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Dólar abaixo de R$ 5 é uma batalha de fato vencida?

Em 5 meses, investimento em portfólio alcançou US$ 12,5 bi; ações e títulos de dívida disputam apetite externo

Tesouro faz emissão externa e alinha curva de juro para lançamentos de títulos corporativos (Mohammed Azakir/Reuters)
Tesouro faz emissão externa e alinha curva de juro para lançamentos de títulos corporativos (Mohammed Azakir/Reuters)
AB

Angela Bittencourt

30 de junho de 2021 às 12:04

A taxa de câmbio volta a arranhar R$ 5, após cinco dias consecutivos abaixo dessa marca rompida depois de um ano de teimosa alta. A sequência foi a mais longa desde fevereiro de 2020. O fôlego do dólar ante o real foi contido por uma amenizada nos preços das commodities após meses de valorizações estupendas, aumento do juro pelo Banco Central (BC), promessa de novas altas e maior oferta de capital ao país. A batalha pelo dólar abaixo de “5” parecia garantida. Nesta quarta-feira não está claro que foi. A tensão política agravada em Brasília por mais denúncias de corrupção envolvendo a compra de vacinas contra Covid-19 mina o terreno do governo que tem pela frente ao menos uma dura batalha a encarar no Congresso – a aprovação da revisão tributária que amplia a isenção de imposto de renda de pessoas físicas e lança a tributação de dividendos.

A política atravessa o campo econômico-financeiro nesta virada de semestre, comentam especialistas em conversa com o EXAME IN. Mas, até pelo calendário, há expectativa de declínio da moeda americana após a definição da taxa de câmbio desta sessão. O dólar desta quarta, 30 de junho, será aplicado ao fechamento de caixa e aos resultados financeiros de bancos e empresas. E, ponto relevante, a taxa também define a liquidação de contratos futuros de dólar negociados no segmento de instrumentos derivativos da B3.

A alta da moeda americana ante o real neste ano, que chegou a 12,5% em março, curvou-se em terreno negativo, mas que já foi maior. Até ontem, o dólar caiu 4,7%. Nesta manhã, ao colar em R$ 5, a queda encolhe a 3,6%.

Na contramão do ano passado, a entrada de capital estrangeiro em portfólio faz diferença sobre a taxa de câmbio. Em cinco meses de 2021 as carteiras receberam US$ 12,47 bilhões. A cifra, embora expressiva, está longe de neutralizar a saída de US$ 31,7 bilhões registrada de janeiro a maio de 2020. Aplicações em ações e em títulos de dívida disputaram, nesse período, o topo do ranking de destinos mais procurados por investidores estrangeiros ou investidores brasileiros com dinheiro lá fora e que decidiram voltar para casa.

Dados do Banco Central (BC) são reveladores e animadores para o fluxo de recursos externos. Os investimentos em ativos brasileiros negociados no exterior acusam saldo negativo em cinco meses deste ano, o que sugere uma rotação de posições para o mercado doméstico a fortalecer as opções de investimentos e a valorização do real.

Os investimentos em ações totalizaram, em cinco meses, US$ 6,17 bilhões; em títulos de dívida, US$ 6,11 bilhões, sendo que apenas no mercado doméstico, as aplicações somaram US$ 9,53 bilhões, enquanto os títulos negociados lá fora sofreram baixa de US$ 3,42 bilhões. Nos fundos de investimentos ingressaram modestos US$ 184 milhões também em cinco meses. Já as inversões em títulos de longo prazo – reconhecidos como papéis da dívida pública – perderam US$ 192 milhões entre entradas e resgates.

Em junho, informa a B3, os investidores estrangeiros já ingressaram com dólares equivalentes a quase R$ 16 bilhões, elevando o saldo positivo do ano a mais de R$ 47 bilhões – a Bolsa registra as estatísticas em reais e não em moeda estrangeira.

Nesta terça-feira, o Tesouro Nacional informou logo cedo nas redes sociais que concedeu mandato para emissão de títulos em dólares com prazo de 10 anos (vencimento em 2030) e para reabertura de bônus Global de 30 anos (vencimento 2050) aos bancos Bradesco BBI, Goldman Sachs e HSBC. No início da noite saiu o resultado. Foram colocados no mercado norte-americano US$ 1,5 bilhão por 10 anos, com retorno para o investidor de 3,875% ao ano e US$ 750 milhões por 30 anos, garantindo retorno de 4,925% ao ano.

O governo aproveitou a oportunidade – e certamente os sinais de interesse de estrangeiros por ativos brasileiros – para “dar continuidade à estratégia de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, promovendo referência para o setor corporativo, e antecipar financiamento de vencimentos em moeda estrangeira”, afirma o Tesouro Nacional. A operação estava prevista no Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública brasileira para este ano.

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