Startup que ajuda indústria a economizar com manutenção capta R$ 17 mi

Com 45 clientes, entre eles Ambev e Embraer, a startup Tractian conquistou aportes da DGF Investimentos e da gestora Citrino

Com um dispositivo próprio que ajuda a prever falhas mecânicas em máquinas industriais, a startup brasileira Tractian conquistou 45 clientes, entre eles empresas como Ambev e Embraer, desde que foi fundada em 2019. Agora, para continuar expandindo, captou um aporte de R$ 17 milhões em uma rodada seed liderada pela DGF Investimentos (investidora da RD Station e Pollux) e com participação da gestora Citrino, que administra patrimônios de famílias ligadas ao setor industrial. Até então, a startup havia recebido cerca de R$ 2 milhões de investidores-anjo, da aceleradora americana Y Combinator e do fundo brasileiro Norte Ventures.

“Nestes dois anos de existência, a Tractian já conseguiu inserir sua solução em indústrias extremamente importantes para a economia brasileira. Essa trajetória da empresa nos chamou a atenção, pois é nesse estilo de companhia que temos nossas premissas de investimentos: uma startup de tecnologia, receita recorrente e com soluções que cheguem a quem mais precisa”, afirma Frederico Greve, sócio da DGF Investimentos, em nota.

Além dos fundos, a rodada também marca a entrada de Claudia Massei, presidente da Siemens em Omã, como investidora da companhia. A executiva brasileira, que foi considerada a 68ª executiva mais poderosa do Oriente Médio em 2020 pela revista Forbes, se junta ao conselho da startup para ajudá-los com canais de distribuição. "Em um futuro não tão distante, manutenção preditiva será uma questão de vantagem competitiva e a tecnologia da Tractian está bem-posicionada para ajudar empresas nacionais e internacionais neste sentido”, afirma a executiva.

"Shazam da indústria"

A Y Combinator descreve a Tractian como um "Shazam das equipes de manutenção". A comparação, apesar de inusitada, faz sentido. Assim como o aplicativo de música usa inteligência artificial para identificar qual canção está tocando no ambiente, a empresa brasileira usa o som de cada máquina para encontrar problemas na linha de produção.

A tecnologia própria, desenvolvida pelos fundadores Igor Marinelli e Gabriel Lameirinhas, é como um "band-aid inteligente" que pode ser acoplado pela própria empresa cliente nos equipamentos a serem monitorados. Uma vez na máquina, o dispositivo da Tractian consegue detectar defeitos mínimos no padrão sonoro do equipamento e avisar aos gestores de manutenção antes que a produção precise ser paralizada.

Segundo Marinelli, cada alerta tem 75% de efetividade na identificação de falhas e pode economizar cerca de R$ 84.000 para as empresas. O produto é enviado gratuitamente e as empresas pagam uma mensalidade para poder usar o software de análise. Em média, o preço é de R$ 9.000 por mês.

Fora do Brasil, existem algumas empresas com propostas de negócio similares à da Tractian. Uma delas é a israelense Augury, que usa o som, a vibração e a temperatura das máquinas para prever falhas. Em outubro do ano passado, a companhia levantou 55 milhões de dólares em uma rodada série D liderada pelo fundo israelense Qumra Capital. 

Expansão do negócio

Hoje, a Tractian foca em pequenas e médias indústrias para crescer, já que, no geral, as grandes companhias têm acesso a tecnologias fornecidas de forma customizada pelas fabricantes de equipamento para monitorar a linha de produção. Mas a startup também tem sido procurada por gestoras de shopping centers e de aeroportos interessadas no seu produto. Nesses espaços, o serviço da startup ajuda a evitar falhas nos sistemas de ar condicionado e de esteiras de bagagem.

A meta da companhia é, em 18 meses, passar de 45 para 600 clientes. Para isso, usará parte do aporte recebido para expandir suas equipes de vendas e trazer nomes mais sêniores para o projeto o objetivo é aumentar o time de 30 para cerca de 100 pessoas. “Uma vez no cliente, conseguimos fazer um upsell de produtos quase que natural. O desafio é acessar novas indústrias”, diz Marinelli.

Para contornar esse problema, a startup traçou uma estratégia de aquisições. O plano dos sócios é comprar participações pequenas em portais de conteúdo sobre manutenção e em distribuidoras de produtos industriais para reforçar a presença e a força da marca Tractian na vida dos gestores de manutenção.

Se tudo correr conforme o planejado, a empresa deve voltar ao mercado em busca de uma série A daqui a um ano e meio para fazer a internacionalização do negócio. Hoje, ela já começou a exportar seu produto para clientes pontuais no Chile, Argentina, Estados Unidos, Singapura e Argélia. Como o próprio gestor de manutenção pode instalar o produto nas máquinas e o software é gerido remotamente, a Tractian não precisa ter escritórios fora do país. "Oferecemos suporte ao cliente em inglês aqui da nossa sede na Vila Mariana, em São Paulo", diz o cofundador. 

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