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BTG Pactual ultrapassa R$ 100 bi de valor na bolsa e tem recordes em 2020

Fatia do banco na riqueza do setor na B3 saltou de 3,7% para 12,5%, desde 2016 até agora
Sede do BTG Pactual: recorde de R$ 635,5 bilhões sob gestão entre asset e wealth management (Exame/Alexandre Battibugli)
Sede do BTG Pactual: recorde de R$ 635,5 bilhões sob gestão entre asset e wealth management (Exame/Alexandre Battibugli)
Por Graziella ValentiPublicado em 09/02/2021 14:04 | Última atualização em 09/02/2021 17:09Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Listado na B3 desde 2012, o BTG Pactual  (do mesmo grupo de controle da EXAME) ultrapassou R$ 100 bilhões em valor de mercado pela primeira vez na semana passada. O banco agora é avaliado em R$ 103 bilhões, próximo de sua máxima histórica, e está atrás apenas de Itaú, Bradesco e Santander Brasil. Diferentemente das demais, a instituição começa praticamente agora sua vida no varejo bancário, de forma totalmente digital.

O marco na bolsa chega praticamente junto com o maior lucro líquido anual recorrente de todos os tempos na instituição, fruto da atividade bancária — o desempenho de 2015, numericamente maior, contou com adicionais extraordinários das vendas de Rede D’Or e Recovery. O balanço anual de 2020 divulgado nessa manhã, do dia 9, mostra a última linha com saldo de R$ 4,05 bilhões, um crescimento de 5,6% em relação a 2019. A receita total teve alta da ordem de 12%, para R$ 9,3 bilhões.

Nos últimos anos, a instituição vem atraindo atenção dos investidores, mesmo diante do mau humor com o setor financeiro tradicional, pelas frentes digitais e pela perspectiva de crescimento com essas operações. Mas o tema, como se sabe, se acentuou durante a pandemia.

“Desde os tempos do Pactual, os sócios da segunda geração sempre tiveram em mente essa visão estratégica de levar para as companhias e para os clientes, como serviço, o que aprenderam a fazer internamente. Na época que o banco foi criado, o diferencial era a grande capacidade de gestão da volatilidade de mercado”, comenta em entrevista João Dantas, diretor financeiro do BTG Pactual. O banco, por isso, tinha e ainda tem uma grande força no que o mercado chama de “sales & trading”.

A orientação para o cliente não mudou, segundo o executivo, mas ao longo do tempo o banco foi consolidando posições de destaque e, muitas vezes de liderança, em outras frentes de negócios. Em 2016, a visão estratégica passou por uma atualização, com foco em digitalização e na atuação em investimentos e transações. Lá também se consolidaram os projetos para o BTG Digital, a plataforma para investidores, e o embrião do BTG+, a operação para pessoas físicas.

“A digitalização, para ser externa, precisa ser interna antes. E esse movimento, pouco perceptível para quem está fora, é um salto quântico”, explica Dantas. “As pessoas não sabem, mas a tecnologia necessária para atuar com pessoa física é a mesma para operar no mercado de pequenas e médias companhias.”

Enquanto amplia os mercados nos quais opera, o BTG Pactual também tem se dedicado a atualizar constamente a atividade de banco de investimento. Ao longo dos últimos anos, o banco deu grande tração na incorporação de dois conceitos que explodiram em 2020: o ESG, dos fatores ambientais, sociais e de governança, e a tecnologia, com a imposição da era digital para empresas e pessoas.

A instituição tem se posicionado para atuar com clientes e ajudar nas oportunidades de evolução das companhias em ESG. E na frente tecnológica, além de disputar as operações de centenas de bilhões, no mercado de capitais, de empresas maduras, o banco também tem dado grande atenção e tido presença de destaque nas transações com empresas digitais. O BTG liderou, até agora, todas as ofertas de startus e techs da B3.

No ano passado, o banco foi líder do mercado nas operações de ofertas de ações  de forma geral. A atividade de banco de investimento teve um salto de 40% na comparação anual, para R$ 1,3 bilhão.

Crédito

Ao longo de 2020, o BTG Pactual se estruturou para aproveitar e ampliar a atuação no mercado de crédito, que alcançou uma participação de 17% da receita total. A receita com essa atividade praticamente dobrou no último ano. A carteira de crédito total cresceu 70% e terminou dezembro em R$ 73,7 bilhões.

Em 2016, a área de crédito representava 10% da arrecadação total da instituição. De lá para cá, o banco inaugurou sua atividade no mercado de pequenas e médias empresas, por meio de uma operação bastante concentrada em recebíveis. Na carteira total, esse segmento fechou 2020 com quase 13% do total.

Trata-se de uma operação — crédito — que tende a crescer cada vez mais no banco. E, num futuro de cinco anos, Dantas acredita que esse segmento deva representar entre 25% e 30% da instituição. E, nesse prazo, a participação das pequenas e médias empresas deve chegar a 30% da carteira. Esse direcionamento foi transmitido pelo banco durante os roadshows realizados tanto para a captação de US$ 500 milhões em green bonds, como para a oferta de ações de R$ 2,5 bilhões. Ao longo dos últimos três anos, a instituição levantou R$ 7,5 bilhões na bolsa para acelerar sua expansão.

Riqueza

A estrutura do BTG Pactual passou por uma reorganização societária em 2016. Desde então, o banco — puro — é negociado separadamente de outras holdings que eram consideradas do mesmo grupo e que ficavam abaixo do mesmo ativo na B3.

Na época dessa reestruturação, após as separações, o BTG Pactual representava 3,7% da riqueza dos cinco maiores bancos listados na B3 — tinha um valor de mercado de R$ 17 bilhões de um total somado de R$ 458 bilhões (considerado no total Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil). Atualmente, esse percentual está em 12,5%. O BTG Pactual é avaliado em R$ 103 bilhões, para uma soma de R$ 833 bilhões dos cinco maiores bancos.

Recordes

No fim de 2020, o banco também alcançou a maior posição de ativos sob gestão de sua história, quando considerada a soma do asset management e do wealth menagement: R$ 635,5 bilhões, um aumento de 15,4% em relação a dezembro do ano anterior. A receita desses segmentos cresceu 26%, e alcançou R$ 1,86 bilhão — praticamente 20% da receita total.

O banco tem se posicionado de forma a aproveitar o ramo de investimentos de diversas formas, e a operação do BTG+ e do BTG Digital são complementares à atividade do banco. Dantas explica que o varejo de investimentos para alta renda no Brasil é da ordem de R$ 1,5 trilhão, mesmo tamanho do mercado de private banking. “A diferença é que é dividido em um número maior de indivíduos.”

“Nós já colocamos o pé no futuro. O BTG Pactual tem lucro de banco e expansão de fintech. Ou cresce como fintech e tem retorno de banco”, descontrai Dantas.

No fim de 2020, o Itaú BBA publicou relatório a respeito do banco com o título “Nascido para crescer”, no qual apontava que a instituição era a melhor posição para o investidor aproveitar o movimento de financial deepening, o movimento econômico pelo qual a população tem acesso a um número cada vez maior de serviços bancários.