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Pague Menos

Com aumento de despesas, Pague Menos tem primeiro prejuízo em três anos

Última linha do balanço ficou negativa em R$ 55,3 milhões por causa de aumento de despesas com marketing e estoques com integração da Extrafarma

Pague Menos: companhia faz emissão de ações para melhorar estrutura de capital (Leandro Fonseca/Exame)
Pague Menos: companhia faz emissão de ações para melhorar estrutura de capital (Leandro Fonseca/Exame)
Karina Souza

9 de maio de 2023 às 06:03

A Pague Menos fechou o primeiro trimestre de 2023 com o primeiro prejuízo em três anos. A última linha do balanço da companhia ficou no vermelho em R$ 55,3 milhões, puxada para baixo principalmente por uma concentração de despesas de marketing somada a uma dívida maior, decorrente de fatores relacionados à aquisição da Extrafarma. O 'combo' é mais um efeito pontual do que regra para o restante do ano, segundo Luiz Renato Novais, VP Financeiro e de RI da Pague Menos, em entrevista ao EXAME IN. As razões para o otimismo são várias: redução das despesas com inaugurações e do tempo de giro do estoque, aliados ao aumento de vendas e ao breakeven da empresa adquirida. Mas, uma coisa de cada vez. 

Nos primeiros três meses do ano, a Pague Menos teve um trimestre de crescimento de 9,7% em receita, para R$ 2,3 bilhões. As vendas em mesmas lojas também cresceram, com um aumento de 7,2% em Pague Menos e de 6,5% em Extrafarma.

No período, a companhia também ganhou market share em relação à média de mercado. A participação subiu 1,2 ponto percentual, para 6,1%. Sem considerar a Extrafarma, o incrementou foi de 2,5 pontos percentuais acima da média, com ganhos em todas as regiões, exceto na Norte. O ambiente macroeconômico mais duro tem dificultado a expansão da concorrência no país, especialmente a de menor porte, o que favorece a expansão da empresa.

Todos esses fatores de crescimento em vendas não se refletiram, entretanto, em ganho de rentabilidade de forma integral: o Ebitda da companhia aumentou 3,8%, para R$ 168,5 milhões, com uma margem Ebitda ligeiramente menor, de 6%.

Um dos fatores responsáveis pelo desempenho da companhia tem a ver com uma despesa de marketing inédita: o patrocínio ao BBB. De acordo com o VP financeiro, esses gastos pressionaram em 30 pontos-base o Ebitda em relação ao primeiro trimestre do ano passado e em 50 pontos-base na comparação com o quarto trimestre de 2022.

Em menor grau, a despesa também contribuiu para o aumento das despesas com vendas, que somaram R$ 450,7 milhões, 13,2% a mais do que no mesmo período do ano passado. Além do patrocínio, a cifra engloba as lojas em maturação.

O investimento se pagou, segundo Novais. “O BBB trouxe para a gente uma visibilidade gigantesca. Aumentamos em 28% a base de clientes ativos, que compararam pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, e tivemos R$ 30 milhões de faturamento incremental no canal on-line, também atribuídos ao investimento no programa”, diz.

Além do patrocínio ao reality show, a margem da companhia também foi impactada negativamente pela uma comparação com período de vendas aquecido para venda de testes de Covid — que têm margens maiores do que os demais produtos. Em 2022, esses itens foram responsáveis por aproximadamente um terço do crescimento de receita do período.

Os patamares de rentabilidade vistos neste início de ano devem ser melhorados ao longo de 2023, segundo o diretor financeiro. Um argumento que tem a ver principalmente com o reajuste de medicamentos (que ocorre anualmente no dia 1º de abril), mas também com o desempenho de Extrafarma daqui para frente: a empresa adquirida atingiu o breakeven e passa a contribuir, pela primeira vez, com geração de caixa e com Ebitda, colaborando para a desalavancagem da companhia. No trimestre, a Extrafarma teve um Ebitda ajustado de R$ 15,7 milhões, com margem de 3,2% da receita, crescimento de 0,2 ponto percentual em relação ao quarto trimestre. 

É o resultado de um trabalho conduzido ao longo dos últimos oito meses em três frentes: abastecimento de loja (as unidades da Extrafarma passaram de 8,5 mil SKUs para 10,5 mil), um impacto que se refletiu em venda média mensal 19% maior, para R$ 500 mil. O segundo fator tem a ver com a redução da estrutura administrativa da empresa, hoje compartilhada com a Pague Menos. E, por último, está o fator de logística. 

“As questões fiscais são muito danosas se não houver bom planejamento. Por exemplo, em Pernambuco, sem um centro de distribuição local, a Extrafarma operava com margem de 8% em produtos de referência. Hoje, com o nosso CD, essa margem passa para 20%”, diz o executivo. 

O mantra de 2023: Gerar caixa e conter gastos

Mesmo com todos os efeitos positivos conquistados até agora com a Extrafarma, a Pague Menos ainda teve sua despesa financeira afetada de forma negativa por custos relacionados à aquisição da companhia. O resultado financeiro foi negativo em R$ 162,5 milhões no primeiro trimestre, com aumento de aproximadamente R$ 90 milhões na comparação anual. 

Além do aumento dos juros, contribuiu negativamente para o indicador um maior volume de despesas com antecipação de recebíveis para financiar investimentos em estoques, segundo Novais. “Durante o período de transição entre sistemas de fornecimento, a companhia tem de arcar com estoques muito reforçados, tanto na loja quanto no CD anterior. Investimos R$ 300 milhões nisso para o período de integração da Extrafarma. Como resultado, terminamos o primeiro trimestre com 129 dias de prazo médio, que deve cair para 10 dias a partir do segundo trimestre”, afirma.

O dinheiro em caixa se soma à redução de inaugurações previstas para o ano. Inicialmente, a previsão da Pague Menos era inaugurar 60 lojas, um número que foi reduzido para 20 — e que deve gerar uma economia de R$ 100 milhões em investimentos. 

Esses fatores, somados à geração de caixa da Extrafarma, fazem com que a companhia projete uma alavancagem para o ano menor do que a do primeiro trimestre, que está em cerca de 3 vezes dívida líquida/Ebitda. Para o fim do ano, Novais projeta que a companhia esteja em 2,6 vezes, com a redução mais significativa acontecendo a partir de 2024O endividamento da companhia apareceu, no quarto trimestre do ano passado, como um ponto de atenção para possíveis reações de curto prazo no preço da ação. 

Neste início de ano, a Pague Menos mostra que segue firme em sua tese de expansão. Ao concluir o processo de integração da Extrafarma, em uma aquisição que a tornou a segunda maior rede do país, a companhia avança rumo a uma parcela cada vez maior do consumo dos brasileiros. Tudo, sem perder de vista o preço baixo.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.