Primeiro IPO da pandemia, Estapar sai no piso do preço esperado

Companhia, líder do setor de estacionamentos com receita anual de 1 bilhão de reais, busca mercado para pagar licitação da Zona Azul de São Paulo

A ação da Estapar saiu a 10,50 reais na oferta pública inicial (IPO), no piso do intervalo estimado para a operação, que variava até 13 reais. Com isso, a empresa conseguiu captar pouco mais de 345 milhões de reais.

Trata-se da primeira abertura de capital desde que a pandemia da covid-19 atingiu o Brasil — a quinta do ano na B3. A operação é emblemática, não apenas por ocorrer no meio da crise, mas por ser de um ativo altamente dependente da mobilidade urbana para seu desempenho financeiro.

Com o preço definido, a Estapar fará a estreia na B3 na próxima sexta-feira, avaliada em cerca de 2 bilhões de reais e suas ações serão negociadas pelo código ALPK3. A oferta contava com garantia firme do maior acionista, o fundo Maranello, de André Esteves, que detinha 47,7% do negócio antes do IPO. Parte dos papéis da oferta foi absorvida pela carteira do fundador do BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME), mas ainda não há detalhes sobre os volumes, conforme apurou o EXAME IN.

A companhia acessou a B3 em busca de recursos para pagar a prefeitura de São Paulo, após ter conquistado em licitação pública o direito de operar por 15 anos o serviço de estacionamento de ruas Zona Azul — com 43.500 vagas e que pode ser ampliado em mais 8.000 posições. O contrato na capital paulista, portanto, equivale a uma expansão de 11% do total de vagas geridas pela empresa. Pela concorrência, a Estapar se comprometeu com um pagamento de 600 milhões de reais até o fim deste mês. A diferença entre o valor obtido com as ações e o total a pagar será coberta por linhas de financiamento.

O segundo maior acionista da empresa, após Esteves, é o fundo Riverside, ou a Equity International, veículo de investimento do bilionário Sam Zell, especializado no mercado imobiliário. Outros sócios são a Franklin Templeton e a Crescera Investimentos.

A companhia de estacionamentos, fundada em 1981, em Curitiba, foi adquirida em 2009 por Esteves e os sócios que fundaram o BTG Pactual, por meio de um aporte de recursos. Foi o primeiro investimento em “economia real” de uma série que seriam feitos pelo grupo de sócios a partir de então.

Dez anos atrás, a Estapar tinha 225 operações, em 25 cidades do país, após expansão realizada já com recursos do aporte dos sócios do BTG. De lá para cá, acumulou um total de 800 milhões de reais em capitalizações recebidas pelos sócios que se juntaram ao negócio. Ao longo dos anos, a companhia investiu 1,2 bilhão de reais em suas atividades. As informações constam do prospecto preliminar da oferta pública.

Hoje, a Estapar tem 684 operações, com 396.400 vagas e está presente em 77 cidades, de 15 estados. É a maior empresa de estacionamentos do Brasil, com receita bruta de 1,3 bilhão de reais. O segundo maior concorrente teve faturamento de 280 milhões de reais no ano passado e o terceiro, de 185 milhões de reais.

No ano passado, a companhia teve sua primeira receita líquida anual bilionária: 1,08 bilhão de reais, após crescimento de 10,4% sobre 2018. O Ebitda teve aumento de 3,2% na mesma comparação, alcançando 355,45 milhões de reais com margem de 32,9%. Em ritmo acelerado de consolidação, a Estapar ainda tem a última linha do balanço com prejuízo. Em 2019, o resultado líquido ficou negativo em 42,6 milhões, uma redução de 15,4% sobre a perda do ano anterior.

A crise do coronavírus atinge em cheio os planos de crescimento da companhia. A Estapar fechou dezembro com 1,55 bilhão de reais em dívida, para um caixa de 120 milhões de reais, resultado de uma forte campanha de consolidação ao longo dos anos.  Excluídos os compromissos com arrendamentos, a dívida líquida financeira somava 358 milhões de reais. No prospecto preliminar da oferta pública, a pandemia da covid-19 é o item número 1 dos fatores de risco para o sucesso da execução da estratégia. No mês de abril, o faturamento mensal recuou 83% em comparação com o mesmo mês de 2019.

O BTG Pactual foi o coordenador líder da operação, ao lado do Bradesco BBI, Santander e Banco do Brasil.

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