Investo lança ETFs 100% feitos de ações listadas na B3

Combinando ações que atendem ao mercado doméstico e as que atendem ao internacional, foco da gestora independente é atender desde o pequeno investidor aos mais experientes
Investo: primeiros ETFs focados na B3 são "só o começo" (Epiximages/Getty Images)
Investo: primeiros ETFs focados na B3 são "só o começo" (Epiximages/Getty Images)
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Karina Souza

Publicado em 22/09/2022 às 07:00.

Última atualização em 22/09/2022 às 07:02.

A Investo, primeira gestora independente e especializada em ETFs do país, lança dois novos produtos totalmente feitos a partir de empresas brasileiras listadas na B3: o BXPO11, direcionado a investimentos em empresas brasileiras exportadoras, e o BDOM11, que tem como foco as companhias brasileiras com exposição no mercado doméstico. Os dois novos ativos serão lançados ao mercado nesta quinta-feira (22) com 10 mil cotas cada e podem ser comprados com um investimento inicial a partir de R$ 100 — o mesmo valor da cota dos demais ETFs negociados pela empresa com foco no mercado internacional. 

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Entrando mais nos detalhes, o fundo dedicado ao investimento em empresas com viés de exportação será feito por 22 companhias que tenham mais da metade da receita vindo de fora do país. Entre as que compõem o portfólio, estão: Ambev, Gerdau, WEG, JBS, Vale e Suzano. 

Já no ETF com foco em empresas que têm exposição ao mercado doméstico, serão 100 empresas dentro dele, como Petrobras, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e o Mercado Livre. Para fazer parte do índice, elas têm de apresentar no mínimo 50% da receita vinda do mercado doméstico brasileiro. 

Os ETFs foram criados com a divisão dessa forma a partir de um amplo estudo da gestora de índices com as mesmas características no mercado de capitais israelense e australiano. “São mercados em que a divisão fica extremamente clara. As empresas que atendem a um ou a outro propósito são vistas de forma segregada, o que também acontece no Brasil e é muito diferente, por exemplo, do mercado de capitais norte-americano”, diz Cauê Mançanares, CEO e cofundador da Investo, ao EXAME IN.

Os índices pelos quais a empresa se guiou para entender o mercado em Israel e na Austrália foram criados pela MarketVector, empresa especializada nesse tipo de trabalho, a quem a gestora também recorreu para criar o índice que vai guiar os ETFs recém-lançados. A ideia é que os indicadores Investo Brasil Global Exposure e Domestic Exposure se tornem cada vez mais conhecidos no mercado brasileiro – algo que deve acontecer em dois a três anos, segundo o CEO. 

“Fizemos o backtesting [método para testar a eficácia de uma estratégia de trading] e identificamos que, no Brasil, o comportamento é bastante similar ao de Israel e da Austrália também no comportamento dessas classes de ativos. Quando o mercado de exportadoras está crescendo, o de domésticas cai, e vice-versa. É lindo de ver, porque atende a uma das maiores buscas de investidores por ativos que tenham correlação negativa”, diz Mançanares.

Os novos ativos vêm para completar o portfólio da gestora, que até então tinha disponibilizado ao mercado apenas ETFs voltados ao mercado internacional. Até hoje, ela tinha 13 disponíveis, sendo nove deles de ações gringas, dois de renda fixa também de fora do país e outros dois de cripto.

Foram movimentos que acompanharam, em certa medida, a própria fundação da gestora. Nascida em Harvard no início de 2020, a Investo tem como missão “tornar o brasileiro um investidor global”. Com essa proposta, atraiu, mesmo com pouco tempo de vida, parceiros de renome no mercado financeiro, como BTG, Nubank Invest, Credit Suisse, Banco Inter e Banco Modal. 

O movimento de oferecer agora ativos brasileiros traduz uma etapa natural do crescimento da empresa, ao mesmo tempo que reforça a demanda por ativos que tragam uma volatilidade menor do que o puro e simples investimento em ações, segundo o CEO. A empresa mira, é claro, tanto quem está começando agora, quanto os gestores que têm teses similares aos ETFs que a companhia vai disponibilizar. 

Os lançamentos atuais representam “apenas o começo” da visão que a gestora tem sobre o lançamento de novos fundos direcionados ao mercado brasileiro. “Trouxemos o internacional primeiro por planejamento de capacidade operacional da Investo. Sempre planejamos colocar o Brasil no nosso portfólio, mas começamos pelo internacional, que tinha uma demanda maior. O mercado tem muito a se desenvolver. Nos Estados Unidos, hoje, há mais de 2.500 ativos como esse segundo negociados, enquanto o Brasil não tem nem uma centena. Temos muito a fazer”, diz.