V.tal planeja expandir ocupação da rede em 75%

Expectativa da companhia que nasceu da separação da rede da Oi é ter 34 milhões de casas passadas com fibra até 2025
Fibra: plano da V.tal é ocupação da rede suba de 23% para 40% nos próximos anos (Getty Images/Getty Images)
Fibra: plano da V.tal é ocupação da rede suba de 23% para 40% nos próximos anos (Getty Images/Getty Images)
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Graziella Valenti

Publicado em 04/07/2022 às 10:36.

Última atualização em 04/07/2022 às 10:41.

A V.tal não é uma empresa de infraestrutura de fibra. É muito mais do que isso: uma companhia de infraestrutura digital. É assim que o CEO Amos Genish quer posicionar o negócio, que nasceu a partir da separação da rede da Oi (OIBR3), dentro de seu processo de recuperação judicial, que está prestes a ser concluído.

A expectativa é que, gerida separadamente, a ocupação da rede possa subir de aproximadamente 23% para 40%.  Essa é taxa que Amos pretende obter para o negócio já nos primeiros anos de gestão, conforme conta em entrevista exclusiva ao EXAME IN. Trata-se de um salto de 75% no percentual de ocupação em relação ao status atual.

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Nesse primeiro ano de vida, a V.tal deve ter uma receita líquida de R$ 5 bilhões. A companhia também iniciou sua vida independente com cerca de R$ 5,7 bilhões em dívida, recursos obtidos para investimentos com um pool de sete instituições financeiras. É possível que a empresa faça sua oferta pública inicial (IPO) já em 2023. Será a primeira companhia de infraestrutura digital listada na bolsa brasileira. Sobre datas, porém, Amos prefere não fornecer previsões e reforça que a empresa tem condições de se financiar, mas a listagem é importante como forma de visibilidade ao negócio também.

Para a Oi, será um evento e tanto, já que permaneceu minoritária da companhia de infraestrutura, com uma fatia da ordem de 35%. Essa participação é um ativo-chave para o plano da Oi, que mesmo saindo da recuperação judicial, terá uma dívida financeira bastante significativa. Após pagar compromissos relevantes durante o primeiro semestre deste ano, a empresa tem cerca de R$ 19 bilhões em vencimentos financeiros.

Quando a Oi passou o bastão do negócio para o fundo de private equity gerido pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame), entregou aproximadamente um total de quase 16 milhões de casas passadas com fibra. Esse é o total de domicílios em que a oferta da rede de fibra estava disponível. Como a empresa tinha entre 3,5 milhões e 4 milhões de clientes conectados, a ocupação estava ligeiramente abaixo de 25% —  meta estabelecida por Rodrigo Abreu, presidente da ex-tele.

O plano da V.tal é alcançar 34 milhões de casas conectadas até o fim de 2025. Considerar 40% de ocupação, é como dizer que haverá no Brasil quase 14 milhões de usuários de banda larga de fibra com a infraestrutura da V.tal como base.

Desse total, parte relevante será da Oi, como cliente âncora, e o restante, de outras companhias — sejam provedores regionais, grandes teles, serviços de conteúdo ou até outros tipos variados de negócios que agora poderão colocar em sua cesta de serviços, a oferta de conectividade. “Queremos ser a 1ª escolha das teles também. Não vai mais fazer sentido para outras empresas investir em rede”, enfatiza ele.

“Na GVT, chegamos a ter 70% de ocupação. Acredito que, no futuro, para frente de cinco anos, temos uma chance boa de pensar em 50% a 60% de ocupação”,afirma Amos, na entrevista. O executivo, mais uma vez, enfatizou que apenas a V.tal atua com modelo de rede realmente neutra no Brasil, pois tornou-se um negócio totalmente separado da Oi. "Neutralidade de rede é controlador diferente, não é ter comitê de neutralidade." E é essa estrutura que deve revolucionar o desenho do setor no Brasil dentro de alguns anos.

Pelo modelo de negócios, a V.tal consegue oferecer a solução “end to end”, ou seja, assume todas as necessidades: o provedor que contratar a rede não precisará se preocupar com nada, nem mesmo com a instalação na casa do consumidor, além do esforço de venda, ou seja, o varejo do serviço.

Além da Oi, a V.tal já tem hoje uma carteira com 30 clientes. “O que os consumidores entendem como qualidade não vai mais ser largura de banda, velocidade, mas sim baixa latência”, enfatiza ele. E é aqui que entra o conceito de infraestrutura digital, e não apenas de rede. A companhia tem uma estratégia também calcada em data-centers. Além dos ativos da Globenet que foram incorporados, a V.tal tem acesso a 4.000 hubs, mini data-centers, que eram parte também da rede da Oi. "Para ter baixa latência, os fornecedores de conteúdos, games e outras soluções digitais, precisam de data-centers mais próximos dos usuários finais", explica.

Amos conta que "a conectividade pela conectividade" vai ser se tornar commodity e que o acesso à rede poderá ser vendido por qualquer empresa. Além das OTT, as empresas provedoras de conteúdo que o executivo também quer como cliente, os limites sobre como o serviço de conexão pode ser vendido estão todos sendo modificados.

Entre as conversas em andamento que a V.tal possui hoje, por exemplo, há até mesmos redes varejistas. “Já imaginou? As pessoas vão poder comprar o acesso à banda larga no mercado”, diz, entusiasmado. Amos afirma que o mundo ainda não se atentou para o que a tecnologia 5G significa em termos de desenho de infraestrutura. “A transmissão das informações será feita por redes de fibra, com gigantescos wi-fis fora do solo.” Em seguida, ele explica que os wi-fis gigantes são as torres de telefonia móvel, que vão espalhar o sinal em conexões sem fio.

Questionado se o cenário econômico pode prejudicar a velocidade de expansão da rede, Amos vê de maneira diferente. Para ele, a inflação e o elevado custo de capital deixarão ainda mais evidente que comprar capacidade pronta da V.tal no lugar de investir na construção de uma própria faz muito mais sentido. “A quantidade de acesso construída pelos demais players vai diminuir muito nos próximos anos.”

É por isso que o plano de expansão da companhia é até mesmo mais rápido do que a programação original, que previa 32 milhões de casas passadas até o fim de 2025. Na visão de Amos, quem chegar primeiro às regiões terá a vantagem de garantir a infraestrutura naquele local primeiro, tornando menos interessante que outros construam seus acessos depois. Tudo indica que parece ter chegado o tempo em que as empresas correm para marcar posição com sua infraestrutura pelo Brasil, e não o contrário.

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