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Raízen

Eficiência operacional em foco: os planos da Raízen para melhorar a produtividade daqui para frente

Companhia mostrou como vai melhorar indicadores e avançar em E2G no Investor Day

 (Buda Mendes/Getty Images)
(Buda Mendes/Getty Images)
Karina Souza

Karina Souza

24 de maio de 2023 às 22:48

O que deu certo e o que saiu fora dos trilhos da Raízen, dois anos depois do IPO? Foi com a resposta a essas perguntas que Ricardo Mussa, CEO da companhia, abriu a apresentação a investidores realizada nesta quarta-feira (24). Do lado positivo, ficou o etanol de segunda geração  — uma oferta pioneira e única da empresa —, bem como os avanços da Raízen Power, de energia elétrica, a compra da Biosev e os avanços do Shell Box. Do lado de questões a serem resolvidas daqui para frente, o principal tema abordado pela empresa, alvo da maior parte das perguntas de analistas, foi o futuro da produtividade agrícola da companhia. “É a prioridade número um da Raízen. Depois de dois anos muito difíceis de clima, nosso canavial sofreu mais do que a média, ficamos abaixo da expectativa”, afirmou Mussa aos investidores.

A Raízen apresentou uma análise de produtividade do canavial (TCH) teórica de 83 toneladas por hectare. No ano passado, a companhia entregou 70 toneladas por hectare. Essa diferença, de quase 20%, deve ser completamente sanada a partir de 2025, segundo as estimativas da companhia. A data tem razão de ser: é neste ano que se esgota o canavial velho da companhia, sendo totalmente substituído pelo plantio novo, sob critérios mais cuidadosos de produtividade, iniciado em 2021. 

Com um pouco mais de detalhes: a colheita da cana acontece em cinco anos após seu plantio (chamados de cinco cortes). Tendo em vista que o processo de reorganização começou em 2021, hoje, o primeiro corte e o segundo já estão dentro dos indicadores de produtividade da companhia e o terceiro passa a compor este índice pela primeira vez em 2023. O quarto corte e o quinto estão a 84% do potencial, sendo este totalmente cumprido em 2025. Cumprindo essa meta daqui a dois anos, com uma moagem de 94 milhões de toneladas de cana, a Raízen conseguirá gerar R$ 3 bilhões a mais de caixa por ano .

“O que fizemos para isso acontecer? Uma revisão completa dos processos de plantio, trato e colheita. Mexemos nos indicadores com incentivo correto. E investimos muito em tecnologia para garantir processos e controle de qualidade digitalmente”, disse Francis Queen, vice-presidente executivo de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, no evento. 

Mesmo com a maior parte das melhorias em produtividade sendo capturadas neste ano — já que o primeiro, o segundo e o terceiro cortes estarão dentro do ‘canavial novo’ —  a Raízen deve ter uma moagem de 80 milhões de toneladas neste ano, aumento de 5% em relação à safra anterior. Um crescimento que vem em menor proporção do que os ganhos de produtividade anunciados pela empresa. Em relação a esse descasamento, o CEO da companhia explicou a investidores que o guidance de moagem, mais conservador (que projeta um crescimento em menor grau do que o do aumento de produtividade) vem principalmente por causa da menor compra de cana spot e dos riscos relacionados ao efeito El Niño, que podem reduzir a disponibilidade de cana ao longo do ano.

E2G: a menina dos olhos

Enquanto as questões com produtividade são o principal gargalo a ser resolvido por enquanto, na ponta oposta, a de tarefas “de sucesso” cumpridas pela companhia desde o IPO, está o E2G: se, na abertura de capital em 2021, a Raízen tinha 10 contratos em andamento, hoje são 45 discussões de etanol de segunda geração em andamento. O preço, de lá para cá, também aumentou, segundo a empresa.

Em 2022, a companhia teve recorde de produção de sua planta, a maior do mundo dedicada a produzir etanol de segunda geração. Foram entregues mais de 30 milhões de litros, o que representa um aumento de 80% na produção da planta nos últimos quatro anos, e operando de forma estável. 

A segunda planta deve entrar em operação entre agosto e setembro deste ano, depois duas por ano até 2026. Em 2027, passam a ser três por ano, chegando a 20 em 2030. Ao todo, a companhia deve acrescentar uma produção de 1,6 bilhão de litros de etanol sem aumentar sua produção agrícola.

Hoje, já contando com a fábrica que entra em operação em agosto, a Raízen tem oito plantas novas anunciadas de etanol de segunda geração anunciadas ao mercado, sendo que cinco delas estão em construção. Cada uma tem capacidade de 82 milhões de litros, com um capex de R$ 1,2 bilhão. “É um cenário muito positivo para nós. Com o preço do etanol de segunda geração perto de 1.000 euros por metro cúbico, um preço mínimo que tem retorno garantido, acima de 20% alavancado”, disse Queen. 

Para o futuro pós-construção dessa capacidade, a companhia avalia outras alternativas para crescer, como um melhor uso da biomassa. Hoje usada para produzir energia, esse combustível pode ser substituído por outras soluções de eletrificação — o que traria para a Raízen uma capacidade de construção de mais 40 outras plantas de etanol de segunda geração. Além disso, ao comparar o consumo brasileiro com o global, a companhia também avalia outras oportunidades de receita, como o licenciamento. 

O etanol foi ponto presente em todas as apresentações feitas por executivos da companhia, ressaltado como um combustível promissor, com ampla capacidade de uso até mesmo para a aviação, cuja demanda deve aumentar significativamente ao longo dos próximos anos. Hoje, ao mesmo tempo que investe em garantir esse futuro mais sustentável, a companhia também mantém o olhar no presente, considerando também, é claro, os caminhos a serem seguidos para suas verticais de combustíveis “tradicionais”.

Combustíveis e energia elétrica

No evento, a Raízen anunciou a criação de uma nova divisão de Mobilidade, um rebranding da de Marketing e Serviços, reunindo sob o comando de Teo Lacroze, executivo da companhia que já comandava a divisão da Argentina, também os mercados do Paraguai e Brasil. O futuro da divisão deve ser guiado por seis pilares: marca, produtos premium, lubrificantes, shell box, infraestrutura e proximidade. A companhia afirmou que o volume de vendas aumentou 26% nos últimos três anos, com ganho de market share.

Em resumo dos planos para o futuro, a divisão vai continuar trabalhando a marca Shell com os postos, bem como ressaltando o diferencial do Shell V-Power, hoje o único combustível que limpa 100% o motor desde o primeiro abastecimento. Também estão na esteira o aumento da venda de lubrificantes e o crescimento do Shell Box, que hoje tem mais de 15 milhões de clientes. 

Também está na mira da vertical a expansão das lojas de conveniência, com destaque para Oxxo, que teve mais de uma inauguração por dia ao longo do último ano. Em 2023, também virá para o Brasil a marca Shell Café, presente em mais de 1.500 pontos de venda no mundo. 

Na parte de infraestrutura, destaque para a refinaria na Argentina e para o uso da capacidade de bases de distribuição e aeroportos da empresa para gerar mais rentabilidade, com um potencial de US$ 60 milhões por ano em margem incremental. 

De 2016 para cá, a Raízen mostrou que foi a única distribuidora no setor a não perder margem, um fator que pode ser relacionado à forma como a empresa lidou com o jogo de preços entre combustível importado e a oferta local. Agora, com a mudança da política de preços da Petrobras, na prática, essa diferença deixa de existir, uma vez que há a indicação de que o combustível local será mais barato que o internacional. O que abre caminho, na visão de uma fonte ouvida pelo EXAME IN, para direcionar mais energia a entregar mais proposta de valor para os clientes.

Do lado da vertical de energia elétrica, a Power, os porta-vozes destacaram a missão de ser um lugar com uma oferta única de energia renovável, indo desde geração propriamente dita, com instalação de placas solares e gestão de energia para pequenos negócios, até carregadores para veículos. O crescimento do volume de clientes, olhando principalmente para o primeiro grupo, passou de 300 em 2019 para 24 mil em 2023. Do lado de mobilidade, a novidade foi o cadastramento do app, que já permite a 3.300 motoristas de carros elétricos encontrar o ponto de carregamento mais próximo.

Além disso, a partir desta semana, a divisão passa a oferecer produtos para clientes residenciais que estejam na rede da Cemig e CPFL Paulista. “Em cinco minutos, é possível contratar energia solar com desconto na tarifa. Em uma semana, assinamos 400 contratos, e temos mais 800 interessados”, diz Fernando Saliba, VP de energia e renováveis da Raízen. O foco, no fim das contas, é levar o número de clientes da divisão para 6 milhões. 

O crescimento da divisão, que já gera R$ 1 bilhão em Ebitda, está muito mais ligado a aumentar o volume de clientes do que a se tornar totalmente dedicado a esses serviços, segundo o CEO.  “Geração é meio, não fim”, afirmou. A companhia divulgou um guidance de R$ 700 milhões de investimento em 2023, o mesmo em 2024 e depois de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões. 

Para colocar tudo isso de pé, mantendo a saúde financeira da companhia, o CFO Carlos Moura apontou, no fim do evento, que a companhia deve ter uma dívida líquida de R$ 20 bilhões a R$ 22 bilhões no fim de 2023, já considerando o abatimento de créditos fiscais.

Em um mar de novidades em todas as suas áreas de atuação, a mensagem comum que a Raízen deixou a partir de todas as mudanças feitas em suas verticais foi a de que, enquanto muitas companhias no Brasil e no mundo ainda estão de olho em alternativas para se tornar mais sustentáveis, a empresa tem essa transformação no seu core business. Sustentabilidade e produtividade são as palavras de ordem para fazer o futuro acontecer.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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