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Oferta de Sabesp terá venda apenas de ações do Estado

Ideia de levantar recursos para o caixa da companhia foi abandonada, para maximizar valor das ações que serão vendidas pelo governo paulista

Sabesp: Plano é lançar operação na primeira semana de junho (Sabesp/Divulgação)
Sabesp: Plano é lançar operação na primeira semana de junho (Sabesp/Divulgação)
Natalia Viri

Natalia Viri

21 de maio de 2024 às 12:47

Prestes a ser lançada, a oferta para privatização do Sabesp deve ser inteiramente secundária, isto é, englobará apenas a venda de uma fatia de até 30% do capital que está nas mãos do Estado de São Paulo, segundo fontes ouvidas pelo INSIGHT.

A ideia de ter uma fatia primária, que podia chegar a até R$ 6 bilhões foi abandonada nas últimas semanas, diante do momento difícil do mercado de capitais e do desejo do governo de maximizar o valor a ser recebido pelos seus próprios papéis.

Uma das avaliações era de que rechear o caixa da companhia poderia ser uma maneira de aumentar o apetite dos investidores estratégicos para a operação. Mas venceu a percepção de que o overhang, com a oferta de uma maior quantidade de ações, poderia acabar puxando o preço da fatia que vai a mercado para baixo.

“A Sabesp tem alavancagem baixa e gera caixa – ou seja, tem ampla capacidade de tomar recursos no seu balanço para fazer os investimentos necessários”, pondera um interlocutor.

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O plano do Estado é lançar a oferta na primeira semana de junho – um prazo que pode escorregar uma ou duas semanas principalmente para acomodar investidores estratégicos que ainda estão levantando recursos e estudando parceiras. O Conselho Diretor do Programa de Desestatização do Estado (CDPED) se reúne na quinta-feira (23) para fechar os detalhes da modelagem.

Na oferta será feita em duas etapas: na primeira, investidores estratégicos vão apresentar suas ofertas por uma fatia de 15% da companhia, que ficará amarrada num acordo de acionistas com o Governo de São Paulo (cuja fatia deve cair para de 50,3% para cerca de 20%) por um período de cinco anos.

As duas ofertas de melhor preço vão a mercado e os investidores financeiros lançam seus preços, com base no que acreditam que seja o estratégico que vai gerar mais valor.

Vence a proposta que receber mais ofertas, respeitada uma trava do múltiplo do book ofertado. O martelo ainda não está batido, mas a tendência é que a oferta deve tenha preços diferentes para o estratégico e para os investidores financeiros – a vencedora será aquela que tiver o melhor preço médio entre a proposta de estratégico e o preço de mercado.

Uma condição é que a oferta de mercado precisará ter um múltiplo mínimo em relação ao book (a quantidade de ações ofertada na segunda tranche), que deve girar entre 2 ou 3 vezes.

É um patamar considerado ótimo para atrair formar uma base acionária de qualidade, com bom equilíbrio entre investidores de mercado e hedge funds e evitar muita volatilidade do papel.

Às vésperas do lançamento da oferta, os investidores estratégicos estão se movimentando para azeitar suas propostas.

Na mesa, são dados como mais firmes a Aegea, que está levantando fundos em parceria com a gestora Perfin, e a Equatorial, que vem voando abaixo do radar, mas está intensamente envolvida no processo.

A IG4, de Paulo Mattos, também é candidata e está levantando fundos em parceria com a Water Asset Management. A francesa Veolia é apontada como outra interessada, enquanto a Cosan vem dizendo a investidores que deve ficar de fora.

A grande questão é qual será o preço mínimo estabelecido pelo Estado – investidores apostam em algo um pouco abaixo da base regulatória de ativos, que hoje equivale a R$ 90 por ação.

A Sabesp hoje é negociada a R$ 76,82 e as ações têm operado com mais volatilidade conforme a oferta se aproxima. No últimos 30 dias, os papéis caíram 7%.

“Estamos naquele momento em que todo mundo vai downplay, dizendo que vai ficar de fora e vendendo dificuldade para tentar trazer esse preço para baixo”, pondera um gestor otimista com o papel.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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