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PIB melhorou, só que não

Boletim Macro FGV Ibre prevê expansão do PIB em 0,1% no segundo trimestre, mas eleva de 4,8% para 5,2% estimativa para o ano

Toda história tem dois lados. Tudo tem seu avesso. E o da euforia gerada pelo resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre está por vir. Portanto, prepare-se para evitar trocar o pé em 1º de setembro, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o desempenho da economia no segundo trimestre deste ano.

A expansão de 1,2% de janeiro a março, ante o período anterior, mudou o humor do mercado e também do governo que se encorajou a prorrogar o auxílio emergencial, estudar um aumento para o Bolsa Família e propor a polêmica revisão do Imposto de Renda, ampliando a base de isenção e tributando dividendos. O PIB do primeiro trimestre fez mais. Alimentou expectativas de recuperação mais consistente da atividade. Em setembro, porém, não vai ter reprise.

O Boletim Macro FGV Ibre, divulgado nesta nesta semana, prevê crescimento de 0,1% no segundo trimestre em relação ao anterior. Um tombo, portanto. Apesar dessa estimativa, os economistas da Fundação elevaram a projeção de crescimento para o ano, de 4,8% para 5,2%. “A piora da pandemia ajuda a explicar um resultado ainda ruim para alguns setores, deixando um resultado melhor para o segundo semestre”, avalia Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro.

Ao EXAME IN, a economista informa que os indicadores mostram que a pandemia arrefece, a vacinação avança e, aos poucos, a economia melhora mais. No entanto, setores que ajudaram, e muito, um bom desempenho nos três trimestres estão em fase de acomodação ou já estão com desempenho negativo, como os setores agro e industrial. “Temos que dosar o otimismo. Precisamos ser mais realistas. Temos boas notícias, mas vários problemas, como inflação pressionada, crise hídrica e emperrada geração de emprego e renda”, alerta a economista.

Ducha de água fria

Silvia Matos e Armando Castelar Pinheiro, coordenador de Economia Aplicada do FGV Ibre, que assinam o boletim, comentam que a segunda onda da pandemia foi uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano, em algum grau refletido no bom resultado do PIB no primeiro trimestre de 2021. E avaliam que neste início de segundo semestre foi retomado um novo ciclo de moderado otimismo, temperado por dúvidas sobre a extensão da recuperação em curso da atividade e a velocidade com que os gargalos pré-pandemia voltarão a se apresentar. E com preocupação quanto a novos riscos que vão de um recrudescimento da pandemia aos impactos da normalização da política monetária nos países ricos, em especial nos EUA.

O boletim FGV Ibre pontua o quadro mais benigno da pandemia: o número de novos casos em queda, o aumento do número de vacinados por dia, o aumento dos estoques de vacinas disponíveis e de entregas de mais imunizantes neste terceiro trimestre. Contudo, a pandemia no Brasil, tem sido um destaque negativo na comparação internacional. O elevado número de casos de Covid-19 no mundo é explicado, principalmente, por Indonésia, Brasil e Reino Unido. Além disso, desde junho, o Brasil assumiu a décima posição em termos de número de mortes per capita no mundo, e, recentemente, superou a marca de 2.500 óbitos por milhão de habitantes.

Apesar dos riscos impostos pela disseminação planetária da variante Delta, o aumento no número de casos não tem elevado a taxa de internação e o número de mortes; ou seja, os impactos sobre a atividade econômica devem ser limitados. No Brasil, à medida que a pandemia seja controlada, é esperada uma abertura mais ampla da economia.

O aumento na previsão para o PIB do ano, diz o Boletim Macro, considera o melhor desempenho de algumas atividades do setor de serviços, como transporte, comércio e serviços de informação. A perspectiva é de que o setor industrial e a agropecuária contribuam negativamente para o PIB no   trimestre. A indústria de transformação tem sido impactada pela falta de insumos e pelo aumento nos custos de produção. Portanto, apesar do cenário mais benigno da economia como um todo, os economistas esperam piora no desempenho de alguns setores.

Emprego, renda e dívidas

O Boletim FGV Ibre alerta para a crise hídrica e para a aceleração inflacionária como fatores que merecem atenção.

“A forte queda do nível dos reservatórios tem gerado aumento expressivo nos preços das tarifas, prejudicando os setores intensivos em energia, além de reduzir o poder de compra das famílias. O aumento dos preços de

energia, em um contexto de pressão inflacionária em outros grupos de bens e serviços, torna o cenário ainda mais desafiador”, diz o documento.

Quanto aos preços, os economistas ponderam que, com a abertura gradual da economia, é esperado um aumento da inflação de serviços, que segue ainda em patamares muito baixos. A medida de núcleo de inflação deve permanecer em nível mais elevado também, sinalizando que os choques inflacionários podem estar se espalhando para outros preços da economia.

O Boletim Macro lembra que, segundo a última ata do Copom, o Banco Central (BC) está analisando atentamente o comportamento dos preços de serviços. “Tudo indica que a normalização dos juros continue, possivelmente para além do nível neutro, piorando as condições de crédito para famílias e empresas”, afirmam Silva Matos e Armando Castelar Pinheiro.

Os economistas avaliam que, por outro lado, algum alento virá da recuperação do mercado de trabalho, que foi muito afetado pela pandemia.

A abertura mais ampla da economia levará a uma retomada do emprego e da renda. Entretanto, alerta a FGV, os efeitos devastadores da crise, inclusive o aumento do endividamento, devem estar ainda presentes, limitando a aceleração do consumo das famílias.

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