Ousadia na crise: João Braga deixa XP para ter própria gestora de fundos

Especialista montará equipe nova e terá capital semente da própria XP na empreitada

Em meio ao terremoto causado no mercado pela pandemia do coronavírus, João Luiz Braga deixou ontem a XP Asset Management após cinco anos de casa. Aos 40 anos, fará voo solo e abrirá sua gestora, com capital semente da própria XP.  Braga saiu sem levar a equipe. Vai começar tudo do zero, com uma história totalmente nova.

A crise causa pela covid-19, por enquanto, fez tudo, menos afastar o interesse do investidor nacional em aplicar no mercado de ações. Não há apetite nem patamar de preços para novas empresas na B3 por enquanto, mas as já abertas estão sentindo como os pequenos investidores individuais estão amortecendo a queda provocada pela forte retirada de recursos dos estrangeiros. O dinheiro doméstico, até agora, não fugiu do mercado.

A XP divulgou ontem a mudança em um breve comunicado, no qual reforça que a decisão foi “de comum acordo”. O time de dez profissionais da casa segue inalterado, com Marcos Peixoto à frente do negócio, cuidando de um patrimônio de nada menos do que 45 bilhões de reais. Peixoto está desde 2013 na XP.

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Braga anunciou ontem sua decisão no Twitter, também de maneira muito sucinta, porém mais descontraída: “Gostaria de comunicar que estou saindo da gestão dos fundos de renda variável da XP Asset. Vou partir para o sonho da minha vida, que vocês saberão em breve, mas já devem imaginar… Eu ia falar com calma amanhã, mas imaginem como está meu WhatsApp no momento exato.”

Na sequência, em curtos comentários, Braga também reforçou que o time ficará na casa. “Saio sozinho para o projeto novo, então todo o processo de gestão, time, inteligência de análise, enfim, tudo que construímos ao longo desses anos continua lá com o Peixoto, que tocou o fundo comigo todos esses anos, e com excelente time de analistas.”

Antes da XP, Braga trabalhou durante nove anos na Hedging-Griffo, ao lado do gestor do tradicional fundo Verde, Luis Stuhlberger, após breve passagem como analista da GP Investimentos. Procurado, preferiu não comentar as novidades.

Pouco antes de deixar a XP, Braga vinha defendendo como estratégia a desconcentração da carteira. Assim, vendeu parcelas importantes de dois ativos nos quais a casa fez história: Qualicorp e Via Varejo. Com a queda da bolsa diante da pandemia, o especialista argumentou em transmissão ao vivo na Internet que era possível ter mais ativos – e contou que no lugar de 12 a 13 companhias que aplicava antes, havia ampliado esse total para 23. Não via sentido em correr riscos específicos concentrados, diante das oportunidades de preço do mercado.

Qualicorp e Via Varejo foram empresas nas quais a XP, que tinha Braga na equipe, atuou muito proximamente. Na empresa de planos de saúde, o time da casa negociou um acordo de governança que modificava o polêmico contrato de 150 milhões de reais que a empresa fez para manter o fundador José Seripieri Filho na companhia — antes da venda para a Rede D’Or. Em Via Varejo, de forma praticamente inédita no mercado brasileiro, a XP liderou um movimento de juntar diversas gestoras para apoiar o filho do fundador da Casas Bahia, Michael Klein, no ousado movimento de recomprar o negócio da rede francesa Casino.

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