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Startup antiburocracia, Docket amplia atuação além do jurídico

Com inteligência artificial, companhia que já atende mais de 250 clientes começa a mirar áreas como o financeiro e o comercial

Rodrigo Lopes, CTO; Pedro Roso, CEO; Flavio Castaldi, VP de Operações: fundadores querem expandir mercado de tecnologia para processos (Docket/Divulgação)
Rodrigo Lopes, CTO; Pedro Roso, CEO; Flavio Castaldi, VP de Operações: fundadores querem expandir mercado de tecnologia para processos (Docket/Divulgação)
Karina Souza

Karina Souza

25 de setembro de 2023 às 10:09

Fundada em 2016, a startup Docket nasceu com um software que facilita a conexão com mais de 30 mil órgãos públicos, para agilizar emissões de documentos junto a prefeituras, juntas comerciais, cartórios e os mais diversos elos com os quais as empresas se relacionam.

Num Brasil imerso em burocracia, a legaltech está aumentando seu mercado endereçável, saindo apenas do universo jurídico e começando a oferecer serviços para áreas adjacentes, como financeiro e comercial, com algoritmos de inteligência artificial.

"Queremos oferecer cada vez mais ferramentas para as empresas acelerarem processos. Um crédito, por exemplo, não envolve só a análise daquele credor, mas depende de toda uma formalização de garantias. Ajudamos empresas a navegarem por isso e, agora, vamos expandir nosso escopo, respeitando as diferenças entre cada área das empresas", diz Pedro Roso, CEO e cofundador da Docket.

Nos próximos 12 meses, a empresa vai disponibilizar uma série de novas funcionalidades. Por enquanto, são três. Uma delas é o radar de documentos, que realiza consultas a CNPJs e CPFs associados, procurando pendências de forma automatizada. Um caso prático de uso envolve, por exemplo, a análise de um fornecedor por um gerente de compras. Antes de fechar contrato, o profissional poderá verificar o registro empresarial do fornecedor para garantir que esteja legalmente registrado e tenha todas as licenças e autorizações necessárias para operar.

Em um contexto de pessoa física, isso pode ser usado até mesmo pelo RH de empresas, para avaliar candidatos a empregos. Ou, na área de vendas, clientes em potencial. Isso inclui verificar histórico de emprego, educação, histórico criminal, referências e outras informações relevantes para tomar decisões.

As outras duas soluções têm um propósito similar. Uma delas é o boletim operacional, que também visa oferecer uma ferramenta para tomada de decisões sobre o negócio -- envolvendo principalmente a análise de documentos extensos, como um financiamento imobiliário, por exemplo. A outra solução é o score, que foi pensado como um aperfeiçoamento para atender à demanda do cliente que tinha de analisar uma série de dados, apontando pendências em documentos em notas que vão de 0 a 100.

Todos esses novos serviços vieram a partir da captação feita pela empresa em dezembro, de R$ 110 milhões, com a Gerdau Ventures e o Inova, do Bradesco. O dinheiro foi usado principalmente para aumentar as equipes de tecnologia, o que resultou no aumento de algoritmos proprietários desenvolvido pela empresa (o número dobrou, passando para 10) e no aumento da capacidade desses algoritmos – que hoje são capazes de processar até 10 vezes mais serviços.

Hoje, a Docket é capaz de emitir mais de 495 mil variações de documentos e já ajudou a liberar mais de R$ 50 bilhões em operações que vão de financiamento imobiliário ao crédito agrícola.

Além da emissão de documentos, a Docket tem desde 2020 um produto para monitorar o estado de alvarás, licenças e documentos regulatórios.

Os efeitos são mostrados principalmente na economia de prazo. Para financiamento de um imóvel, por exemplo, a média de tempo envolvendo a busca e análise de documentos é geralmente de 45 dias e, com a solução da empresa, é possível fazê-lo entre 10 a 15 dias. Hoje, são 250 clientes atendidos, que incluem 35% das empresas listadas no Ibovespa.

Por enquanto, a empresa não gera caixa, e há a previsão de que comece a fazê-lo já no próximo ano. A legaltech não divulga dados de faturamento, mas afirma que segue com a meta de dobrar de tamanho todos os anos, como tem feito desde a fundação. Uma nova captação, por enquanto, não está no radar.

"Vamos entender como está o mercado daqui até lá. No curto prazo, não estudamos nada, mas não descartamos em médio prazo", diz Roso.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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