Stone supera projeção para 1º tri e tem receita recorde de R$ 2,1 bi

Depois de cumprir guidances, Thiago Piau anuncia metas mais ambiciosas para segundo trimestre
Stone: TPV de R$ 83 bilhões, de janeiro a março, com expansão de 63% (Getty Images/Getty Images)
Stone: TPV de R$ 83 bilhões, de janeiro a março, com expansão de 63% (Getty Images/Getty Images)
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Graziella Valenti

Publicado em 02/06/2022 às 17:18.

Última atualização em 03/06/2022 às 12:19.

“O vendaval passou”, afirma Thiago Piau, CEO da Stone, em entrevista ao EXAME IN. A companhia bateu todos os guidances para o primeiro trimestre. E ainda subiu as expectativas para o segundo. Mesmo com a sazonalidade do quarto trimestre, a Stone teve a maior receita de sua história para um período de três meses, no intervalo de janeiro a março. "Já havíamos sinalizado que seria o ponto de inflexão."

Após uma expansão de 139%, a receita líquida alcançou R$ 2,07 bilhões — crescimento de 87%, se incluída a Linx em ambas as bases. Para o segundo trimestre, a projeção é que a receita fique entre R$ 2,15 bilhões e R$ 2,20 bilhões.

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O total de pagamentos (TPV) realizados na plataforma da companhia teve alta de 63% na comparação anual, para R$ 83 bilhões. Quando é feito é o corte para o core business da Stone — micro, pequena e média empresa (MPME) — a expansão foi de 93%, ou seja, 10% acima do ponto médio da orientação dada pela empresa para esse período.

O desempenho é uma combinação de expansão de base com aumento da rentabilidade, pois o take rate do segmento MPME subiu de 1,71% para 2,06%, conforme Piau havia sinalizado aos investidores quando divulgou os números fechados de 2021.

Na visão do executivo, o vendaval não apenas passou como também a companhia se estruturou para apresentar uma combinação de crescimento com rentabilidade. “O momento de país, com inflação e taxa de juros elevada, colocou nossa rentabilidade em xeque, com o aumento do custo do funding. Mas aprendemos a navegar melhor o ambiente de inflação, que de um lado aumenta o TPV, e juros elevado, que em contrapartida encarece o custo de capital”, disse ele. “Toda essa reestruturação que promovemos é para apresentarmos uma combinação de consistência com solidez, para nunca mais passarmos por um vendaval. Estamos com um olhar muito atento ao ambiente.”

Piau conta que para o período de abril a junho, o TPV do segmento de MPME deve ficar em um intervalo de R$ 67 bilhões a R$ 68 bilhões, o que representa uma expansão de 70% ou mais na comparação anual.

O esforço da companhia em busca de rentabilidade e crescimento, levou a um lucro antes de impostos de R$ 163 milhões, uma melhora significativa na comparação com os R$ 17,2 milhões do quarto trimestre de 2021. O número, porém, ainda equivale a uma queda de 34% na comparação anual. Para o segundo trimestre, a estimativa de Piau é que essa linha fique em R$ 185 milhões, dando continuidade à melhora nas margens.

O lucro líquido ajustado ficou em R$ 132 milhões. Todos esses montantes consideram uma mudança que a companhia adotou no balanço, pois decidiu colocar os bonds de R$ 2,5 bilhões, emitidos para compra de uma participação de 5% no banco Inter, apenas na consolidação da dívida — sem transitar mais sobre o balanço. “Isso significa que não vamos recomprar esses papéis. Vamos carregar até o vencimento”, explica.

Até então, a companhia fazia o ajuste do valor da participação nas ações e nos bonds nos resultados. “Como o valor da participação ficou muito inferior à dívida, isso deixou de fazer sentido.”

Venda de ações do Inter

A Stone decidiu aproveitar a oportunidade que a migração do Inter para a Nasdaq trouxe aos acionistas. Como parte da troca de posição poderia ser feita em dinheiro, a companhia aproveitou para reduzir sua participação de 5% para 3,9%. Com isso, recebeu o equivalente a R$ 176 milhões. "Vimos uma oportunidade, porque o valor estava acima da cotação de mercado."

Na conversa com o EXAME IN, Piau reconheceu que as sinergias com o Inter não aconteceram da forma desejada. Segundo ele, porque a gestão de ambos os negócios está com foco em fortalecer seu próprio core business. “A admiração pela gestão do Inter continua e eu permaneço no board deles.”

Entretanto, deixou de ser um objetivo de curto prazo aproveitar as oportunidades conjuntas entre os negócios. Questionado se pode vender mais ações, Piau afirma que é difícil fazer essa previsão. E que a decisão vai depender de como vão se comportar um conjunto de fatores, que vão desde ao humor dos investidores internacionais com tecnologia até as taxas de juros do Brasil.

Reforço no time

Depois de modificar o conselho de administração, com quatro novos nomes, todos com experiências relacionadas às necessidades atuais da companhia, a Stone também fez reforços no time executivo. Para a frente de software, a companhia trouxe Marcus Fontoura, ex-vice presidente da Microsoft. Ele trabalhará no time de João Bernartt, chefe de produto, tecnologia e dados da companhia.

Vindo de bancos de investimento (Credit Suisse e Goldman Sachs), Osmar Castellani chegou na Stone em março para assumir a área financeira da vertical de software. No LinkedIn, ele se apresenta como CFO da Linx.

Para alinhar o time ao novo momento da companhia, a Stone criou um novo pacote de incentivos, conta Piau.

Crédito e novo líder

“Estamos com foco em três frentes: fortalecer a operação do nosso core business, expandir a atividade de banking e rentabilizar a de software”, responde Piau, quando questionado sobre quando a companhia voltará a ter ofertas de crédito, o negócio que tantos problemas trouxe no ano passado, depois que a companhia expandiu a carteira de crédito, num rápido salto, para R$ 2 bilhões.

“Nesse momento, prefiro prometer menos e entregar mais. Quando nossa oferta ao mercado estiver pronta, vamos comunicar e começar aos poucos.” A área vai ter um líder específico. O nome já foi escolhido: Thomas Gregor, vindo da frente de risco de crédito para pequenas e médias empresas do Santander. “Ele vai chegar depois de cumprir o período de garden leave” na outra instituição.

 

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