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Track&Field dá 13% de desconto na ação para garantir IPO

Oferta da companhia, que não depende de IPO para crescer, movimenta R$ 520 milhões

A Track&Field teve de reduzir bem o preço que pretendia vender suas ações para estrear na B3. A faixa de preços sugerida para a ação da empresa ia de 10,65 a 14,95 reais, mas saiu em 9,25 reais. Um corte de 13% sobre o piso. A operação que movimentaria 630 milhões de reais no meio do intervalo sugerido, totalizou 523 milhões de reais com a venda de toda a oferta base mais o lote extra. Dessa forma, a companhia chegou à B3 avaliada em pouco mais do que 1,5 bilhão de reais.

Para o caixa da companhia, foram 182,4 milhões de reais e o restante foi uma venda secundária feita pelo trio de fundadores: Frederico Wagner, Ricardo Rosset e Alberto Dominguez Von Ihering Azevedo. Apesar disso, os planos da Track&Field não se modificam em nada pela redução de preço.

Fundada em 1988, a empresa não veio à B3 fazer uma oferta pública inicial, o IPO, em busca de recursos para uma forte expansão ou uma reinvenção do negócio. Nada disso. A companhia é caixa líquido. Boa parte do dinheiro da oferta primária, que vai engordar o saldo da empresa no banco, vai se converter em pagamento aos controladores. Isso porque a maior parte dos recursos será usada para pagar um dividendo declarado no ano passado.

A companhia teve receita líquida de 79,5 milhões de reais nos seis primeiros meses deste ano, com queda de 30% devido à pandemia do novo coronavírus. Em um cenário sem a covid-19, a marca vendeu um total de quase 470 milhões de reais no ano passado. Com o novo coronavírus, as vendas de janeiro a junho somaram 140 milhões de reais.

A Track&Field opera por modelo de franquia e já se espalhou por 234 lojas pelo país — 37 próprias. O objetivo do IPO é a  perpetuação do negócio, em especial porque cada um dos três sócios fundadores já tem uma longa lista de herdeiros — ainda que, por enquanto, eles sigam firmes na condução da estratégia.

Aliás, o tamanho da vontade deles de se manter à frente da operação fica claro pelo modelo societário adotado. Sem nenhuma pressão regulatória, a Track&Field escolheu listar seus papéis no Nível 2. Vendeu ações preferenciais aos investidores. Não só isso: vendeu a tal da super PN, aquela que permite uma baita alavancagem ao controlador, se ele assim desejar. Aqui, contudo, a proporção é moderada. Cada preferencial tem um dividendo que vale dez vezes mais que o da ação ordinária.

Para quem acha que o mercado está fechado, portanto, a Track&Field conseguiu um feito e mandou um recado: se listou na B3 vendendo ações preferenciais, sem precisar de dinheiro e sem um projeto de crescimento exponencial. As preferenciais do Nível 2 têm direito ao prêmio de controle, em caso de venda, e voto em questões relevantes, em especial, relacionadas à reestruturações societárias.

Aliás a percepção de que há sim espaço para IPOs é que faz a lista de pedidos de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) crescer sem parar. O mês de outubro nem terminou e já são 13 solicitações à autarquia para novatas venderem seus papéis no pregão. De ontem para hoje, foram cinco pedidos.

Há algo de muito curioso nessa safra de ofertas do fim de 2020. Está chegando à bolsa, o Brasil desconhecido. Parte das empresas não são nomes que soam recorrentes na cabeça dos brasileiros. Do time recente, as mais “famosas” são a Uni.Co e a Estok. Ninguém conhece a Uni.Co, mas muitas pessoas conhecem bem as meias e produtos da Puket, a loja de produtos de decoração criativos Imaginarium e ainda a MinD. A companhia é controladora pelo fundo de investimento da Squadra.

Tampouco os investidores sabem quem é a Estok, mas a Tok&Stok é certamente familiar aos brasileiros dos grandes centros urbanos. Quase todo mundo já recorreu à rede, nem que seja em uma emergência. Depois de ter prometido esse movimento algumas vezes, finalmente, ele se concretizou. Antes de terminar, 2020 ainda promete muitas novidades.

 

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