Como a Azul conseguiu ser a aérea que passou menos tempo no Chapter 11
Aérea acertou condições para levantar recursos logo que iniciou o processo de recuperação judicial nos EUA


Mitchel Diniz
Editor de Invest
Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 06:14.
Última atualização em 21 de fevereiro de 2026 às 14:00.
Menos de nove meses se passaram entre entrada e saída da Azul do Chapter 11, o equivalente a um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. Foi o menor tempo dentre as aéreas brasileiras que passaram pelo mesmo processo. A saída da Latam demorou quase dois anos e meio (entre julho de 2020 e novembro de 2022). A da Gol, pouco mais de um ano (de janeiro de 2024 a junho de 2025).
No caso da Azul, a saída mais rápida é explicada por condições acertadas logo na entrada do Chapter 11para levantar recursos. A companhia garantiu um DIP Financing (empréstimos concedidos a empresas em RJ) da ordem de US$ 1,6 bilhão com os credores e, em paralelo, fez um outro combinado: a United Airlines, que ja tinha participação na empresa, aumentaria sua posição acionária; a American Airlines, ganharia uma fatia da empresa.
Dito e feito: esta semana, cada uma se comprometeu a injetar US$ 100 milhões na Azul. A companhia aérea também vai receber um terceiro montante de US$ 100 milhões de "determinados credores existentes".
Essa injeção de capital, por outro lado, por pouco não atrasou a conclusão do processo. Os aportes foram questionados no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que fez a aérea disparar um alerta à autoridade antitruste: mais tempo no Chapter 11 implicaria em mais custos e riscos à própria existência da empresa.
O aporte da United já recebeu aval do Cade, mas o aumento da participação da American na Azul ainda precisa ter a chancela do órgão. De qualquer forma, essa costura entre empresas concorrentes é vista por pessoas a par da operação como um voto de confiança no modelo de operação da Azul.
A alavancagem líquida proforma da companhia ficou abaixo de 2,5 vezes na saída do processo, o menor nível da história da empresa, de acordo com fato relevante. Ao sair do Chapter 11, em junho do ano passado, a Gol projetou uma redução de alavancagem de 5,4 vezes para menos de 3 vezes até 2027. A Latam terminou 2022, ano em que saiu do Chapter 11, com alavancagem superior a 4 vezes. Em 2025, o indicador caiu para 1,5 vez.
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Mitchel Diniz
Editor de InvestJornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.
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