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Entrevista: GPA quer até R$ 450 milhões com venda de postos de gasolina e sede

CEO e CFO reiteram objetivo de aumento de rentabilidade e sinalizam alavancagem em queda em 2024; follow-on ainda espera "melhor momento"

Pão de Açúcar: dívida ficou R$ 2 bilhões menor
(Foto: GPA/Divulgação) (GPA/Divulgação)
Pão de Açúcar: dívida ficou R$ 2 bilhões menor (Foto: GPA/Divulgação) (GPA/Divulgação)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

22 de fevereiro de 2024 às 16:20

Depois de números melhores em 2023, a administração do GPA, dono do Pão de Açúcar e do Extra, está confiante de que o desempenho vai acelerar em 2024. “Estamos preparando a empresa para voar. No quarto trimestre, chegamos muito próximo do guidance de margem Ebitda que demos para 2024”, diz o CEO, Marcelo Pimentel, em entrevista exclusiva ao INSIGHT. Ao fim de 2023, a margem Ebitda ficou em 7,7%, o maior patamar nos últimos oito trimestres . A meta da empresa é uma margem Ebitda entre 8% e 9% ao fim de 2024.

Além da melhora de rentabilidade, o foco da gestão da companhia segue na redução do endividamento, ainda o calcanhar de Aquiles da companhia. Ao fim do quarto trimestre, a relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 1,7x, mas o começo de 2024 já traz alívio extra: em 23 de janeiro entraram quase R$ 800 milhões no caixa pela venda da rede Éxito, da Colômbia. Com a entrada dos recursos, a alavancagem da companhia passa a ser de 1,1x. Essa redução de dívida bruta também vai ajudar a economizar R$ 80 milhões em despesa financeira por ano.

"O resultado está melhorando, de fato, mas ainda precisa de mais uma pernada para começar a gerar caixa de maneira recorrente", aponta um gestor.

Há ainda outros ativos que devem trazer mais reforço para o caixa, conta o CFO, Rafael Russowsky. Um dos planos é vender os 66 postos de gasolina que ainda estão na operação. O objetivo é alienar esses ativos até o fim do primeiro semestre. Outro ativo que pode ir ser vendido é a sede da companhia, na Av. Brigadeiro Luiz Antônio. No total, essas vendas podem trazer entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões.

Enquanto isso, o mercado fica na expectativa da realização do follow-on estudado pela empresa. A vontade da empresa de realizar a operação foi anunciada em dezembro, com objetivo de levantar até R$ 1 bilhão, o que diluiria a participação do controlador Casino (hoje com 41% do capital social) e traria mais recursos para o caixa, que terminou 2023 em R$ 3 bilhões. Com as ações ainda bastante pressionadas, Pimentel diz não haver uma previsão para a oferta sair do papel. “Se fizer sentido, no momento certo viremos a mercado comunicar alguma coisa”, limitou-se a dizer.

Mas mesmo a reversão do prejuízo de R$ 863 milhões em 2022 para um lucro de R$ 85 milhões (nas operações continuadas) não foram suficientes para manter a alta vista nos papéis do GPA nos últimos dois pregões. Depois de avançar 6,22% ontem e 3,08% na terça-feira, a ação do grupo varejista devolveu o desempenho e está entre maiores quedas do Ibovespa, recuando 4,35% perto das 16h, para R$ 4,08.

Do lado da operação, Pimentel e Russowsky ainda veem espaço para melhorias. O CEO diz que em 2024 a empresa começa uma segunda fase do orçamento base zero, com mais negociações com fornecedores e de contratos. “Vamos continuar buscando redução de despesa no ano de 2024”, diz Pimentel -- embora no centro das medidas, as despesas gerais, administrativas e com vendas ainda tenham ficado 11,6% maiores em 2023.

Ele diz que o primeiro trimestre acaba um pouco mais pressionado pela sazonalidade, que traz um ambiente mais promocional, mas destaca que as melhorias de queda de ruptura (jargão do setor para falta de produtos na prataleira) continuaram acontecendo. “Entramos 2024 com três pontos a menos de ruptura comparado ao primeiro trimestre de 2023 e isso traz um impacto importante na experiência do cliente.”

O executivo aponta duas frentes de trabalho mais intenso em 2024, quando a empresa espera encerrar o ano fiscal com uma margem Ebitda entre 8% e 9%. O primeiro ponto é o trabalho do time comercial nas promoções. A empresa contratou uma consultoria externa para otimizar a estratégia e ser mais produtivo. O segundo é está a cargo da área de Retail Media, uma iniciativa relativamente nova no grupo, que usa inteligência de dados para a venda de espaço de marketing para a indústria. A empresa já é uma das maiores em retail media no país e essa, diz Pimentel, é uma aposta importante de nova fonte de receita para o novo GPA.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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