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No Assaí, o plano de expansão começa a entregar resultados, diz CEO

Empresa se tornou a rede com mais penetração dos lares brasileiros no 1º semestre e novas lojas já começam a entregar mais margens, diz Belmiro Gomes

Assaí: 1,6 milhão de clientes a mais em um ano (Paulo Whitaker/Reuters)
Assaí: 1,6 milhão de clientes a mais em um ano (Paulo Whitaker/Reuters)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

26 de setembro de 2023 às 07:00

Num momento em que o mercado está preocupado com a alavancagem do Assaí em meio aos investimentos para converter lojas dos hipermercados Extra, a empresa de atacarejo quer mostrar que já está colhendo os primeiros resultados do seu plano de expansão.

No primeiro semestre deste ano, a empresa se tornou a rede alimentar com maior presença nos lares brasileiros, segundo dados mais recentes da empresa de pesquisas Nielsen IQ. O Assaí alcançou uma taxa de penetração de 24,4% no primeiro semestre - ou seja, um em cada quatro domicílios no país frequenta uma loja da empresa.

O resultado é um salto de 3 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2022, quando ocupava a 2ª posição, e 5 p.p. quando comparado ao mesmo período de 2021. Esses números indicam que a base de clientes da rede ganhou 1,6 milhão de lares em um ano.

“A presença em locais mais centrais das grandes cidades acelera o ganho de participação na cesta de compras dos consumidores”, aponta o CEO Belmiro Gomes, em entrevista ao Exame IN, além de aumentar a presença do atacarejo como canal de vendas para mais classes sociais. Hoje, 61% das vendas do Assaí vêm das classes C e 25% das classes AB.

Num momento de pessimismo com o setor de varejo, com juros altos pressionando o consumo e a deflação de alimentos pesando sobre o crescimento do setor, as ações do Assaí acumulam queda de 40% no ano.

No mercado, há também preocupação com o endividamento da empresa, com uma dívida líquida equivalente a 2,6 vezes o EBITDA de 12 meses em junho, em meio a um cronograma de investimentos ainda robusto, incluindo pagamentos restantes para aquisição de lojas Extra.

“A preocupação do mercado financeiro é mais exagerada do que é a prática”, diz. Os investidores estão olhando para o indicador de vendas em mesmas lojas, que ainda caiu 2% no segundo trimestre, refletindo a queda dos preços dos alimentos.

“Embora estejamos ganhando cliente, venda e volume, nominalmente temos um impacto deflacionário. Mas isso não tem apertado os números. Não tem gerado aperto nas margens”, pondera Gomes.

No primeiro semestre de 2023, a margem Ebitda do Assaí ficou levemente menor, indo de 7% um ano antes para 6,6%, como reflexo especialmente das novas lojas. Mas esse contexto está próximo de mudar em breve, conforme as conversões são concluídas, garante o CEO. Atualmente, cerca de 90% das lojas Extra já foram convertidas.

“As novas lojas já entram com contribuição melhor em margem e o objetivo é ter avanço ainda maior.”

A principal alavanca, no entanto, deve vir mesmo do aumento do faturamento: a projeção do grupo é, ao fim de todas as conversões, triplicar o faturamento das lojas que eram hipermercados Extra.

Depois de um ritmo intenso de crescimento tanto do Assaí quanto de outros players do atacarejo, como o movimento do Carrefour Brasil ao comprar o BIG, o foco agora está na maturação das novas lojas. Neste ano, ao todo 30 unidades serão entregues. “No próximo ano, a empresa vai reduzir um pouco esse ritmo e se concentrar na maturação, no equilíbrio e ganho de margem e nos ajustes a serem feitos em cada loja do país”, diz Gomes.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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