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Magalu: pela primeira vez, vendas do marketplace superam as das lojas físicas

Operação 3P da varejista faturou R$ 4,4 bilhões, ante R$ 4,2 bilhões do 'balcão' tradicional

Magalu: vendas digitais de terceiros já são uma unidade lucrativa dentro da empresa (Germano Lüders/Exame)
Magalu: vendas digitais de terceiros já são uma unidade lucrativa dentro da empresa (Germano Lüders/Exame)
Karina Souza

Karina Souza

15 de maio de 2023 às 20:25

O Magazine Luiza, pela primeira vez, vendeu mais no marketplace do que nas lojas físicas: O chamado 3P, no jargão, gerou R$ 4,4 bilhões nos três primeiros meses de 2023, enquanto o balcão tradicional, R$ 4,2 bilhões. O total, do período, foi de R$ 15,5 bilhões com R$ 11 bilhões vindos do e-commerce. A quantidade de vendas com estoque de terceiros aumentou 19% na comparação anual, impulsionada tanto pelo aumento de serviços prestados aos sellers quanto pelo aumento das comissões (take-rate) cobradas dos vendedores on-line. "O e-commerce encolheu 14% e nós crescemos 11%. Ganhamos muito market share, tanto no online quanto no offline", diz  Roberto Bellissimo, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, ao EXAME IN.

Para chegar a esse resultado, a companhia vem aperfeiçoando a forma como interage com os sellers, criando mais segmentações nos grupos -- que vão da indústria ao pequeno vendedor. Com um protocolo específico para cada público, ficou mais fácil aproveitar melhor quem entra para o ecossistema.

Nesse jogo, entram as atualizações na plataforma digital, mas também as interações em lojas físicas, que desempenham um papel essencial tanto de captação de pequenos e médios vendedores quanto de serviços prestados a eles, principalmente. O resultado final é que a 'roda' do marketplace acaba girando de forma mais eficiente, com o melhor aproveitamento dos espaços físicos do lado do Magalu e das rotas logísticas estabelecidas pela varejista.

A partir do momento em que tem mais sellers espalhados pelo Brasil, o Magalu consegue reduzir as distâncias entre o ponto de coleta de produtos e o ponto de entrega, o que colabora para gerar eficiência logística. É a síntese do que acontece com o Magalu Entregas: hoje, 80% dos pedidos 3P passam pelo ecossistema, com 45% deles sendo entregues em até 48 horas -- percentual este, de entregas em até dois dias, que era de 31% há um ano.

Um outro ponto de cruzamento entre ambos está no clique e retire. Hoje, mais de 1.000 lojas estão habilitadas para retiradas de produto no local -- como resultado, as compras desse tipo já representam 22% dos pedidos feitos no marketplace. 

Do lado do vendedor, também há benefícios quantificáveis. Hoje, quem está no serviço de fulfillment do Magalu vende duas vezes mais do que quem não está, segundo a empresa. Para atender à demanda, a companhia tem seis centros de distribuição funcionando nesse formato, espalhados pelo país.

É um processo que deve seguir ao longo deste ano, segundo Eduardo Galanternick, VP do Magazine Luiza. "Há espaço para aumentar a rentabilidade ainda mais. Somos mais baratos do que nossos concorrentes e estamos trabalhando para desenvolver nossa plataforma de anúncios, na qual os sellers vão investir dinheiro para venderem mais. Temos também oportunidades na fintech, para monetizar a base de sellers que temos. São caminhos para continuar aumentando a eficiência sem gargalos", diz, ao EXAME IN. No primeiro trimestre, a receita do Magalu Ads triplicou em relação ao mesmo período do ano passado, com 3,3 mil sellers anunciando, segundo a companhia, em uma operação ainda embrionária.

Desafios de geração de receita e lucro permanecem

No início de 2023, o Magalu segue a tônica de boa parte do varejo nacional: crescimento discreto de receita e de Ebitda, apagado pelo aumento da despesa financeira no período. Nos três primeiros meses do ano, o prejuízo foi de R$ 391,2 milhões, aumentando as perdas de 2022, que foram de R$ 161,3 milhões. 

Do lado operacional, a receita líquida foi de R$ 9 bilhões, aumento de 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Avançando no balanço, o lucro bruto da companhia subiu 2%, para R$ 2,4 bilhões. O que pesou, no período, foi a volta do DIFAL (diferença de alíquota do ICMS nas vendas interestaduais), com deduções sobre a receita bruta que passaram de 17% para 20,2%. Por outro lado, o que segurou a queda foi o aumento da receita líquida de serviços, que subiu 34,4% no período.

A margem bruta caiu 0,5 ponto percentual, para 27,3%. "O efeito do Difal foi de 3,2 pontos percentuais nesse indicador. Como mitigamos? Com reajustes de preços graduais ao longo do trimestre e principalmente com a margem de serviços, muito ligada ao marketplace. Sem a volta do imposto, teríamos ganhado margem, o que reforça a tendência positiva para o ano", diz Bellissimo.

O Ebitda da companhia foi de R$ 324,1 milhões, queda de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A cifra considera efeitos não recorrentes, como fechamento de quiosques e de um centro de distribuição no Sul do Brasil. "Além disso, há uma segunda parcela relacionada a ajustes contábeis, basicamente revisão de práticas contáveis nas empresas que compramos e de ativos que estavam contabilizados antes da nossa aquisição. São efeitos não recorrentes e não caixa. Além disso, há um terceiro tipo de despesa relacionado à capacidade para ter ganhos de produtividade", diz Bellissimo. Tirando esses efeitos da conta, o Ebitda da empresa foi de R$ 448 milhões.

Do lado financeiro, a despesa aumentou 49,8% na comparação anual, para uma despesa de R$ 632,4 milhões, principalmente em função do aumento da Selic. Também entra na conta um fator sazonal, de despesas com antecipação de cartões geralmente maiores no primeiro trimestre do ano, em função da sazonalidade do capital de giro, ou seja, maior pagamento de fornecedores. 

No trimestre, a companhia consumiu caixa, saindo de um saldo de R$ 8,5 bilhões para um de R$ 7,1 bilhões, principalmente por causa dos pagamentos relacionados à Kabum. Do lado do capital de giro, a companhia teve uma redução de R$ 500 milhões em estoques na comparação anual, para um consumo de R$ 2,2 bilhões.

A partir do segundo trimestre, o caixa da empresa ganha um reforço adicional: a entrada de R$ 1 bilhão a partir da renovação de um acordo com a Cardiff e com a venda da Luizaseg. "A partir dos próximos trimestres, a variação também tende a ser positiva por causa da própria sazonalidade, trazendo trimestres melhores em termos de venda e margem para o negócio", diz Bellissimo.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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