Yduqs prepara empresa de concursos para IPO nos próximos anos

Organizada na forma de uma holding, unidade de negócios vira Grupo Q e mira 1 milhão de alunos em 2025
CEO da QConcursos: Foco é crescer para apoiar empregabilidade no Brasil por meio da educação (Grupo Q/Divulgação)
CEO da QConcursos: Foco é crescer para apoiar empregabilidade no Brasil por meio da educação (Grupo Q/Divulgação)
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Karina Souza

Publicado em 04/07/2022 às 13:00.

Última atualização em 04/07/2022 às 14:04.

“Estamos nos preparando para ter a robustez e o tamanho necessário para um IPO entre 2025 e 2026. O importante, para nós, é ter o poder de escolha de abrir o capital quando a hora certa chegar”, diz Caio Moretti, CEO da QConcursos, ao EXAME IN. Desde que foi adquirida pelo grupo Yduqs, no ano passado — em uma transação que não teve o valor revelado — a QConcursos segue com o pé no acelerador. Só neste ano, já colocou outras duas startups no mercado e, agora, reúne todas as marcas sob o mesmo ‘guarda-chuva’, a holding Grupo Q. O propósito segue o mesmo: impactar cada vez mais a empregabilidade no país, por meio da educação. 

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O objetivo de reunir os negócios em uma holding, segundo o CEO, é conectar todas as empresas do grupo não só a nível estrutural, mas também identificar oportunidades de dados para maximizar a oferta de serviços a partir do comportamento de cada usuário. Hoje, o grupo conta com três empresas: a QConcursos, a maior e mais antiga, fundada há 14 anos; a QCarreiras, que funciona como um ‘coursera’ 100% brasileiro, com o diferencial de que busca tanto instituições de ensino quanto empresas para oferecer cursos; e a Prisma, que oferece cursos preparatórios para o Enem e Vestibular de forma totalmente gratuita. Especialmente em relação à última oferta, a ideia é torná-la rentável em algum tempo, mas, por enquanto, funciona principalmente como a base para que o aluno possa se desenvolver e eventualmente se tornar aluno das plataformas pagas que a empresa oferece. 

Moretti não abre, ao menos por enquanto, dados de faturamento ou de investimento necessários para colocar todas as empresas ‘na rua’. O que conta é que todas as soluções foram desenvolvidas dentro de casa e que, hoje, a base total de alunos (contando principalmente com a QConcursos) é de 460 mil assinantes pagos e cerca de 2,1 milhões de usuários impactados por mês, o que representa, em conjunto, aumento de 20% na comparação ano a ano.

De 2014 a 2020, a QConcursos aumentou a receita em mais de 13 vezes. A empresa ‘primogênita’ do grupo oferece tanto a possibilidade de usuários criarem contas gratuitas, com acesso limitado a conteúdo, quanto ofertas pagas, em planos mensais e anuais. O plano mensal mais barato sai por R$ 32 enquanto o anual mais barato sai por 12 parcelas de R$ 12. São valores bem mais acessíveis do que os da concorrência — empresas como a Estratégia Concursos cobram mais de R$ 1 mil por serviços similares. Para chegar nesse valor, Moretti afirmou, em entrevistas à época da aquisição, que o investimento em SEO faz toda a diferença. 

A ideia é focar nas três empresas do grupo em 2022 e lançar outras duas startups no mercado já no próximo ano. Alguns pontos que constituem oportunidades para a companhia, segundo o executivo, são: o mercado B2B, de olho em empresas de educação (ou não) que não sabem como entrar no ambiente digital mas querem estruturar conteúdo educativo, e o desafio de fornecer mais produtos bons e baratos de olho no que ele chama de “a base da pirâmide”, de olho em proporcionar capacitação para um número cada vez maior de alunos no país. “Tudo isso com NPS alto. Mais ofertas, com qualidade, nos dão a sensação de que estamos indo pelo caminho certo e que, com certeza, o dinheiro vem”, diz o CEO. 

Estruturar essas ofertas pode ser um caminho tanto orgânico (como foi até aqui) quanto de aquisições. Para identificar boas oportunidades no mercado brasileiro, o Grupo Q conta com a parceria com a Liga Ventures, em que o foco é encontrar startups de pequeno porte ou mesmo empreendedores com boas ofertas que possam ser incorporados à holding e contribuírem para a expansão do ecossistema que a companhia está criando.

Esse conjunto de ofertas visa permitir que a companhia tenha um milhão de alunos pagos até 2025, ou seja, o dobro do tamanho atual. “É um desafio e tanto, porque, por mais que estejamos na metade disso, levamos 14 anos para chegar ao patamar atual e agora temos muito menos tempo para dobrar”, diz Moretti. A seu favor, a holding conta com o fato de a QConcursos ser um dos maiores 20 e-commerces do Brasil, além de ser o 14º site mais visitado do país (sendo o maior do setor de educação) e ter como premissa ser uma companhia altamente geradora de caixa. Além disso, é claro, conta com a robustez do maior grupo de educação superior no Brasil como investidor. 

Falando em Yduqs, o crescimento da startup pode render frutos em três pontos específicos para o grupo de educação, na visão de Moretti. O primeiro é o próprio retorno do investimento com um IPO, o segundo é o que ele chama de uma ‘sinergia tecnológica’, dado que a empresa está há 10 anos desenvolvendo plataformas educacionais e já fornece produtos para alunos do grupo de ensino superior, e o terceiro fator é cultural: a experiência de estar dentro de uma grande corporação permitiu a ambas as empresas encontrarem o meio-termo entre o ritmo de startup e a burocracia de uma corporação. 

O grupo dono da Estácio, atualmente avaliado em R$ 3,8 bilhões na B3, conseguiu ao menos até o momento avançar nos planos da época da aquisição. De olho nos dados do primeiro trimestre, o segmento de ensino on-line fechou os três primeiros meses do ano com 961,2 mil alunos, crescimento de 130,4% em comparação com o mesmo período do mesmo anterior — resultado atribuído, no relatório, à aquisição da QConcursos em julho de 2021. Desconsiderando a aquisição, a base de alunos do segmento cresceu 25,3% em comparação ao mesmo período do ano passado. 

A ideia, segundo Moretti, é continuar crescendo, mesmo em meio ao ambiente desafiador para startups de modo geral. Ao analisar a concorrência, o executivo afirma que “muita gente vai ficar para trás, já que toda crise traz um filtro. Mas temos controle de caixa muito bom, o que é favorável para nós. Não dependemos de uma nova rodada de investimento para continuar crescendo. Todos os recursos para expansão vieram de dentro do próprio Grupo Q e nossa estratégia não deve mudar em curto prazo”, afirma o executivo. 

 

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