Coronavírus transforma B2W na estrela do superabril do Ibovespa

A ação da B2W, dona da Americanas.com e do Submarino, atraiu fluxo de compra por ser a única puro-sangue do e-commerce na B3

O saldo de abril, com a bolsa em clima de recuperação comparado ao trágico março, mostra que a única empresa pura de comércio eletrônico da B3 é a principal vedete do mês. A B2W foi a companhia que mais se valorizou no acumulado do mês, até dia 27, com alta de 57%. Só ela marcava ganho superior a 50% entre as empresas que compõem o Índice Bovespa e o IBX-100.

O valor de mercado da companhia, que nasceu em 2006 da fusão entre Americanas.com e Submarino, superou os 41 bilhões de reais – ante 25,1 bilhões de reais no fim de março.

Com o desempenho de abril, já passou com folga o valor pré-pandemia no Brasil, pois terminou fevereiro avaliada em 32,5 bilhões de reais. Consegue até mesmo registrar alta acumulada ano, de 25%.

Desde que a covid-19 começou a se espalhar no país, os investidores estão em busca das empresas que podem se proteger ou até mesmo se beneficiar da situação. No varejo, a preferência é clara por aquelas com canais de venda eletrônico já bem estabelecidos. No caso da B2W, a venda on-line é simplesmente todo o negócio – o que cria expectativa de que pode ser beneficiada pela estratégia de isolamento usada contra o novo coronavírus e pelos novos hábitos que nascerão desse período.

O balanço do primeiro trimestre é amplamente aguardado. Os números serão divulgados no próximo dia 7, após o encerramento do pregão. No ano passado, as vendas totais realizadas pela B2W aumentaram 25%, para 18,8 bilhões de reais. Parte desse crescimento veio da estratégia da empresa de se colocar como ‘marketplace’ de outros varejos – só nesse segmento, o salto nas vendas foi de quase 50%, para 11,6 bilhões de reais.

A aposta em canais eletrônicos também tem ajudado na performance em bolsa da Magazine Luiza e Via Varejo, que acumulam altas de 27% e 45% ao longo deste mês, até dia 27, conforme dados da B3.

O fato de a B2W ser totalmente dedicada ao comércio eletrônico despertou atenção de muitas casas de investimentos. Muitos gestores, devido aos desafios que a companhia enfrenta para melhorar sua geração de caixa, não tinham posição no negócio. Desde 2010, a B2W não apresenta um balanço anual com lucro. Mas o cenário tornou prudente ter, pelo menos, alguma exposição na carteira. “Diversos aplicadores acharam por bem colocar ao menos ‘um pé’ no ativo. Na soma, houve um aumento do fluxo de compra dos papéis”, diz Bruno Lima, analista de ações da Exame Research.

Lima explica que a B2W tem uma maior diversificação de categorias de produtos em sua plataforma do que as demais varejistas da bolsa que têm vendas on-line, além das lojas físicas. “Ela está nisso [e-commerce] há muito mais tempo, com uma variedade de produtos maior e estava mostrando melhora na sua capacidade de gerar caixa. O cenário atual deve ajudar.”

Por ser uma companhia conhecida entre a população, a B2W também absorve seu quinhão da chuva de dinheiro que a pessoa física está colocando na bolsa. Em abril, até dia 27, o saldo entre compras e vendas do pequeno investidor estava positivo em 8 bilhões de reais. Embora o ritmo de compras esteja menor do que março (quando o saldo ficou positivo em 17,3 bilhões de reais), o interesse ainda segue forte.

O superabril

O mês de abril está realmente superando qualquer expectativa de especialistas. Mesmo com todas as preocupações com o futuro da economia, apenas 22 companhias das 96 que compõem o IBX-100 acumulam desempenho negativo em abril, até dia 27. Todas as demais registram ganho.

Em março, auge da instabilidade até agora, as companhias do índice perderam juntas 1,1 trilhão de reais em valor de mercado. Em abril, já recuperaram 200 bilhões de reais do que havia evaporado. A capitalização total do indicador saiu de 2,76 trilhões de reais no fim do mês passado, para 2,93 trilhões de reais até o fechamento de segunda-feira.

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