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Estapar troca de CEO após 10 anos de gestão de André Iasi, que volta ao BTG

Emílio Sanches, CFO desde 2011, assume a liderança da companhia, que deve terminar ano com R$ 1,2 bilhão em receita

Estapar: 77 cidades, 16 estados e 410 mil vagas (Clayton de Souza/Estadão Conteúdo)

Estapar: 77 cidades, 16 estados e 410 mil vagas (Clayton de Souza/Estadão Conteúdo)

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Graziella Valenti

Publicado em 16 de dezembro de 2022, 18h57.

Depois de dez anos e uma revolução, André Iasi encerrou seu ciclo à frente da Estapar. O sucessor será Emílio Sanches, que está na empresa desde 2011, onde tinha a posição de CFO. Foi preparado para a posição de CEO por Iasi, mais conhecido no mercado como Dega, que agora retorna ao banco BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame), do qual é sócio. A Estapar é controlada pelo fundo Maranello, cujos recursos são de André Esteves, fundador e maior acionista da instituição financeira.

A companhia marcou o primeiro investimento na chamada “economia real” de uma série feita tanto pelo BTG Pactual como pelos fundos de private equity geridos pela instituição. Dega cumpriu seu ciclo de modernizar um negócio tão antigo como de estacionamentos, expandir e consolidar a empresa e ainda levá-la até uma oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa, em maio de 2020. Avaliada em R$ 360 milhões no fechamento de ontem da B3, a Estapar inaugurou a retomada das operações após a pandemia se espalhar pelo mundo e alcançar o Brasil.

Depois de sofrer durante a crise da covid-19, devido ao controle de mobilidade da população, a companhia teve receita líquida recorde de R$ 295 milhões no terceiro trimestre deste ano. A expansão na comparação anual foi de 29% e superou os R$ 280 milhões registrados em igual período de 2019, pré-pandemia. O lucro bruto avançou 61% e a margem bruta caixa no período chegou a 25%. O Ebitda de julho a setembro totalizou mais de R$ 46 milhões, com margem de 15,6%, também superior aos 14,5% do mesmo intervalo de 2019 — e quase o dobro dos 8,1% de 2021.

O desempenho foi alcançado mesmo sem o fluxo total ter retomado o cenário de 2019 em todas as frentes — fechou setembro em 89%, mas crescente. Na comparação ao período pré-covid, houve expansão nas movimentações relacionadas ao lazer (110%). Em saúde e edifícios corporativos, o índice já está acima de 95%, mas nas vagas de rua (a Estapar é a principal operadora privada de Zona Azul do país), em shoppings e aeroportos, a movimentação ainda varia entre 83% e 88% ao período sem pandemia, o que indica espaço para crescimento.

Quando Dega chegou à Estapar, a companhia tinha cerca de R$ 200 milhões em receita e R$ 17 milhões em Ebitda. O mercado estima que a empresa deve encerrar 2022 com R$ 1,2 bilhão de receita líquida e R$ 190 milhões em Ebitda, com margens crescentes. Portanto, a receita se mulplicou por seis e o Ebitda, por mais de dez sob seu comando.

Ao final de setembro, a dívida líquida Estapar estava em R$ 773 milhões, em queda na comparação anual. E relação entre os compromissos líquido e o Ebitda, que estava em praticamente 23 vezes ao fim do terceiro trimestre de 2021, terminou setembro em 5,5 vezes e com forte tendência de redução, dada a perspectiva de expansão do Ebitda acumulado em 12 meses.

Além de consolidar o segmento — a Estapar está presente em 77 cidades, 16 estados e tem sob administração mais 440 mil vagas — , a empresa inovou ao inserir soluções digitais em um segmento tão tradicional. O aplicativo, que engloba pagamento de estacionamento e reserva de vagas, entre outras funcionalidades, foi lançado ainda 2012, quando muitas varejistas ainda engatinhavam no comércio eletrônico. No fim do ano passado, a companhia adquiriu a Zul Digital, e alargou a avenida para se tornar uma auto tech. Percorrer essa via ficará aos cuidados de Sanches.

 

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