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Shopping centers

Santander vê desconto em ações de shoppings e eleva Allos para compra

Fluxo de caixa do setor está 60% acima do nível pré-pandemia, mas ações negociam 38% abaixo dos níveis de 2019, aponta o banco; Iguatemi é o papel preferido

Allos: no primeiro Investor Day pós-fusão, mensagem é de captura de sinergias e construção de ecossistema figital (Divulgação/Divulgação)
Allos: no primeiro Investor Day pós-fusão, mensagem é de captura de sinergias e construção de ecossistema figital (Divulgação/Divulgação)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

22 de janeiro de 2024 às 18:12

Mesmo com a inflação mais baixa pesando sobre a receita de aluguéis, o setor de shopping center está quente nas apostas do sell side. Depois de o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) apontar que os papéis estão negociando com desconto, foi a vez da equipe de analistas do Santander chamar a atenção para o potencial de valorização das ações.  

Em relatório desta segunda-feira, 22, o banco elevou a recomendação das ações da Allos de neutro para compra, com preço-alvo de R$ 31 (era R$ 27,50). Também elevou o preço-alvo de Iguatemi, sua ação preferida, de R$ 31 para R$ 34, e o de Multiplan de R$ 33 para R$ 36.  

A equipe do banco espanhol acredita que ainda há espaço para um re-rating das ações. Isso porque o fluxo de caixa das operações ajustado (AFFO, na sigla em inglês) médio dos shoppings das empresas cobertas por ele está atualmente 59% acima do nível pré-pandêmico, enquanto o preço médio das ações dessas empresas está atualmente cerca de 38% abaixo do preço médio de fechamento de 2019. 

Isso ajuda a ter uma visão mais confiante para os papéis, mesmo com o o setor tendo um crescimento mais suave em 2024 quando comparado a 2023. Em 2023, a receita de aluguel dos shopping centers cresceu 7,3% e deve avançar 1,5% em 2024, considerando, diz o banco, o efeito defasado do ajuste inflacionário sobre os contratos das lojas mais maduras.  

“Dado o exposto, os operadores de shoppings do Brasil sob nossa cobertura estão sendo negociados com um desconto médio de cerca de 30% em relação ao seu histórico de preço/AFFO de 12 meses para a frente”, destaca o relatório.  

Outro ponto a favor é a contínua queda na taxa Selic, que pode ser um importante impulsionador para a reclassificação das ações, melhorando a taxa de retorno de investimento.  

Compra para Allos e Iguatemi como a preferida 

O Iguatemi permanece como a principal escolha da equipe do Santander, seguida por Multiplan. Mas a Allos, criada da junção de Aliansce Sonae e brMalls, foi promovida para compra. “Mantemos nossa preferência por operadores de shoppings com forte resiliência de portfólio e exposição aos segmentos de renda mais alta da população.”  

Para a equipe, Iguatemi continua sendo a principal escolha pelo fato de a ação estar “excessivamente descontada” e em razão do potencial de crescimento do Ebitda acima da média, refletindo a redução do Iguatemi 365.  

Já a promoção de Allos para compra incorpora o valor adicionado da alienação de ativos cujas vendas cresciam em ritmo mais lento. “Como consequência, a retirada desses ativos da base de ativos deverá agregar alguns pontos-base ao crescimento geral das vendas do portfólio durante 2024”, diz. O banco também destaca favoravelmente a menor alavancagem financeira da empresa. 

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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