Renner tem lucro 50% maior, de R$ 257,9 mi, com efeito não recorrente e frio prolongado

Aumento na última linha do balanço seria de 30% na comparação anual sem créditos da Lei do Bem
Lojas Renner: meta para 2023 é manter pé no acelerador em inaugurações (Renner/Divulgação)
Lojas Renner: meta para 2023 é manter pé no acelerador em inaugurações (Renner/Divulgação)
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Karina SouzaPublicado em 03/11/2022 às 21:21.

A Lojas Renner teve mais um trimestre de sucesso nas coleções vendidas e de alta rentabilidade para os acionistas. Nos três meses encerrados em setembro, o lucro líquido ficou 50% maior na comparação anual, em R$ 257,9 milhões. Do lado não operacional, contribui para o aumento um crédito reconhecido pela Lei do Bem — que permite deduzir investimentos em inovação da base de cálculo do Imposto de Renda. Esse fator, isoladamente, rendeu R$ 34 milhões à companhia no trimestre atual, ou 13% do lucro líquido. Sem ele, o crescimento seria de 30% ante o mesmo período de 2021.

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Esclarecido o fator não operacional, é possível voltar os olhares para os que fazem parte do dia a dia da empresa propriamente dito. Do começo do balanço para o fim, a receita líquida da operação de varejo cresceu 10,3% na comparação anual, para R$ 2,6 bilhões, ainda bastante impulsionada pelo frio fora de época. O inverno prolongado, de acordo com a empresa, transferiu cerca de 5% do volume de vendas do terceiro trimestre para o segundo, mas, mesmo assim, diante das temperaturas mais baixas do que o esperado, o faturamento foi beneficiado. 

Importante notar que o período correspondente, no ano passado, foi o primeiro em que lojas físicas puderam operar sem restrições — o que traz, de largada, uma forte base de comparação para os ganhos de receita. Entender essa dinâmica ajuda a comparar de forma mais clara a diferença entre SSS (vendas mesmas lojas) de um ano para o outro: no terceiro trimestre de 2022, o índice ficou em 7,9%, ante 39,5% no ano anterior. Ou seja: o aumento expressivo em 2021, por sua vez, reflete a comparação com um período de muitas lojas fechadas para a abertura total. 

Olhando para o papel das vendas digitais dentro dos ganhos no período, o que fica claro é que a pandemia passou, mas o apetite para comprar on-line está longe de acabar. As vendas digitais da companhia seguem de vento em popa, com aumento de 29,4% no GMV digital sob a mesma base de comparação, totalizando R$ 494,7 milhões. O número corresponde a 14,5% das vendas totais da companhia no período e, dentro dele, o marketplace responde pela maior parte (9,8% do GMV digital), com mais de 800 vendedores ativos.  

Principalmente desde a pandemia, a Renner investe cada vez mais na experiência omnicanal dos clientes, realizando aportes constantes em frentes que vão de desenvolvimento de produtos à logística. No trimestre atual, são destaques a opção de armazenar dados de cartões de crédito no site, além de uma nova home do aplicativo. Em relação às lojas físicas, é mencionado no balanço — e já é possível ver em diferentes lojas de São Paulo — o aumento dos números de caixa de autoatendimento, somando 111 até o momento. 

Para crescer em vendas e preservar margens — em meio à chegada da coleção primavera-verão — a Renner fez um rápido ajuste nos estoques, bem como reforçou o uso de dados nos processos de venda. O resultado foi uma margem bruta preservada na comparação anual, com um sutil aumento de 0,4 ponto percentual, fechando os três meses em 53,8%. 

“Ainda está um pouco abaixo de 2019, mas estamos conseguindo fazer avanços graduais conciliando as pressões inflacionárias com ganhos de eficiência e manutenção do markdown [promoções] em níveis mais baixos do que a referência do passado. Devemos chegar, já no início de 2023, ao patamar em que estávamos no pré-pandemia”, diz Daniel Martins, CFO da Renner, ao EXAME IN.

Como resultado de todas essas iniciativas, o Ebitda da operação de varejo ficou 21,4% maior na comparação anual, em R$ 440,5 milhões, e a margem Ebitda subiu 1,5 ponto percentual, para 16,8%. 

Crédito ainda sob atenção

Assim como no segundo trimestre, a inadimplência é um ponto de atenção para a Renner, em meio ao cenário macroeconômico mais desafiador. A carteira total da companhia cresceu 51,8% na comparação anual, para R$ 5,6 bilhões, mas a quantidade de vencidos também cresceu consideravelmente de um ano para outro: passou de 19,4% para 27,3%. Por fim, as perdas líquidas também cresceram cerca de 2 pontos percentuais, fechando o período em 4,2%.

Olhando só para o cartão Renner (excluindo o co-branded da conta), a carteira permaneceu praticamente estável, com crescimento de 0,2%, para R$ 878 milhões, ao mesmo tempo que as perdas ainda aumentaram, passando de 0% para 0,8% nos três meses encerrados em setembro.

Martins explica que a varejista continua adotando políticas mais restritivas de crédito, olhando índices de fora da companhia, como o nível de endividamento das famílias no país, por exemplo, de olho em conter perdas futuras. 

No trimestre, a Renner também anunciou o Orbi Bank, uma espécie de carteira digital em que clientes podem pagar as compras via pix e receber cashback. De acordo com o executivo, a ‘novidade’ não interfere nos critérios de crédito utilizados pela companhia. “No fim das contas, o Orbi Bank passa a trazer mais funcionalidades que agregam dentro do nosso ecossistema. Usá-lo em conjunto com a plataforma de loyalty, faz com que o conjunto, no fim das contas, seja mais atrativo para o consumidor final, é o que buscamos com esse produto”, afirma. 

Futuro

De olho no próximo ano, a Renner ressalta que deve manter o pé no acelerador em termos de abertura de lojas. Martins não dá um número exato, mas afirma que neste ano já foram inauguradas 30 (faltam 10 para cumprir o guidance, que devem ser abertas até dezembro).

O executivo não dá o número exato das próximas lojas, mas compartilha o dado do plano de expansão da Renner ao longo dos próximos cinco a sete anos: inaugurar 170 lojas da marca Renner, 100 da Youcom e 50 da Ashua. “O próximo ano vai estar em linha com isso”, afirma o CFO.

Ele destaca, durante a entrevista, o desempenho da Youcom ao longo do ano, acima da média, que leva à estratégia da companhia de dobrar o número de lojas da vertical. Hoje, a marca tem 113 lojas espalhadas pelo país, com apenas uma inauguração realizada no trimestre. No período, a receita da vertical foi de R$ 88,1 milhões, crescimento de 26,9%, bem acima do registrado pela Renner (12,8%) e pela Camicado (queda de 27,4%).

A Renner deve fechar 2022 com R$ 1 bilhão investido, cifra em linha com a do ano passado. Apesar dos valores similares, a empresa viu, ao longo do tempo, uma mudança no perfil dos aportes: no ano passado, estiveram mais dedicados ao novo centro de distribuição e, agora, a remodelagem de lojas começa a ter uma participação maior, bem como a expansão e infraestrutura digital. Passos que devem ser seguidos ao longo do próximo ano. Ao que tudo indica, 2023 será o ano da Renner retomar o pé no acelerador para seguir crescendo — e mantendo a liderança no país. “Continuamos tão confiantes no Brasil quanto sempre fomos”, diz Martins.

 

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