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Deu casamento: em votação, acionistas da Linx dão sim à Stone

Proposta de aquisição da Stone, por meio de incorporação, teve aval de mais de 55% do capital da Linx

Stone (Leandro Fonseca/Exame)
Stone (Leandro Fonseca/Exame)
GV

Graziella Valenti

17 de novembro de 2020 às 17:46

Deu casamento! A proposta da Stone para comprar a Linx por meio de uma incorporação — agora equivalente a  6,7 bilhões de reais — recebeu a quantidade de ‘sim’ necessária para aprovação em assembleia de acionistas, conforme o EXAME IN apurou com três fontes. A combinação das empresas demandava maioria absoluta do capital favorável, independentemente do total de acionistas presentes ao encontro. Eram necessários 87,5 milhões de votos e foram obtidos 97,4 milhões de "sim".

Quando o EXAME IN noticiou o aval à transação, às 17h46, apenas o item 1 da pauta da assembleia estava aprovado. Estão presentes no encontro detentores de 138,8 milhões de ações (79,4% do capital total da empresa). Desses, portanto, 70% aceitaram a oferta da Stone — 34,8 milhões de ações contaram contra e 6,6 milhões se abstiveram. Cerca de uma hora depois, os itens 2 e 3 também tiveram a votação e contagem concluída. A Stone já pode abrir a champanhe do dia.

Para quem era acionista da Linx no dia 10 de agosto (quando o conselho aprovou o acordo de exclusividade com a Stone), trata-se de uma rentabilidade de 51%. Em termos absolutos, um ganho de valor ligeiramente superior a 2,2 bilhões de reais — já que a empresa estava avaliada em 4,5 bilhões de reais na B3, mas incluídas as ações em tesouraria no total.

Mesmo polêmica, a transação proposta pela Stone saiu vitoriosa após ajustes no formato, o que incluiu um aumento de preços de quase 270 milhões de reais guardado especialmente para esta terça-feira — estrategicamente anunciado uma hora antes do horário regular previsto para a assembleia.

O movimento, dessa forma, deixou a Totvs, que tentava rivalizar com uma oferta de 6,1 bilhões de reais, sem tempo de reação e mesmo os investidores da empresa — sem espaço para uma articulação que permitisse a eles forçar quase que o leilão de lances. Na prática, tal qual ocorreria em uma oferta pública de aquisição (OPA).

Na véspera da assembleia, a Stone já tinha praticamente 73% dos votos necessários para aprovação do negócio. Mas os 27% que faltavam eram suficientes para dar frio na barriga para qualquer um participante do negócio, que consumiu a rotina de Stone, Linx e Totvs nos últimos 100 dias.

No total, desde o começo, a Stone elevou a oferta pela Linx em 10%, considerando que na largada a proposta era de 6,04 bilhões de reais e chegou a 6,7 bilhões de reais ao fim — a alta de 598 milhões de reais foi toda na parcela em dinheiro do pagamento. Dos 38,06 reais por ação da Linx que equivale hoje o negócio, 33,56 reais serão pagos em dinheiro — a diferença em papéis da Stone, o que deve fazer o valor oscilar até a liquidação efetiva.

A troca de ações resultado da incorporação só pode ocorrer após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) dar aval à transação. Até lá, as ações da Linx deverão ser negociadas na bolsa, mas presas ao valor da operação. Também resta saber se a Totvs tentará alguma medida para derrubar a combinação das companhias. Por isso, festa mesmo na Stone, só depois de tudo liquidado.

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