Pressa: Rede D'Or compra R$ 600 mi em ações da Qualicorp só em fevereiro

No ano, participação na empresa de distribuição de planos de saúde subiu de 13,5% para 22,4% após compras que totalizam R$ 750 milhões

Agora, quem tinha dúvida, não tem mais. Somente em fevereiro, a Rede D’Or ampliou a participação na Qualicorp de 15% para 22,4%. As aquisições de ações voltaram com tudo desde que o ex-presidente e fundador da empresa, José Seripieri Filho, fechou seu acordo de colaboração premiada.

Dessa vez, o tíquete da aquisição foi bem mais alto: mais de R$ 600 milhões pelo preço verificado na bolsa. Com o bolso cheio, depois de captar R$ 8,4 bilhões na oferta inicial de ações realizada no fim do ano passado, e sem a insegurança a respeito do legado de Júnior, como Seripieri Júnior é conhecido, a Rede D’Or colocou o pé no acelerador. Entre meados de janeiro e o comecinho de fevereiro, o valor investido tinha sido da ordem de R$ 150 milhões, fazendo o total no ano estar próximo de R$ 750 milhões.

A Qualicorp é um caminho importante para a rede de hospitais fundada pela família Moll em 1974 — e que enfrenta a forte concorrência das empresas verticalizadas — conseguir ter na mão um dos principais canais de distribuição de planos de saúde para negociar pacotes com as operadoras.

Na B3, a Qualicorp era avaliada em pouco mais de R$ 9 bilhões. O investimento da Rede D'Or na empresa começou em 2019, mas ficou parado devido às investigações. Para quem já está se perguntando: o estatuto social da companhia não impõe nenhuma restrição à compra de grandes participações. Outros acionistas relevantes são Pátria Investimentos, com 10%, e Opportunity, com 6%.

A empresa terá eleição do conselho de administração em abril deste ano. De acordo com calendário no site de relações com investidores, a divulgação de resultados está programada para dia 23 e a convocação da assembleia ordinária, prevista para dia 30.

A Rede D'Or, que tem um agressivo projeto de expansão e consolidação, precisa garantir formas de crescer mesmo com o mercado de planos de saúde estagnado há uma década em 45 milhões de vidas.

No fim de semana, as duas maiores empresas do segmento, Hapvida e Grupo NotreDame Intermédica, fecharam uma fusão de mais de R$ 115 bilhões. Juntas, elas terão cerca de 20% do mercado nacional de saúde. A companhia resultante será a segunda maior do setor em avaliação de mercado, na cola da Rede D’Or, que valia há pouco R$ 135 bilhões na B3.

Com o encarecimento dos planos individuais e a conquista de participação de mercado dessas empresas unificadas, que atendem os pacientes apenas na própria rede de diagnóstico e hospitais, a Rede D’Or, que sempre teve um tíquete bem mais salgado, precisa se reinventar — ou a forma como vende seus serviços. Ainda mais para entregar o crescimento prometido ao mercado durante as reuniões para o IPO.

Ninguém duvida da capacidade da família Moll. A expansão entregue até aqui já surpreendeu muitos em muitas etapas do caminho. Contudo, o setor de saúde não para de se transformar, e isso vem junto a uma pressão cada dia maior por custos mais baixos.

Só em crescimento orgânico, a Rede D’Or tem em marcha projetos com capacidade para dobrar seu total de leitos operacionais em cinco anos. Mais as aquisições que não param. Para completar o quadro, seu próprio sucesso despertou rivais.

Para concorrer por ativos bons, três redes de hospitais estão com planos de IPO e já pediram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro para suas ofertas: Matter Dei, Kora saúde, com operações relevantes em Tocantins e Mato Grosso e planos mil para outros estados, e o grupo Hospital Care, que mira aquisições em hospitais de alta complexidade em regiões carentes.

É sempre a lei da oferta e da procura: quanto mais compradores tem um ativo, mais caro ele fica. E quanto maior a oferta de um produto, menos ele custa. O segmento de hospitais vive exatamente esse momento e os especialistas preevem que ainda vai levar um tempo até o ponto de equilíbrio, provavelmente, passando por mais distorções.

 

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