Petlove capta R$ 750 mi, atrai Riverwood Capital e mira faturar R$ 3 bi

Plano da companhia é mais do que triplicar de tamanho e alcançar receita de R$ 3 bilhões em 2024
Mercado pet: Brasil tem segunda maior do mundo população de felpudos do mundo, com 90 milhões de cães e gatos mapeados em 2018 (FatCamera/Getty Images)
Mercado pet: Brasil tem segunda maior do mundo população de felpudos do mundo, com 90 milhões de cães e gatos mapeados em 2018 (FatCamera/Getty Images)
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Graziella Valenti

Publicado em 30/08/2021 às 08:00.

Última atualização em 30/08/2021 às 13:04.

‘Mundo cão’ já foi expressão sinônimo de um mundo duro, difícil e de escassez. Mas a vida dos pets — e desse mercado — está cada dia mais distante desse clichê.  A Petlove, o maior e-commerce de produtos para cães e gatos, acaba de concluir uma rodada R$ 750 milhões, liderada pela gestora americana Riverwood Capital. A casa, com grande foco em tecnologia, é a mais nova acionista da plataforma.

É o segundo grande passo da empresa em menos de cinco meses. Em abril, a Porto Seguro também estreou na estrelada base de sócios, ao aportar sua área de planos de saúde para pets no negócio. Agora, a seguradora de Jayme Garfinkel acompanhou a rodada, ao lado dos demais sócios, Tarpon e Softbank (os maiores), além de L Catterton e Monashees. “Essa operação é muito emblemática, pois contou com a participação de todos os acionistas”, destaca Pedro Faria, sócio da Tarpon e presidente do conselho de administração da empresa, em entrevista exclusiva ao EXAME IN. A gestora entrou na empresa em 2018 e tornou-se uma espécie de acionista de referência do negócio. Agora, a Riverwood também terá assento no conselho de administração.

Com a nova capitalização, a Petlove foi avaliada em R$ 3,5 bilhões. “Mas isso não é o mais importante para nós. Nenhum sócio estava vendendo sua fatia. Ao contrário, todos comprando mais”, completa ele. Todos eles estão de olho no potencial de crescimento e consolidação do mundo pet, um mercado que deve movimentar cerca de R$ 40 bilhões neste ano — e que vem aumentando em uma velocidade de dois dígitos recorrentemente.

Salto

A transação vai preparar a Petlove para um grande salto em sua operação. “Temos agora aproximadamente R$ 1 bilhão em caixa”, conta Talita Lacerda, presidente da empresa. O ritmo de expansão programado é de fazer inveja. A companhia deve encerrar este ano com receita de R$ 900 milhões, ante aproximadamente R$ 500 milhões do ano passado.

O volume de 2021 inclui todas as marcas e aquisições realizadas como DogHero, Vetus, VetSmart e Porto.Pet, o plano de saúde para pets da Porto Seguro — que atualmente tem cerca de 50 mil vidas.

É a maior operação realizada pela empresa e o volume é superior até mesmo ao de diversas ofertas públicas iniciais (IPOs) realizadas ao longo de 2020 e 2021 na B3. Joaquim Lima, sócio-diretor da Riverwood, conta que esse é o primeiro investimento da gestora no mercado pet. “Vemos grandes empresas como Mercado Livre e Magazine Luiza crescendo muito ao criar ecossistemas em torno de seu e-commerce e acreditamos que algumas verticais e categorias são tão especializados que terão atuação dedicada”, diz ele ao EXAME IN. A tese da gestora, segundo o executivo, é que  a penetração dessa categoria na população ainda é baixa e que vai aumentar significativamente.

Os recursos vão acelerar novas aquisições, mas têm também um destino certo de reforço da malha logística e de parceiros e ainda de tecnologia. “Hoje, 70% da nossa receita vem do serviço de assinatura de ração. Mas estamos investindo nessa frente justamente de entrega rápida para poder oferecer todos os demais produtos e serviços que os cães e gatos precisam e que não necessariamente são de recorrência ou programáveis”, explica Talita.

O objetivo da Petlove é se tornar referência para clientes. “Costumamos falar aqui internamente que a gente quer significar ‘tudo que o seu pet precisa, quando ele precisa e com uma experiência incrível.’”, reforça a executiva. A meta é alcançar uma receita de R$ 3 bilhões em 2024 — o que significa ser maior do que o grupo Petz é hoje.

Ecossistema

A Petlove hoje oferece entrega rápida em cinco cidades e deve acrescentar mais 8 em breve a esse total. Pelo planejamento, serão 50 cidades com o serviço até o segundo trimestre de 2022. “Nós queremos democratizar o acesso a produtos e serviços. Esse é plano”, destaca Talita. "Com potencial de alcançar todo o Brasil", completa Lima,

“Mas nós não vamos ser o bicho-papão que acaba com os comércios de bairro e os pequenos empreendedores. Ao contrário. Queremos oferecer as ferramentas digitais para potencializar esses parceiros e mais veterinários, passeadores e diversos prestadores de serviço”, explica Pedro Faria. Com a captação, o time de tecnologia, que hoje tem 90 pessoas, vai dobrar de tamanho e ir para 180 profissionais. O sistema de entrega rápida da companhia vai trabalhar em conjunto com as lojas e unidades de bairro, como um market-place, mas no qual o usuário final só enxerga a Petlove.

IPO

Lima explicou que a entrada na empresa também tem como objetivo fazer o negócio crescer substancialmente antes de ser levado para a bolsa, que pode ser a B3 ou até mesmo a Nasdaq. Entretanto, não há nenhum projeto em andamento nessa direção, nem mesmo a contratação de bancos. "É coisa para dois ou três anos. Todo foco agora está na expansão."

Ainda que já atraísse atenção, o segmento entrou de vez na mira dos investidores após a listagem da Petz. A companhia estreou na bolsa brasileira em setembro de 2020 avaliada em R$ 5,1 bilhões e agora, antes mesmo de completar um ano como empresa pública, já mais que dobrou de valor. Na sexta-feira, valia R$ 11 bilhões no pregão paulista.

Tudo indica que não vai demorar para que o Brasil tenha uma população de animais de estimação superior a de gente. Hoje, já é o segundo maior mercado animal do mundo. De acordo com dados dados do próprio IBGE, atualizados pelo Instituto Pet Brasil, o país tinha quase 140 milhões de animais de estimação em 2018 (incluindo peixes, aves e répteis), para uma população de 213 milhões de pessoas. De todos os pets, 90 milhões eram cães e gatos e mais de 25% estão em São Paulo.

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