JP Morgan vê luz para restaurantes e ação do Burger King Brasil sobe 15%

Vendas em redes americanas, segundo analistas, registram alta de 20% a 50% em relação aos piores momentos de março

A BK Brasil, holding das operações do Burger King no país, negociou na B3 hoje como se dia de festa fosse. Foi como se os investidores tivessem visto luz no fim do túnel, em meio à pandemia e ao isolamento social que fechou o salão de atendimento das unidades no país.

As ações da companhia, que também é dona dos restaurantes Popeyes Louisiana Kitchen, subiram mais de 15%, levando o valor de mercado da BK Brasil a 2,65 bilhões de reais. A luz que refletiu na bolsa brasileira vinha, porém, lá dos Estados Unidos. O desempenho dos papéis foi uma reação às vendas em redes de alimentação daquele país apresentada hoje em um relatório do JP Morgan, assinado pelos analistas John Ivankoe, Rahul Krotthapalli e Patrice Chen.

A BK Brasil nem está na lista de acompanhamento dos analistas, dedicados aos Estados Unidos. Mas o investidor aqui já aproveitou para ver o comportamento do americano como proxy do brasileiro. Na Nyse, o efeito recaiu especialmente sobre a Arcos Dourados, o McDonald’s América Latina. As ações tiveram alta superior a 10% e o valor da empresa está quase em 780 milhões de dólares.

O time do JP Morgan contou que foram pesquisar como estão as vendas das redes de fast food e encontraram um crescimento entre 20% e 50% nas vendas em relação ao piso de março, o que consideraram um bom sinal de recuperação. Eles visitaram as unidades em diversas regiões.

Os especialistas ainda se mostram cautelosos com o setor, especialmente preocupados com o impacto na redução de renda e aumento do desemprego sobre as receitas. Contudo, destacaram que as vendas estão aumentando, sem que os volumes do drive-thru e das entregas tenha caído.

O relatório do JP Morgan cita a expectativa do mercado de que grandes redes possam ser beneficiadas com um ganho de participação de mercado, fruto da crise financeira de restaurantes e negócios independentes locais que possam fechar, vítimas da crise da Covid-19. Os especialistas alertam que não são tão pessimistas assim. Contudo, no Brasil, há quem acredite que muitos de fato não conseguirão atravessar a crise.

No ano passado, o BK Brasil teve receita de vendas de 2,8 bilhões, o que equivale a um crescimento de 22%. O lucro líquido, porém, caiu de 128 milhões, em 2018, para 48,5 milhões, no ano passado. A empresa ainda não divulgou o balanço do primeiro trimestre.

Ao longo dos últimos meses, a companhia foi alvo de investidores que aproveitaram para elevar a participação no negócio diante da queda nos preços. A fatia da gestora Atmos ultrapassou 10% – novidade comunicada no meio de maio –  e a APG Asset Management passou a deter mais de 5% do negócio. As ações, que eram negociadas por preços próximos de 20 no fim do ano passado, fecharam hoje em 11,63%, após a forte valorização.

 

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