Logo Exame.com
Breaking NewsPetróleo

Fusão de 3R e PetroReconcavo agrada — mas o diabo está no preço

Operá-los juntos poderia trazer sinergias de US$ 1,1 bilhão, defende a Maha

Maha: eleição de conselho é passo fundamental para conversas sobre fusão com PetroReconcavo (3R Petroleum/Reprodução)
Maha: eleição de conselho é passo fundamental para conversas sobre fusão com PetroReconcavo (3R Petroleum/Reprodução)

18 de janeiro de 2024 às 10:13

Um negócio que sempre fez parte do imaginário dos bancos e de players do setor de óleo e gás finalmente se transformou em uma proposta. Nesta quarta-feira, depois de anunciar a compra de 5% das ações da 3R Petroleum, a Maha Energy — uma petroleira listada na Bolsa de Estocolmo e que tem o Starboard como maior acionista — enviou uma carta ao conselho da empresa para propor uma fusão de seus ativos de onshore (de exploração em terra) com a PetroReconcavo.

As empresas têm campos vizinhos na Bahia e no Rio Grande do Norte e que antes pertenciam à Petrobras. Operá-los juntos poderia trazer sinergias de US$ 1,1 bilhão, defende a Maha.

“Não é uma ideia louca, tem um racional. É aquele ‘deal’ que todo banco tem no seu discurso e agora vem em proposta. Faz sentido, o diabo vai estar nos detalhes”, diz uma pessoa próxima à PetroReconcavo.

Numa primeira digestão das propostas, acionistas relevantes da PetroReconcavo ouvidos pelo INSIGHT também apontam que o negócio “faz muito sentido” — mas o diabo (como sempre) está no valuation.

“A PetroReconcavo é muito está muito mais barata que a 3R, muito mesmo [no deal]. Nesses termos acho que não sai, vai ter que acontecer uma discussão de preço”, afirma um gestor. "A PetroReconcavo gera caixa, não tem dívidas, ao contrário da 3R. A fragilidade é que ela depende da estrutura de escoamento de 3R, mas de forma geral é uma empresa mais saudável." O maior acionista da Reconcavo é o Opportunity — conhecido pela postura dura nas negociações.

A proposta da Maha, antecipada pelo Brazil Journal, é de que “escala com eficiência”. Numa nova empresa reunindo acionistas da 3R e da PetroReconcavoficariam os ativos onshore. Os acionistas da 3R deteriam 50% dessa nova PetroReconcavo. As operações offshore, que são a exploração em alto mar como as plataformas.

Um outro gestor afirma que, na proposta da Maha, os ativos de offshore, que seriam mantidos na 3R listada, estão avaliados a 4 vezes o EBITDA, o que é muito acima do setor na América Latina. “A PetroReconcavo é negociada a 3 vezes EBITDA e não tem dívida.”

Outro ponto relevante, diz ele, é que a 3R está passando uma dívida “nada desprezível” de US$ 1,4 bilhão para o potencial negócio. “Sempre existiu a preocupação de que, se o petróleo vier abaixo de US$ 70, a 3R podia precisar de um aumento de capital.” Há ainda o valor do comando da PetroReconcavo, que ficaria à frente do negócio combinado. “Na 3R as trocas foram boas, mas ainda não tem a mesma confiança do mercado.”

Uma proposta final só deve ser oficialmente apresentada à PetroReconcavo após avaliação do conselho da 3R. O prazo para esse envio, diz a proposta da Maha, seria 28 de fevereiro.

Apesar de ser listada em Estocolmo, a Maha tem ativos na América Latina, incluindo Brasil. À frente da empresa desde setembro de 2022, Paulo Thiago Mendonça conhece bem a 3R: foi presidente do conselho de 2019 até 2022, quando assumiu como CEO da companhia estrangeira.

A empresa combinada teria reservas de 600 milhões de barris e produção de 80 mil barris diários em 2024, com potencial para gerar aproximadamente US$ 2,1 bilhões em receitas. A título de comparação, a PetroRio — a junior oil mais que negocia a premio em relacao as concorrentes — produz 100 mil barris/dia e tem 800 milhões em reservas. As sinergias operacionais viriam na forma de redução de custos de exploração e manutenção com eliminação de estruturas sobrepostas das duas companhias.

A PetroReconcavo também ganharia mais competitividade, aponta a Maha, já que hoje utiliza uma estrutura de escoamento da 3R. Essa estrutura — formada por terminal, refinaria e unidade de processamento — seria tombada para a nova empresa combinada.

“Com a transação de desmembramento onshore completa, a PetroReconcavo está pronta para se transformar em um gerador significativo de fluxo de caixa e pagador de dividendos, estabelecendo-se com uma posição distintiva no mercado de petróleo e gás brasileiro”, defende a Maha em sua proposta.

A carta observa que tanto 3R quanto PetroReconcavo têm experimentado um desempenho aquém do esperado de suas ações nos últimos meses. A PetroRecôncavo está negociando 43% abaixo de sua máxima histórica, enquanto a 3R está negociando 45% abaixo de sua máxima histórica.

O Gerval, family office dos Gerdau, é o maior acionista da 3R, com 8% do capital. Depois de quase uma hora em leilão, as ações da 3R operam esta manhã em alta de mais 10% e as da PetroReconcavo, 12%.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

Continua após a publicidade
Com expectativa de fusão, Azul e Gol firmam parceria para voos no Brasil

Com expectativa de fusão, Azul e Gol firmam parceria para voos no Brasil

Safra vê resultados de turnaround e eleva Alpargatas de 'venda' para 'neutro'

Safra vê resultados de turnaround e eleva Alpargatas de 'venda' para 'neutro'