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Depois da Exxon, Chevron anuncia novo mega M&A em petróleo

Petroleira anuncia compra da Hess por US$ 60 bi, incluindo dívidas — e coloca os pés na Guiana, em parceria com sua principal rival

Hess: fusão coloca a Chevron numa curiosa parceria com a concorrente Exxon (Getty Images/Site Exame)
Hess: fusão coloca a Chevron numa curiosa parceria com a concorrente Exxon (Getty Images/Site Exame)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

23 de outubro de 2023 às 12:12

Está aberta a temporada de mega aquisições no setor de petróleo. Duas semanas após a Chevron anunciar a compra da Pioneer, a Exxon acaba de anunciar a compra da Hess por US$ 53 bilhões em troca de ações.

Considerando também a dívida da companhia, a transação soma US$ 60 bilhões, mesmo valor pago pela Pioneer pela concorrente — no maior M&A do ano e um dos maiores deals da história do mercado de óleo e gás.

A fusão coloca a Chevron numa curiosa parceria com a concorrente Exxon. Isso porque a Hess está trabalhando junto com a Exxon e a CNOOC, da China, para desenvolver a perfuração na Guiana.

A Exxon lidera o consórcio que explora o bloco Stabroek, de 6,6 milhões de acres. Ela detém 45%, a Hess, 30%, e os chineses, 25%. A primeira descoberta de petróleo nesse bloco foi em 2015. Hoje, a Guiana é vista como um dos mais proeminentes produtores do mundo, com destaque na América Latina, atrás apenas do Brasil e do México.

Lá foram feitas ao menos 30 descobertas de petróleo de classe mundial nos últimos anos. Ao todo, são 11 bilhões de barris de petróleo em reservas provadas — quase a totalidade das reservas brasileiras, apesar de um território muito menor.

(Vem daí o interesse da Petrobras pela Margem Equatorial, que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, incluindo a polêmica Foz do Amazonas. A expectativa é que a região tenha um perfil geológico semelhante à da costa do país vizinho.)

A Hess também tem um projeto de xisto na Dakota do Norte, junto com ativos no Golfo do México e no Golfo da Tailândia.

Na aquisição, a Chevron está pagando US$ 171 por ação, ou um prêmio de 4,9% considerando o último fechamento dos papéis da Hess. O pagamento é feito por troca de ações.

A transação vem num momento de petróleo em alta, por conta de conflitos geopolíticos — e reforça que as majors do setor seguem apostando no crescimento da demanda, apesar da necessidade de transição energética para fontes de baixo carbono para conter o aquecimento global.

A onda de M&As acontece após anos de atividade baixa no setor após o baque da pandemia. Nos últimos anos, com preços do petróleo de volta a patamares elevados e com lucros recordes, as principais petroleiras vinham acumulando caixa, distribuído na forma de dividendos e recompras de ações.

Por volta das 12h (horário de Brasília), as ações da Chevron caíam 2,44% no pré-mercado de Nova York, negociadas a US$ 162,66.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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