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O tombo de 15% da 3R Petroleum, o aumento de capital surpresa e seu conselho vendido em ações

Inversão de tendência nas posições do conselho de administração ocorreu em março e foi divulgada há uma semana

3R Petroleum: movimentação dos conselheiros aumentou frustração de investidores com aumento de capital  (3R Petroleum/Divulgação)
3R Petroleum: movimentação dos conselheiros aumentou frustração de investidores com aumento de capital (3R Petroleum/Divulgação)
Graziella Valenti

Graziella Valenti

17 de abril de 2023 às 17:16

As ações da 3R Petroleum (RRRP3) nesta segunda-feira, dia 17, desabam mais de 15%. O motivo? O tempero apimentado do aumento de capital surpresa anunciado pela empresa, entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões. Na bolsa, a 3R está avaliada em R$ 5,7 bilhões, com as ações negociadas pouco abaixo de R$ 28.

A companhia, em nenhum momento, havia sinalizado que necessitaria de recursos adicionais para pagar pelo Polo Potiguar, cuja adquisição da Petrobras foi anunciada em janeiro do ano passado por R$ 1,3 bilhão. A aprovação do negócio pode estar próxima e, portanto, seu pagamento. Ontem à noite, a empresa pegou os investidores no susto ao informar a captação privada – ou seja, sem oferta pública – a um preço de R$ 24,45. O valor embute um desconto da ordem de 20% sobre a média dos últimos 30 pregões antes de 11 de abril.

A frustração tem uma pitada ainda mais ardida: o conselho de administração  fez uma aposta de queda no valor das ações, por meio de opções de venda. A preços atuais seria equivalente a pouco mais de R$ 70 milhões. O documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não traz detalhes, como prazo das opções e valor de strike. Mas não resta dúvida de que opções de venda são uma aposta na queda dos preços e de que as operações foram contratadas no mês passado.

Consultada, a 3R preferiu não comentar o assunto. A companhia possui capital totalmente disperso na B3. A maior acionista é a Gerval, com patrimônio da família Gerdau, que possui uma fatia pouco inferior a 10%.

O que terminou de incomodar o mercado veio da teleconferência nesta manhã, quando os executivos explicaram que uma injeção de recursos era debatida internamente há cerca de quatro meses, seja via dívida, seja via ações. O argumento da companhia para emitir novas ações é que o desenvolvimento dos projetos ficaria protegido de oscilações no preço do petróleo. Dado o atual custo de dívida, tomar crédito poderia ameaçar a capacidade de investimento futuro, a depender do preço do petróleo no mercado internacional.

O conselho da 3R é conhecido por ser ativo em operações de bolsa, inclusive no mercado de opções. Portanto, a movimentação em derivativos não chega a ser uma surpresa. Mas o timing perfeito para se apostar na venda realmente causou mal-estar.

Em dezembro, janeiro e fevereiro, o conselho tinha opções de compra. Em março, houve uma clara inversão na tendência no entendimento dos participantes desse colegiado. No agregado, o conselho vendeu 2,1 milhões de opções de compra e montou uma posição de quase 2,5 milhões de opções de venda. Detalhe: havia mais de 400 pessoas ouvindo a teleconferência da 3R nesta manhã.

O relatório da CVM sobre a posição dos administradores não personaliza a movimentação. Por questões de sigilo bancário, a informação é prestada ao mercado de forma agregada, por órgão de administração. Tudo que se sabe que é foram participantes do conselho. O colegiado da companhia é composto por Roberto Castello Branco, Richard Gerdau Johannpeter, André de Camargo Bartelle, Guilherme Affonso Ferreira, Harley Lorentz Scardoelli, Paula Kovarsky e Carlos Alberto Pereira de Oliveira.

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Graziella Valenti

Graziella Valenti

Editora Exame IN

Criadora do EXAME IN, espaço dedicado à cobertura de negócios, com foco em mercado de capitais. Na EXAME desde março de 2020, ficou 13 anos no Valor Econômico, oito como repórter especial, sete anos na Broadcast, do Grupo Estado.

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