Papel certo na hora certa: bolsa perde R$ 21 bi e dívida da JBS brilha

Demanda por CRAs da empresa de alimentos fica 30% maior que oferta, no mês em que investidor local começa a realizar lucros da pandemia

A JBS concluiu a emissão de 1,876 bilhão de reais em certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) com uma demanda acima da expectativa, que totalizou mais de 2,4 bilhões de reais. O interesse do investidor por esse tipo de título é um retrato do comportamento dos fluxos de mercado neste mês de novembro. Houve procura por 30% além do que foi colocado à venda. E isso porque a captação da empresa já ficou ligeiramente acima do que era pretendido inicialmente — 1,7 bilhão de reais.

A alocação em renda fixa parece a tônica de novembro, algo que já vinha sendo desenhando em outubro. O investidor brasileiro, entre pessoa física e institucionais, já tirou 20,8 bilhões de reais da bolsa (mercado secundário) neste mês — só até o dia 18, último dado atualizado da bolsa. O estrangeiro é o grande comprador do mês, com a entrada de 25,7 bilhões de reais.

É o primeiro mês de 2020 em que o investidor pessoa física aparece como vendedor líquido de bolsa, ou seja, tirou mais dinheiro do que colocou em ações.

A operação da JBS tinha garantia firma de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), XP Investimentos, cada qual com um compromisso de 700 milhões de reais, e Banco do Brasil (BB), que prometeu 300 milhões de reais. Contudo, praticamente não foi necessário acessar esses bolsos: o investidor apareceu com força. As taxas ficaram interessantes, na visão de especialistas. Os institucionais compraram bastante, mas os títulos fizeram especial sucesso no varejo.

A emissão contou com duas séries. A com prazo de vencimento de dez anos, e um volume de 1,489 bilhão, saiu com taxa de IPCA + 4,72% — o equivalente ao retorno da NTN-B 2030 + 1,20%. Já os papéis de sete anos, cuja oferta somou 387 milhões, foram colocados com uma remuneração de IPCA + 4,29% — o que significa o rendimento da NTN-B 2028 e mais 1,05%.

O mês de novembro está consolidando a inversão de mão de humores que outubro já prenunciava. O investidor doméstico, diante do preço da bolsa e do fluxo de estrangeiro, resolveu realizar parte do lucro que obteve no ano. O local aproveitou melhor o estresse da pandemia para lucros, pois foi o primeiro a comprar e não interrompeu os negócios nem no auge do nervosismo e das queda. Ao contrário, quando a bolsa estava mais descontada, foi o principal comprador — com destaque para o investimento direto da pessoa física.

Por aqui, duas preocupações grandes para 2021 que estão auxiliando nessa realização de fim de ano: ainda o novo coronavírus, até que a vacina efetivamente esteja disponível e a população protegida, e também o futuro da economia brasileira, com a pressão nas contas públicas e o (des)equilíbrio fiscal.

Os dados da Anbima a respeito dos fundos refletem essa mesma tendência. As carteiras nacionais captaram mais de 20 bilhões de reais até dia 17 de novembro. Contudo, desse total, 17,3 bilhões de reais foram direto para os fundos de renda fixa. Nos fundos de ações, o saldo estava ligeiramente negativo, em 42,6 milhões de reais — e sempre é bom lembrar que esses portfólios estão numa toada de 26 meses de captação líquida ininterrupta. Nos multimercado, o resgate já somavam 534,4 milhões de reais.

Contudo, ainda não há clareza de para onde vai todo o dinheiro que está saindo da bolsa: se tudo vai migrar para aplicações mais conservadoras, com o investidor querendo preservar seu lucro, ou se parte desse dinheiro vai ser transformado em consumo.

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