 de abril de 2026 às 09:11.

Última atualização em 2 de abril de 2026 às 17:57.

A Squadra Investimentos redigiu carta endereçada à Hapvida (HAPV3), exigindo renovação do conselho de administração da empresa do setor de saúde e pedindo a adoção do voto múltiplo na assembleia marcada para o próximo dia 30 de abril.

A acionista destacou que, desde o IPO, em 2018, a ação da companhia acumula queda de 85%. Nesse mesmo período, o Ibovespa subiu 120%. Desde a fusão com a Notre Dame Intermedica, em 2022, o valor de mercado encolheu R$ 80 bilhões, de R$ 85 bilhões para cerca de R$ 5 bilhões, alega a Squadra. "As sinergias prometidas à época da transação nunca apareceram."

A proposta da administração para 2026 prevê o pagamento de R$ 57 milhões aos conselheiros. Proporcionalmente, argumenta a Squadra, é a remuneração mais cara de todas as empresas do Ibovespa e consumiria um quinto do lucro estimado da companhia para 2026.

"No acumulado dos exercícios de 2023  e 2024, apesar de toda destruição de valor para os acionistas, o bônus recebido pelo conselho de administração correspondeu a a 94% do valor previsto em plano de remuneração caso as metas fossem atingidas", diz a carta.

Para a Squadra, esse não é o único problema. A proposta da administração para a assembleia prevê a reeleição integral dos mesmos nove membros, sem qualquer renovação, e ainda reduz o número de independentes no colegiado.

Como saída, a gestora propõe que o novo conselho avalie a venda dos ativos do Sudeste e Sul, regiões onde a Hapvida perdeu 238 mil beneficiários em 2025 num mercado que cresceu 792 mil. O argumento é que o desinvestimento reduziria a alavancagem, reequilibraria o balanço e permitiria à empresa focar onde historicamente tem competência.

Os três candidatos indicados pela Squadra — Tania Chocolat, ex-CPP Investments; Bruno Magalhães, ex-sócio da própria gestora; e Eduardo Parente, chairman da Equatorial — têm perfil técnico e experiência em reestruturação e governança, alega a acionista.

A assembleia será o teste de força real. Com 6,98% do capital votante, a Squadra não tem votos suficientes para impor sua pauta sozinha — mas tem o suficiente para acionar o voto múltiplo e garantir ao menos uma cadeira no conselho, mesmo contra a vontade dos controladores.

O mecanismo, previsto na Lei das S.A., permite que acionistas minoritários concentrem todos os seus votos em um único candidato ao conselho — aumentando as chances de eleger ao menos um representante mesmo contra a vontade do bloco de controle.

Nota à imprensa da Hapvida:

A Hapvida informa que, no final do dia de ontem, recebeu a carta mencionada. O documento está sendo analisado pelo Conselho de Administração com a atenção necessária e a companhia se manifestará oportunamente sobre o assunto.

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Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Jornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.

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