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Cartões: CERC registra R$ 100 bi no 1o mês de nova regra sobre recebíveis

A cifra, equivalente a 60 milhões de contratos com lojistas reforça papel de recebíveis como instrumento de crédito

CERC cadastrou mais de 30 milhões de estabelecimentos comerciais únicos em apenas um mês
CERC cadastrou mais de 30 milhões de estabelecimentos comerciais únicos em apenas um mês
AB

16 de julho de 2021 às 13:38

O mercado de recebíveis de cartões de crédito ganhou novas regras há praticamente um mês. A entrada em vigor da legislação lançada pelo Banco Central (BC), que trouxe novos atores a esse mercado de operações complexas e relevantes sobretudo para o financiamento de lojistas, ocorreu com sobressaltos, mas já há bons resultados a comemorar. A CERC Central de Recebíveis faz o balanço do primeiro mês de transações realizadas sob o novo modelo, que ampliará o acesso e deverá reduzir o custo do crédito para as empresas, e R$ 100 bilhões de contratos já foram registrados no seu sistema.

A CERC é uma das três registradoras de ativos financeiros autorizadas pelo BC para atuar neste mercado. As outras duas são a CIP – Câmara Interbancária de Pagamentos, a mais antiga e que reúne os grandes bancos, e a TAG, criada pela Stone.

No primeiro mês de vigência das novas normas, a CERC recebeu registro de mais de 60 milhões de contratos de crédito lastreados em recebíveis de cartões. O volume de contratos fechados entre lojistas e financiadores ficou acima do esperado, mais de R$ 100 bilhões. Essa cifra reforçou o papel dos recebíveis como um importante instrumento para expandir as operações de crédito – exatamente como pretende o BC que mira, também, a redução dos juros praticados em função do aumento da disputa entre instituições e credenciadoras pelos melhores clientes.

“O registro de recebíveis tem potencial para beneficiar milhares de empresas e milhões de brasileiros, colaborando para o desenvolvimento da economia”, afirma Fernando Fontes, CEO da CERC criada em 2015, com o objetivo de aumentar a eficiência e segurança do mercado financeiro, especialmente no que se refere à utilização de recebíveis.

Fontes informa que, durante o primeiro mês de operação do serviço, com início em 7 de junho, foram cadastrados mais de 30 milhões de estabelecimentos comerciais únicos na plataforma da CERC, enquanto o estoque atual de unidades de recebíveis desses estabelecimentos registradas é de aproximadamente 76 milhões. As unidades de recebíveis correspondem à consolidação das transações realizadas pelos lojistas.

O CEO da CERC reforça que o novo modelo de negócios, agora vigente em recebíveis de cartões, representa um processo profundo de transformação do mercado. “As instituições credenciadoras e subcredenciadoras passam a registrar as transações feitas pelos estabelecimentos comerciais com seus clientes na CERC e estes recebíveis se transformam em ativo que o comerciante pode negociar ou utilizar como garantia de uma operação de crédito, acessando diferentes financiadores, aumentando a competição e reduzindo o custo do financiamento. Com as novas regras, bancos, factorings, securitizadoras e fundos de investimento podem ter acesso às informações das agendas de recebíveis dos estabelecimentos comerciais que concederem autorização para isso”, diz Fontes.

A CERC foi pioneira no registro de duplicatas no mercado brasileiro e também registra títulos de emissão bancária, cédulas do agronegócio e apólices de seguro, entro outros ativos. Ainda em 2021, a empresa pretende lançar o registro de recebível de transporte e de duplicata escritural.

Vigilância

Na semana passada, participantes do mercado de recebíveis relataram ao EXAME IN, na condição de anonimato, a existência de divergências de dados registrados sobre os recebíveis de cartões. Consultado, o BC reconheceu falhas e informou que “para correção das falhas estão sendo realizadas reuniões diárias entre os participantes, sob a condução do BC e um plano de ação está sendo implantado. Muitas melhorias já estão em andamento com ganhos de performance sendo alcançados a cada dia”.

O BC destacou três pontos que precisam ser melhorados, o que deve ocorrer em duas semanas: aperfeiçoamento tecnológico e procedimentais dos mecanismos de interoperabilidade, por meio dos quais as registradoras trocam informações sobre a agenda de recebíveis e os contratos de negociação; aperfeiçoamento de procedimentos de conciliação entre entidades credenciadores e as registradoras que precisam ser executados com frequência diária; e maior eficiência para a conclusão de cadastro de estabelecimentos comerciais na base centralizada pelos participantes, de forma a reduzir a quantidade de operações negadas em decorrência da inexistência de estabelecimentos cadastrados.

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