Investimentos: a virada da “Geração Z”

Raio X do Investidor Brasileiro, da ANBIMA, identifica maior diversificação de carteiras de investidores ‘Z’ e ‘milleniuns’
Totalmente digitalizada, “Geração Z” é a que mais investiu e arriscou na pandemia (Thinkstock/Thinkstock)
Totalmente digitalizada, “Geração Z” é a que mais investiu e arriscou na pandemia (Thinkstock/Thinkstock)
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Angela Bittencourt

Publicado em 19/07/2021 às 16:00.

Última atualização em 20/07/2021 às 21:08.

O aumento da participação das classes A e B e o alijamento da classe C dos mercados financeiros não inibiu a entrada de uma nova geração no mundo dos investimentos ou finanças pessoais . Em 2020, uma geração efetivamente digital surgiu, a “Z”. É isso o que mostra a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro realizada pela ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – em parceria com o Instituto Datafolha que será divulgada nos próximos dias. A sondagem ouviu, entre 17 de novembro e 17 de dezembro do ano passado, 3.408 pessoas das classes A, B e C economicamente ativas, que vivem de renda ou são aposentadas.

“A geração ‘Z’ representa uma virada. Até a 'geração Millenium' aplicações são feitas por meios digitais, mas as decisões sobre onde colocar o dinheiro precisa da segurança presencial ou um aconselhamento, uma orientação. Havia uma separação entre o processo de escolha do investimento e sua execução. Essa sim, por meios digitais. Mas os investidores da geração 'Z' parecem confortáveis com indicações vindas de algoritmos e chatbots e eles também assumem mais riscos, assim como os milleniuns", afirma Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da ANBIMA.

Para o executivo, essas duas gerações são as que apresentam carteiras mais diversificadas e assumem mais riscos, possivelmente porque são mais jovens. Billi acredita que pode estar equivocada a ideia corrente de que a geração "Millenium" é digital. Mas essa percepção, reconhece, deverá ser confirmada quando os integrantes da geração ‘Z’, conceitualmente hoje com até 24 anos, chegarem aos 30 anos. “Por ora, a renda está concentrada nos ‘milleniuns’ e nos ‘boomers’. Os ‘milleniuns’ estão na faixa etária de 25 a 40 anos; a geração ‘X’, de 41 a 56; e os ‘boomers’, de 57 a 75 anos.”

O Raio X do Investidor Brasileiro informa que 9,5 milhões de brasileiros pertencem à geração ‘Z’, 13,4 milhões à ‘Millenium’, 8,7 milhões à geração ‘X’ e 5,4 milhões são ‘boomers’. A pesquisa revelou que, em 2020, 50% da geração ‘Z’ economizaram. Esse também foi o grupo geracional que mais conteve seus gastos, 27,7%, ante 20,3% do grupo mais populoso, os milleniuns.

A geração ‘Z’ foi a que mais evitou compras desnecessárias em 2020, 17%, ante 7,8% dos ‘milleniuns’. Os ‘Z’ também controlaram bem suas despesas, guardaram parte do salário. Quanto ao conhecimento sobre investimentos financeiros, 51,8% da geração ‘Z’ não conhecem nada, diz a pesquisa, enquanto 43,1% dos ‘milleniuns’ estão na mesma condição. Talvez por essa razão, 21,1% da geração ‘Z’, a que está no fim da fila da vacina, apliquem em caderneta de poupança. Em contraponto, esses jovens investidores são os que mais investem em ações e moedas digitais e os que menos aplicam em fundos de investimento.

Em entrevista ao EXAME IN, Marcelo Billi informou que a ANBIMA já começou a trabalhar na quinta edição do Raio X do Investidor Brasileiro que terá a pesquisa de campo entre novembro e dezembro deste ano. E a próxima sondagem, também a ser realizada com o Datafolha, terá recortes ainda mais relevantes que a atual.

“Temos um histórico de quatro anos, nacional, com os investidores, montamos um grupo de trabalho com representantes dos associados e vamos produzir índices. Temos novas questões a colocar. Os influenciadores digitais devem entram na próxima pesquisa, assim como avaliações que os investidores têm de risco e retorno. Vamos conferir se o aspecto geracional será reforçado. Na pesquisa atual, a grande virada veio da geração ‘Z’ que usa como fonte a internet e o uso de aplicativos.”

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