McCain investe US$ 150 milhões em primeira fábrica no Brasil

Foco é se aproximar do público local e acelerar a oferta de uma gama cada vez maior de produtos para ganhar market share
Aluizio Periquito: Nova fábrica dá à McCain oportunidade de se destacar da concorrência, ganhando vantagem competitiva (McCain/Divulgação)
Aluizio Periquito: Nova fábrica dá à McCain oportunidade de se destacar da concorrência, ganhando vantagem competitiva (McCain/Divulgação)
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Karina Souza

Publicado em 16/08/2022 às 11:18.

Última atualização em 16/08/2022 às 17:30.

“E pra mim, fritas com fritas!”. A icônica frase da propaganda da McCain lançada em 2003 ainda parece fresca na memória ao falar da companhia, líder mundial no segmento de batata frita congelada. Naquela época, o vídeo mostrava principalmente como funcionava o produto e defendia que era “crocante por fora e macio por dentro”, de um jeito bem simples e fácil de entender. De lá para cá, é claro, a companhia se tornou cada vez mais sofisticada em termos de mix e hoje tem até mesmo batata frita feita exclusivamente para atender ao delivery e, outra, só para a airfryer. Para oferecer essas e outras novidades ao público brasileiro – sem esquecer da batatinha original – a companhia inaugura nesta terça-feira a primeira fábrica no país. Com um investimento de US$ 150 milhões, está localizada em Araxá (MG), região próxima aos produtores de batata locais. 

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O investimento, de acordo com a empresa, é alto por ser a primeira fábrica construída do zero no país e foi feito com recursos 100% do caixa. A companhia não revela a capacidade produtiva da planta, de 638 mil metros quadrados, mas afirma que satisfaz a necessidade do país para os próximos três anos, já com uma expansão programada no fim desse período. 

O foco é aliar o potencial do mercado brasileiro às premissas de sustentabilidade, cada vez mais exigidas de empresas de praticamente todos os portes. A planta conta com energia 100% renovável e a empresa está se preparando para, em dois anos, certificar a fábrica como emissão neutra de CO2, uma das premissas globais da McCain. Desde já, a operação faz o descarte de resíduos de forma ambientalmente sustentável, a partir do contato com empresas responsáveis pelo tratamento desse tipo de material, bem como realiza o tratamento de efluentes.  

“O Brasil é o quinto maior consumidor de produtos do setor em que atuamos e cresce a aproximadamente 8% anualmente. Acreditamos que tem potencial para chegar a ser o terceiro, perdendo somente para os Estados Unidos e Reino Unido”, afirma Aluizio Periquito, diretor geral da McCain no Brasil, ao EXAME IN.

A taxa a que o país cresce está acima da média mundial, segundo um estudo publicado pela firma de pesquisa The Insight Partners. A empresa projeta que o mercado de batata frita congelada deve crescer 4,2% ao ano (CAGR) e atingir US$ 83,88 bilhões em 2028. O crescimento do setor, de modo geral, tem provocado movimentos também no mercado de capitais. A Tiger Global, enquanto tenta amenizar o tombo com as ações de tecnologia em seu principal fundo, investiu US$ 12,8 milhões na Lamb Weston, um dos principais produtores mundiais de produtos congelados de batata.

Hoje, o Brasil ainda representa uma parte pequena da receita da McCain, que fatura mais de US$ 10 bilhões: o país responde por cerca de US$ 200 milhões anualmente. Fazer essa cifra crescer, na visão do executivo, tem muito a ver com o impulso que o mercado de food service ganhou durante a pandemia, aliado a produtos cada vez mais interessantes também para o consumidor final.

Se antes tudo isso estava 100% atrelado à importação de produtos – da Argentina, França e  Holanda, principalmente – agora a chance de colocar o pé no acelerador vem de forma mais clara com um um olhar local. Ou seja, com a fábrica no Brasil, fica mais fácil acelerar o go to market de produtos mais inovadores já comercializados em outros países direto na linha de produção.

O investimento na planta também vem em momento oportuno diante do cenário macroeconômico. Com fretes internacionais cada vez mais caros, aproximar a cadeia de suprimentos do público também parece uma boa estratégia. Mas o executivo afirma que esse não foi o motor central dos investimentos, uma vez que o aporte na fábrica foi aprovado pelo conselho da companhia em 2019.  Em 2020, a pandemia veio e trouxe o baque de atrasar projetos ao redor do mundo para a empresa, mas conforme o consumo foi se recuperando, a nova fábrica no Brasil voltou a ser um objetivo real a ser concretizado. 

“A gente realmente queria começar a diversificar. Trabalhamos com um produto vivo que depende de clima e para o qual uma falha de produção pode levar à falta do produto. A fábrica nova traz essa capacidade, já que adiciona o Brasil aos mercados em que a companhia já atuava. Ao mesmo tempo, nos traz força porque em qualquer eventualidade por aqui, poderemos contar com o sourcing da Europa. Ficamos bem posicionados para suprir o mercado a qualquer tempo”, diz Periquito.

Um ponto que torna tudo mais difícil – de forma cada vez menos exclusiva – é o aumento da inflação. A McCain sentiu o impacto das taxas mais elevadas e, principalmente, das rupturas na cadeia de suprimentos ao longo do último ano. Sem dizer números, o executivo afirma que a companhia tomou duas ações principais para conter esse impacto nos custos: buscar mais eficiência nas plantas, reduzindo custos, e repassando preços. 

“Agora, o que vemos é que o nosso mercado sofre, mas segue crescendo. Tem impacto de preço, mas as pessoas continuam comprando. E a ideia é buscar cada vez mais eficiência para compensar isso no futuro. Quanto mais acessível a batata for, maior a chance de ganhar espaço nos lares”, diz o executivo. 

Em um mercado com tanto potencial, a concorrência também cresce. Hoje, os concorrentes da McCain se dividem em três grupos principais: produtores de batata pré-frita congelada que trazem os produtos da Argentina, empresas da Europa que trazem produtos para cá de forma eventual e os concorrentes locais.

“A McCain é a única, agora, que vai ter o sourcing dessas três regiões, somada à capacidade de produzir novos produtos. Depois isso acaba sendo copiado, eventualmente, mas sempre tentamos ser pioneiros e criar novas ocasiões de consumo. A concorrência é boa, nos ajuda a desenvolver o mercado e a ressaltar nossos diferenciais”, diz Periquito.

 

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