Reaberta a temporada de ofertas: Centauro tem demanda 7x maior

Operação da varejista esportiva pavimenta retomada das ofertas de ações, que pode incluir IPO de Ambipar e Grupo Soma, além de captação da Via Varejo

A ação da Centauro na oferta pública subsequente que foi concluída no início da noite saiu a 30 reais. A captação da companhia ficou em 900 milhões de reais, pois foram colocadas 30 milhões de novas ações. O dinheiro cobre integralmente a compra da Nike, anunciada em fevereiro.

A demanda? Pasmem: 7 vezes o total colocado, segundo fontes próximas à transação. Em plena pandemia. A oferta foi realizada pelos bancos Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA e Santander.

Tudo indica que o Brasil entrou de vez no clima que já está o mercado americano há semanas. Hoje, também foi o dia da maior abertura de capital nos Estados neste ano, da Warner Music, no valor de 1,9 bilhão de dólares.

O valor do papel da Centauro, mais que 10% acima da cotação da data do anúncio da operação (27 reais), e a demanda são termômetro do quão o mercado está aquecido. A retomada das operações por aqui foi adiada pela instabilidade política, mas ganhou tração nos últimos dias, com a alta da bolsa. O Índice Bovespa fechou hoje perto dos 94 mil pontos — muito distante daqueles 63 mil pontos do piso registrado em março.

Não é rotina que ofertas subsequentes saiam em um preço acima da cotação de anúncio da operação. Muito menos no meio de uma das maiores crises globais já vistas. É mais trivial que o mercado pressione os preços para baixo, diante de uma oferta de venda.

A fila de próximas operações, que já se organizava, promete crescer daqui para frente. Nessa madrugada, a Via Varejo anunciou sua tão aguardada captação. A empresa espera levantar 3 bilhões de reais. Mas a oferta pode alcançar 4 bilhões de reais, se houver demanda.

Os papéis, mesmo depois de o mercado conhecer os planos para a oferta subsequente, viveram um verdadeiro rally nos últimos meses  — e continuam. Hoje, após o anúncio da colocação, a ação subiu 3,5%. A companhia, que fechou março avaliada em 6,8 bilhões de reais, valia 18 bilhões de reais hoje.

Ainda que em um processo diverso, a ação da Natura também é uma indicação da forte procura do mercado por ativos de qualidade. A companhia anunciou no início de maio uma capitalização privada de até 2 bilhões de reais, com garantia firme de 1 bilhão de reais.

Por não ser pública, a transação sai com preço pré-definido — nesse caso, 32 por ação. Há pouco, na bolsa, os papéis terminaram o pregão perto de 38 reais cada.

Considerando o preço de tela, a colocação que fecha dia 12 resultaria em um lucro imediato superior a 18% para o investidor que subscrever. Quanto mais alto o preço estiver no encerramento da operação, maior a chance de a empresa captar o volume máximo pretendido.

IPOs

O aquecimento do mercado também está chegando às novatas. Depois de a companhia de tratamento de resíduos Ambipar pegar seu lugar na fila, quem avalia retomar os trabalhos é o Grupo Soma, de varejo de moda — dona das marcas Animale, Farm e Cris Barros, entre outras.

O segmento é um dos mais afetados pelo isolamento e fechamento do comércio durante a pandemia do coronavírus. A decisão da empresa de encarar o investidor nesse ambiente será a cereja no bolo para comemoração do reaquecimento das ofertas. O mundo pós-covid-19 mudou. Mas, talvez, nem tanto assim.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.