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CCR: entrada da IG4 é rota para pulverização do controle e expansão

Gestora de Paulo Mattos, dona da Iguá, vai pagar R$ 3 bilhões à Andrade Gutierrez e assumir dívida de R$ 1,6 bilhão com Bradesco e BB

Em uma temporada cheia de novidades e em meio à captação do seu terceiro fundo de private equity, a IG4 Capital, de Paulo Mattos, está fechando um acordo para comprar a fatia da Andrade Gutierrez na CCR, por R$ 4,6 bilhões. É sua terceira tacada no modelo PIPE — capital privado investido em companhias públicas, ou seja, listadas em bolsa — , mas a primeira no Brasil. Há iniciativas no Peru e no Chile.

Trata-se de uma participação de aproximadamente 15% do negócio e por meio da qual se torna parte do acordo de acionistas que controla a gestão da CCR, em conjunto com a Camargo Corrêa (por meio da Mover) e com o grupo Soares Penido. Todos os sócios com participações semelhantes no negócio. Cada qual tem dois assentos no conselho de administração, que é formado por 13 membros (sete independentes).

Essa posição no bloco de controle, porém, tende a ser transitória. A entrada da IG4 Capital na CCR significa que a empresa foi colocada em uma rota de transformação. Qual a direção? Uma "true corporation", sem controle — majoritário ou minoritário. E para breve.

Em poucas palavras, a expectativa é que a IG4 Capital  transforme a CCR em uma plataforma de consolidação de ativos de concessão rodoviária e mobilidade urbana para América Latina — ou até global — e que o acordo de acionistas deixe de existir. O objetivo, ao que tudo indica, é que seja uma história semelhante à da Iguá Saneamento, antiga CAB Ambiental, que era controlada pela Galvão Engenharia

Dessa forma, a CCR — sem amarras — ficará livre para aquisições, captações e qualquer sorte de movimento que seja necessário para se preparar para lances futuros. Mover e Soares Penido já declararam que não têm planos de vender conjuntamente a empresa.

Na Bolsa, a CCR é avaliada em R$ 27,2 bilhões, após a alta desta sexta-feira, dia 7, de 10,25%.  Em seu portfólio, além da Nova Dutra, AutoBan, do Rodoanel e de outros ativos em rodovias, estão participações em consórcios que atuam em aeroportos e ativos como o VLT, no Rio, e ainda o Metrô da Bahia, entre outros.

A CCR, portanto, ganha seu passaporte para se transformar em uma plataforma da IG4 Capital para consolidar o setor de mobilidade urbana globalmente, inclusive, com as oportunidades surgidas na pandemia. A gestora de Paulo Mattos é hoje uma casa internacional com US$ 1,1 bilhão sob gestão ou aproximadamente R$ 6 bilhões.

Infraestrutura na veia

A expectativa do mercado é legítima, uma vez que a IG4 tem justamente investido em negócios que possam se transformar nessas plataformas de consolidação setoriais. Foi e é assim com a CAB, que virou Iguá; com a antiga Graña Y Montero, no Peru, que virou Aenza; com Opy, de hospitais para saúde pública no Brasil (aliás, iniciada a partir da compra de um hospital de propriedade da Andrade Gutierrez). A gestora também está tentando formar uma plataforma em mineração, de olho na SQM, do Chile, a segunda maior mineradora de lítio do mundo.

Além disso, Paulo Mattos já declarou ao EXAME IN que via para o futuro da Iguá o modelo da Equatorial Energia. Egresso da GP Investimentos, criadora da estrutura da companhia de energia a partir da Cemar, Mattos mistura o olhar do empreendedor e do investidor e vê nas empresas sem dono, mas com cultura forte de gestão, um caminho para a perenidade.

Zerando as heranças da Lava-Jato

Apesar de a CCR não ser uma companhia com elevada alavancagem, a compra da empresa é sim uma operação de reestruturação de dívida, do tipo que a IG4 está habituada, e de governança. Ambos temas de experiência da casa. O total negociado pela fatia da AG, pelo equivalente a R$ 15,44 por ação da CCR ( com um earn-out que pode elevar esse preço), cobre as dívidas garantidas pelos papéis da empresa. Essa questão, portanto, fica resolvida para o grupo, um dos assolados pela Operação Lava-Jato.

Do total, R$ 3 bilhões serão entregues à AG — e o conglomerado vai resolver os compromissos com credores debenturistas e bondholdes. Outro R$ 1,6 bilhão são dívidas com Bradesco (R$ 1,3 bilhão) e Banco do Brasil (R$ 300 milhóes) que a IG4 assume e refinancia, ficando com as ações da CCR.

Aliás, não passa despercebido pelo mercado que o banco com sede na Cidade Deus se transformou de credor a quase parceiro. Depois de ver sua dívida na Iguá quitada e remunerada com a entrada do Canada Pension Plan Investments (CPPI) na sociedade, já financiou o leilão da Cedae e agora aderiu ao acordo para a CCR.

O EXAME IN apurou que, seguindo o padrão da gestora de Paulo Mattos, deverá haver um veículo consolidador das ações em CCR. Provavelmente, com sede no Reino Unido,  onde estão os demais veículos para os outros setores.

Pelos volumes envolvidos, é lógico concluir que serão usados recursos do Fundo II e do III da casa, ainda em captação, e mais  cifrões de investidores patrocionadores por meio de veículos próprios, os chamados Limited Partners (LPs). Ao contrário dos rumores, porém, a reportagem apurou que são investidores tradicionais da IG4 — norte-americanos e europeus, mas entre eles não está o CPPI, que além do grande investimento já feito na Iguá, declarou ter um bolso em torno de R$ 10 bilhões para a empresa de saneamento.

 

 

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