Nem “V” nem “Nike”: Ibovespa pode se recuperar em “T” com ofertas e IPOs

Fluxo de dinheiro para bolsa, devido ao juro baixo, abre espaço para estreantes como Aura Minerals e Grupo Soma, de varejo de moda

Nem "V" normal, nem "V" da Nike. O que se fala agora no mercado de ações, tão descolado do noticiário dramático de mortes de pessoas e de companhias, é da recuperação em “T”. Pelo menos, é o que se ouve na área mais otimista dos bancos: a de mercado de capitais, responsável pelas ofertas de ações das companhias. O Índice Bovespa bateu no fundo dos 63 mil pontos no auge do estresse com a pandemia e o petróleo (que ninguém mais lembra) e está subindo de volta como um foguete.

Há pouco, marcava perto de 96 mil pontos, importando otimismo com a ligeira queda nos dados americanos de desemprego. A pandemia, quem diria, pode virar um “flash crash” no gráfico de longo prazo, como foram (em proporções muito menores), o Joesley Day e a greve dos caminhoneiros. A máxima histórica do indicador foi em 23 janeiro, em 119.527 pontos. Para aquela que prometia ser a maior crise global da história, o mercado já recuperou quase 60% frente ao pico.

Nessa subida, o Ibovespa trará com ele espaço para que novas companhias voltem a abrir capital na bolsa brasileira. A lista de próximas operações de estreantes tem a Aura Minerals, empresa de mineração de ouro que vai estrear um IPO em regime de esforços restritos, e o Grupo Soma, dono das marcas Animale, Cris Barros e Farm, entre outras.

O movimento pode parecer descolado da realidade de um país que bateu recordes de mortes por coronavírus nos últimos três dias.  Mas a máxima imperativa do momento é: “contra fluxo não há argumento”. A notícia é boa, embora desperte preocupação para que os investidores não fiquem eufóricos e descuidados — especialmente os pequenos. “Nunca o dinheiro migrou tão rápido para o setor produtivo”, comentou um executivo de banco de investimento. E isso vai ajudar as companhias a se recuperarem de forma mais veloz e, com isso, o emprego e a renda.

O histórico de juros altos no Brasil deixou a poupança do país — da pessoa física diretamente e via fundos de investimento e também dos fundos de pensão — tremendamente subalocada em ações. Com a Selic projetada para 2,25% ao ano, o dinheiro está correndo em busca de alternativas. Mesmo que a cautela com crise faça esse movimento ser menos rápido, o volume é grande, para uma bolsa com 300 companhias. Dos 5,3 bilhões sob gestão na indústria de fundos, menos de 10% está dedicado às aplicações na B3.

As novas

O IPO da Aura Minerals desperta atenção porque é um ineditismo. Mercado em crise não tem espaço para inovações regulatórias. Muito menos quando a companhia almeja levantar entre 700 milhões de reais e 1 bilhão de reais. Isso só acontece, destacam experientes profissionais do ramo, quando há fluxo de compra forte. O sucesso da operação, portanto, será emblemático.

A companhia, controlada pelo brasileiro Paulo Carlos de Brito, é listada na bolsa de Toronto, no Canadá. Com sede na Flórida (EUA), fará uma operação no Brasil em BDRs e sem ser amplamente ofertada no mercado — seguirá a Instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de esforços restritos de colocação. Alguns fundos de investimento nacionais garantiram, ainda que não contratualmente, parte da demanda para os papéis, conforme fontes próximas à oferta.

Já o Grupo Soma, que planejava se listar na B3 desde o começo do ano, deve retomar os trabalhos em breve, com uma operação entre 1 bilhão de reais e 1,5 bilhão de reais. Representante do varejo de vestuário, um dos setores mais afetados pela pandemia, a companhia tem plano de chegar na bolsa junto com a reabertura completa do comércio. Com receita líquida anual da ordem de 1,3 bilhão, trará aos investidores o hit do momento: o sucesso no modelo de vendas on-line combinado à expectativa de retomada da economia.

Ainda que a velocidade de volta esteja surpreendendo, ainda há muita dúvida sobre os efeitos na economia real. O aumento expressivo de pedidos de recuperação judicial e falências por pequenas e médias companhias traz preocupação, pois elas são as maiores geradoras de emprego no Brasil.

Por isso, cada vez que uma empresa nova captar recursos nesse ambiente, será um pavimento a mais para que outras se coloquem na fila.

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