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Nomad: fintech que oferece conta nos EUA para brasileiros capta R$ 100 mi

Criada pelo fundador do iFood, a startup tem a ambição de ser um banco digital global para pessoas que querem comprar ou investir em dólar

Patrick Sigrist (cofundador), Lucas Vargas (presidente) e Eduardo Haber (cofundador): fintech já tem mais de 50.000 contas abertas e deve terminar o ano com pelo menos o dobro
 (Nomad/Divulgação)
Patrick Sigrist (cofundador), Lucas Vargas (presidente) e Eduardo Haber (cofundador): fintech já tem mais de 50.000 contas abertas e deve terminar o ano com pelo menos o dobro (Nomad/Divulgação)
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Carolina Ingizza

28 de julho de 2021 às 00:11

Nove meses depois de iniciar suas operações, a fintech brasileira Nomad captou um novo investimento de R$ 100 milhões (US$ 20 milhões) para alavancar os planos de ser um banco digital global para os brasileiros. A rodada série A da companhia foi liderada pelo fundo brasileiro Monashees e pelo americano Spark Capital, que tem entre suas investidas empresas como Twitter e Slack. Participaram também os fundos Propel, GFC, Abstract, Vast, OneVC e Globo Ventures. Antes disso, a empresa já havia recebido cerca de R$ 40 milhões em investimentos.

A facilidade da fintech para levantar capital com tão pouco tempo de operação não é sem razão. O negócio tem como sócios figuras conhecidas do mercado de tecnologia brasileiro, como Patrick Sigrist, fundador do iFood; Lucas Vargas, que comandou por oito anos o Grupo Zap; e Eduardo Haber, investidor de longa trajetória no mercado financeiro. Além disso, a proposta de valor da empresa é bastante popular: permitir que brasileiros abram contas bancárias em dólar nos Estados Unidos de forma simples. Não é à toa que a Nomad soma mais de 50.000 contas abertas nos primeiros meses de operação e projeta terminar o ano com uma base de 120.000 clientes.

A ideia para o negócio surgiu em 2016, quando Sigrist e Haber estavam morando nos Estados Unidos e perceberam o quão caro era para brasileiros usarem o cartão de crédito internacional em viagens ao país. “Eu já tinha investido no Neon, que é um banco digital para classes B e C, mas não havia opções para o brasileiro transacionar dólares”, diz Sigrist ao EXAME IN.

Pensando em alternativas, os sócios decidiram criar um banco digital voltado para esse público brasileiro que viaja, faz compras e investe no exterior. Mas entre ter a ideia e conseguir tirá-la do papel foram mais de três anos: o grande desafio foi conseguir parceiros americanos para para validar a operação.

Hoje, a Nomad opera com o serviço de Bank as a Service da Synapse Financial e com o suporte do Evolve Bank and Trust. Por ter um banco americano como parceiro, a fintech pode oferecer aos clientes a garantia de depósitos pelo Federal Deposit Insurance Corporation, equivalente ao Fundo Garantidor de Créditos brasileiro, o que a coloca em vantagem frente a outros competidores com contas dolarizadas, como o C6 Bank e o BS2.

As operações da fintech começaram em novembro do ano passado com o lançamento da conta digital e hoje são baseadas em um tripé de serviços: remessas internacionais, transações financeiras e investimentos. O cartão internacional da Nomad, por exemplo, consegue preços até 10% menores que os praticados por bancos brasileiros devido a um spread menor e taxas mais baixas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Já na frente de investimento, a empresa oferece portfólios de ativos americanos selecionados por robôs advisors (assessores), uma tecnologia adquirida de ex-alunos do MIT e de Stanford.

O plano, segundo o presidente Lucas Vargas, é ir aos poucos criando versões mais complexas dessas funcionalidades para conquistar mais espaço na carteira dos clientes. O aporte de R$ 100 milhões será usado nesse processo, especialmente para investir na contratação de pessoas para os times de tecnologia, dados e negócios. A projeção é que a empresa termine o ano com pelo menos o dobro dos atuais 75 funcionários.

“Outra parte do investimento vai para a nossa frente de growth. O produto está funcionando, o mercado é grande, gera recorrência e engajamento, mas precisamos investir em novos projetos e canais para seguir acelerando”, diz Vargas. As duas principais estratégias da Nomad para aquisição de clientes são o marketing digital, em canais como Google ou Facebook, e as parcerias com influenciadores, casas de gestão de investimento, empresas de e-commerce e sites de viagens.

No longo prazo, a ideia é ser um hub financeiro completo em dólar para os brasileiros. “Nosso maior objetivo é quebrar as barreiras do mercado financeiro e viabilizar soluções de alta qualidade, fáceis de usar e com baixo custo quando comparadas às alternativas existentes no cenário atual. Além das carteiras administradas e das temáticas, em breve lançaremos nossa plataforma de trading nos tornando ainda mais completos para os brasileiros que desejam diversificar o seu patrimônio”, diz Eduardo Haber.

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