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Exclusivo: Sigma Lithium quer acordo de venda até meados de fevereiro

Chinesa CATL está à frente no processo, com uma oferta superior à da Volkswagen; em paralelo, Sigma inicia investimentos para expansão

Sigma Lithium: Empresa deu início aos investimentos nas fases 2 e 3, que pode triplicar a produção atual (Sigma Lithium/Divulgação)
Sigma Lithium: Empresa deu início aos investimentos nas fases 2 e 3, que pode triplicar a produção atual (Sigma Lithium/Divulgação)
Natalia Viri

Natalia Viri

12 de janeiro de 2024 às 06:11

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Os acionistas da Sigma Lithium estão trabalhando num acordo de venda, com a expectativa de concluí-lo até meados de fevereiro, segundo fontes envolvidas na transação. A ideia é fechar o negócio antes do início do Ano Novo chinês, que começa no dia 10 do próximo mês.

Conforme antecipado pelo EXAME INSIGHT, estão na mesa propostas da CATL, fabricante chinesa de baterias, e da Volkswagen. A empresa da China estaria na frente nas negociações, com uma proposta superior à da Volks, segundo dois interlocutores, que não informaram o valor total de cada oferta. As propostas, no entanto, ainda são não vinculantes e podem sofrer modificações.

Conforme anunciado pela companhia no mês passado, o plano é fazer a listagem da subsidiária Sigma Brazil, dona do projeto da mina Grota do Cirilo, em Cingapura e na Nasdaq. Seria essa a empresa a ser comprada. Hoje, é a holding que é negociada na Bolsa de Toronto e da Nasdaq.

Mas a empresa não precisa concluir essa etapa para selar uma venda. Pelo contário, o plano é fechar um acordo definitivo e colocar a listagem como uma das condições para o closing da transação.

As conversas vêm avançando nas últimas semanas, inclusive com autorização formal dos dois ofertantes para que a companhia dê início aos investimentos nas Fases 2 e 3 do projeto, que têm potencial para triplicar a produção, hoje concentrada em uma mina.

Inicialmente, a empresa vinha sinalizando que o início dos investimentos teria que esperar a conclusão da transação, porque tanto CATL quanto Volks queriam trabalhar com seus próprios fornecedores, no caso, as construtoras responsáveis pelas obras de engenharia.

Mais recentemente, no entanto, eles concordaram com a utilização da construtora escolhida pela própria Sigma, que vai prosseguir com o projeto, disseram três fontes.

A avaliação de interlocutores próximos à companhia é que o início da expansão via Fase 2 e 3 é um sinal de confiança da Sigma Lithium no potencial do projeto – e uma indicação de que a companhia estaria disposta a seguir de maneira isolada, sem uma venda, caso não haja um acordo sobre o preço com os atuais proponentes.

“É uma forma também de a Sigma já conseguir colocar de forma mais contundente esse potencial de expansão no valuation”, aponta uma fonte que vem acompanhando o processo.

As obras de engenharia para colocar de pé as novas minas exigem poucos investimentos de largada. A companhia está gerando caixa com a fase 1 e praticamente não tem dívidas, de maneira que não precisa de capital para avançar com a operação.

Ainda que seja vista como um ativo estratégico por ambas as interessadas, o valuation é a principal questão no processo de venda. Os preços do lítio, que chegaram a bater máximas na casa de US$ 8 mil por tonelada estão hoje mais próximos dos US$ 900, penalizando as empresas que exploram o mineral, essencial para as baterias de veículos elétricos.

Hoje, a Sigma é avaliada em pouco mais de US$ 3 bilhões na bolsa canadense, uma queda de 5% no acumulado dos últimos 12 meses. Mas Ana Cabral vem querendo um prêmio pelo gordo negócio, especialmente pelo potencial de crescimento da empresa, que, em pouco menos de seis anos conseguiu tirar o projeto do zero para construir uma das principais mineradoras de lítio do mundo.

Sem tocar no assunto da venda, numa conferência em Riad no fim de outubro, a banqueira – sócia da firma de private equity A10 – disse que os investidores ainda subestimam o potencial da transição energética para mineradoras.

“Essas ações [de mineradoras de metais críticos para transição] são ações de crescimento, mas os investidores as precificam como se fossem ações de dividendos”, disse a empresária. Para ela, apesar de a Sigma gerar caixa e ter acesso ao mercado de dívida, esse custo de capital próprio elevado diminui a atratividade dos novos investimentos no setor, num momento em que o mundo precisa dessa oferta.

"Se as projeções de crescimento de carros elétricos e capacidade de baterias se materializarem até 2030, a oferta da maior parte desses metais vai ter que crescer cinco vezes. Seis anos no tempo de mineração é praticamente amanhã”, afirmou na ocasião.

Com o conselho debruçado sobre várias “opções estratégicas” desde meados do ano passado, em dezembro, a Sigma Lithium anunciou formalmente que estava em fase final para a venda do negócio, com conclusão prevista para 2024, e não mais até o fim do ano passado como sinalizado anteriormente.

Na ocasião, a fundadora da Sigma Lithum, Ana Cabral, afirmou que a empresa tinha atraído interesse de “algumas das empresas mais admiradas de baterias e veículos elétricos do mundo, incluindo montadoras e fabricantes de baterias”, sem citar nomes.

Como parte das negociações, a mineradora anunciou a listagem da Sigma Brazil, a subsidiária que detém de fatos os direitos do seu principal projeto, na Nasdaq e em Cingapura como forma “de maximizar valor para os acionistas” e “nivelar o campo de jogo” na oferta.

De acordo com fontes próximas à empresa, a estrutura visa facilitar a compra do negócio por estrangeiros – especialmente os chineses. Uma lei promulgada no fim de 2022 no Canadá, onde a holding Sigma Lithium foi constituída, determina que o governo local precisa aprovar qualquer mudança de controle de empresas de minerais críticos de companhias que operam no país.

Outra questão é tributária. Se vendesse diretamente a operação brasileira, os atuais investidores da Sigma precisariam pagar um imposto sobre o ganho de capital. Nas negociações, a Sigma vinha afirmando que o potencial comprador precisaria compor essa diferença na oferta, o que vinha diminuindo a atratividade do ativo.

Na nova estrutura, os compradores fariam a aquisição via oferta de ações na Nasdaq ou em Cingapura. A escolha de ambas as bolsas visa ampliar a competitividade tanto para possíveis compradores orientais quanto ocidentais.

Procurada, a Sigma Lithium não retornou o contato da reportagem até o momento.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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