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Vitta, do grupo Stone, lança serviço de “hospital digital”

A empresa, que lançou sua frente de telemedicina no ano passado, agora expande sua oferta de produtos para as companhias clientes

 (ismagilov/Getty Images)

(ismagilov/Getty Images)

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Carolina Ingizza

5 de novembro de 2021, 11h27

Mais de doze meses depois de ser adquirida pela Stone, a healthtech Vitta volta aos holofotes com um lançamento para as empresas clientes: seu serviço de telemedicina agora é um "hospital digital" completo, com capacidade de monitorar online até 150 pacientes simultaneamente. "Nos últimos 14 meses, acumulamos tanto serviços, com equipes próprias de médicos, psicólogos, enfermeiros e nutricionistas que de fato decidimos assumir esse papel", diz o cofundador João Gabriel Alkmim em entrevista ao EXAME IN.

O novo serviço é complementar ao benefício de saúde da Vitta, em que a companhia oferece a empresas clientes e seguradoras parceiras os serviços remotos de triagem, monitoramento e tratamento dos pacientes. "A maior parte das pessoas não precisa ir à emergência para resolver seus problemas. Com nossa proposta, conseguimos fazer essa triagem, indicar o uso de medicações e ainda acompanhar a evolução do paciente de hora em hora virtualmente", diz o fundador.

A empresa sabe que nem todos os casos podem ser resolvidos pela internet. Em situações graves, a equipe da companhia ajuda o paciente a escolher um hospital físico dentro do plano de saúde e envia uma equipe própria de visita hospitalar para acompanhá-lo em casos de internação. Para exames laboratoriais, uma equipe própria da Vitta faz a coleta domiciliar e envia os materiais para serem analisados pelo hospital Albert Einstein.

O hospital digital da Vitta conta com 300 funcionários para dar conta da demanda das mais de 572 empresas clientes e 132.000 pessoas atendidas no total, a companhia emprega 480 pessoas. "Antes éramos uma empresa de tecnologia na saúde, mas agora já temos mais profissionais de saúde que qualquer outra área", diz Alkmim.

Por usuário monitorado, a Vitta cobra em média R$ 20 reais por mês das empresas clientes, com serviços extras, como consultas, sendo cobrados separadamente. Segundo Alkmim, o grande público-alvo são grandes empresas que já tem uma seguradora, mas querem oferecer aos funcionários um atendimento extra focado em prevenção de saúde. Para as seguradoras, a healthtech é mais uma credenciada nos planos.

Segundo a companhia, nas empresas que usam o serviço, as idas dos funcionários ao pronto-socorro caíram 19% e o índice de internação baixou 12%. Em contrapartida, as consultas aumentaram 10% e o volume de exames de baixa complexidade, como hemogramas, subiram 6%. "Ajudamos a construir uma cultura de prevenção que, no fim das contas, diminui a taxa de absentismo das empresas", diz o fundador.

A empresa também começa a lançar produtos com as operadoras de saúde. Em parceria com a Unimed Seguradora, em São Paulo, e a Porto Seguro, no Rio de Janeiro, a empresa assume o papel de prestadora de serviço ambulatorial. Na prática, todos os médicos e laboratórios do plano são da equipe da Vitta. O diferencial, segundo a empresa, é o fato de receber um valor fixo por mês por paciente, o que evitaria pedidos de exames e consultas desnecessárias para ganhar no volume.

Márcio Dantas, Tiago Barros e João Gabriel Alkmim, fundadores da Vitta (Vitta/Divulgação)

Do consultório médico ao grupo Stone

Fundada por oito sócios, a mineira Vitta começou em 2014, já atuando no mercado de saúde. O primeiro produto lançado pela startup foi uma ferramenta de prontuário eletrônico para médicos, chamada ClinicWeb, que permite que eles façam desde a organização da agenda até o controle dos prontuários médicos e a gestão financeira. Entre os mais de 15.000 clientes, estão o Hospital Israelita Albert Einstein e os médicos David Uip e Drauzio Varella.

"Começamos pelo médico, mas nosso objetivo sempre foi ajudar a cuidar das pessoas. Quando chegamos a um número relevante de profissionais na base, usamos os dados que tínhamos para entender saúde e lançamos um serviço para as empresas", diz o fundador.

Em 2018, então, a Vitta lançou uma vertical para dar consultorias para ajudar a área de recursos humanos de grandes empresas a escolher os melhores planos de saúde possíveis dado o orçamento e o quadro de funcionários.

"Conforme fomos crescendo dentro do processo de contratação e gestão, percebemos que estava na hora de chegar às pessoas", diz Alkmim. A pandemia foi um empurrão: um ano e meio atrás, a Vitta lançou seu serviço de telemedicina, que deu origem ao benefício de saúde.

A aquisição pela Stone, anunciada em maio de 2020, deu capital para companhia investir no novo produto e expandir sua operação — na época, a startup tinha 140 funcionários. Para a Stone, a Vitta era uma oportunidade de oferecer a sua base de pequenas e médias empresas clientes um serviço de telemedicina 24 horas por dia, sete dias por semana.

"A Stone é uma fábrica de empreendedores, temos aprendido muito com eles. Temos rotinas conjuntas, mas a operação é separada. Hoje, a Vitta tem 25 sócios, um ano e meio atrás eram 12. Aproveitamos os últimos meses para poder focar no crescimento da companhia", diz Alkmim.

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