Novo round: “Itaú perde R$ 150 milhões todo dia para XP”, diz XP

Além de "prever" o fim do Personnalité em três anos, XP promete um coletinho da casa para cada cliente do Itaú que fizer uma TED para a plataforma

No round de hoje da briga com seu próprio acionista Itaú, a XP Investimentos convocou uma coletiva para afirmar que diariamente saem 150 milhões de reais de recursos do banco para a plataforma fundada por Guilherme Benchimol. “É estratégia de desespero de quem não conseguiu mudar em 90 anos. Nesse ritmo, o Itaú Personnalité acaba em três anos. Quando não tem mais nada para falar, você parte para a agressão”, disse o sócio diretor da XP Investimentos Gabriel Leal, sem trazer dados a respeito da captação de recursos pelo banco nem de quanto dinheiro chega das demais instituições na casa.

Destacando como “hipocrisia” a conduta do Itaú, o discurso de Leal foi provocar o banco a respeito da existência de fundos com taxas de administração de 1% e 1,5% para investimentos em renda fixa, e de até 3% ao ano para carteiras que aplicam em uma única ação, como Petrobras, Vale e até do próprio banco. “O Itaú quer o Brasil de antigamente, com juros alto e sem competição, para decidir quem fica com a riqueza”, disse Leal, mostrando que subir o tom e se apresentar à mídia não vai ser problema.

Questionado sobre a participação que o Itaú tem na XP e a convivência dentro da sociedade, Leal disse que compete ao banco avaliar se precisa repensar sua estratégia de manter a participação na XP Investimentos. A instituição comprou, em 2018, 49% do capital da plataforma fundada por Benchimol e tem direito a adquirir mais 12,5% dos minoritários General Atlantic e Dynamo no próximo ano. No entanto, foi proibida pelo Banco Central de ter o controle, para preservar o ambiente de concorrência. A fatia atual do banco é de 46% do capital, e de 32,5% dos votos, após ajustes gerados pela abertura de capital da XP em Nova York.

O crescimento da XP ao longo dos últimos anos foi construído sobre a migração de recursos dos bancos para sua plataforma. O Itaú é o único que consegue manter, indiretamente, uma parcela do que perde com a participação que possui no negócio. Essa foi a beleza do movimento do Itaú, aplaudida por seus investidores. O banco, inclusive, fica com uma fatia da riqueza gerada pela empresa maior que a do próprio Benchimol e sócios, que têm o poder político: precisamente o dobro, já que o percentual econômico da holding de fundadores XP Controle é de 23%.

Desde ontem, quando a guerra de marketing teve início com uma nova campanha de marketing do Itaú, a disputa é tema das mais variadas elucubrações. Pode ser deletéria para ambos, mas pode também ser positiva para os dois (e até um certo jogo de cena, para não sair da “boca do povo”). Não faltaram memes sobre o assunto.

Além disso, a disputa teria também um benefício extra para o Itaú ao tornar “evidente” a existência de competição com sua investida — o que não é nada mau considerando que a compra da fatia adicional precisa passar novamente pelo crivo do BC. Há dois anos, o regulador deixou claro que só liberaria essa compra extra depois de avaliar as condições de competição no mercado mais uma vez. A participação que o Itaú ainda pode adquirir por contrato já tem preço definido: 19 vezes o lucro por ação de 2021. No mercado, a XP negocia próximo de 55 vezes o lucro. O ganho imediato para a instituição é de quase 190%, se fosse hoje.

Mas há a teoria da conspiração também de que tudo isso é raiva do Itaú por “saber” que o BC jamais o deixaria controlar a plataforma — o que o regulador já sinalizou em 2018.

No capítulo de hoje teve ainda a provocação do “coletinho”. O dia amanheceu com Itaú pedindo nas redes sociais que o público marcasse ali um amigo que tivesse acreditado “mais no coletinho” do que na diversificação das carteiras em 2019. A XP aproveitou e sem piscar lançou a campanha “Faça uma TED do Itaú para a XP e ganhe um colete.”

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