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Gympass: um 'passe' de US$ 220 milhões para nova fase

A empresa de benefícios foi avaliada em US$ 2,2 bilhões em rodada de investimento liderada pelo SoftBank Group

 (Divulgação/Shutterstock)

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Carolina Ingizza

1 de julho de 2021, 09h52

Com um recém-captado aporte de US$ 220 milhões em caixa, o Gympass consolida sua nova fase: não é mais só um benefício que dá acesso a diferentes academias, mas uma solução de bem-estar para os funcionários das empresas clientes. A mudança, feita às pressas depois do início da pandemia de coronavírus, veio para que o negócio pudesse se manter enquanto as academias estavam fechadas, mas abriu novas avenidas de crescimento para a empresa fundada em 2012 por Cesar Carvalho, João Barbosa e Vinícius Ferriani.

Combinando aulas de atividade física online com mais de 60 aplicativos parceiros de bem-estar, com dicas de nutrição, meditação e terapia online, o Gympass conquistou 1.000 novos clientes em 2020, chegando a uma base de 3.000 empresas. Além de grandes companhias como Santander, Accenture e Unilever, o unicórnio tem conquistado muitas pequenas empresas em seu modelo de contratação self-service, disponível direto no site.

“É uma das maiores alavancas de crescimento para a gente, estamos muito empolgados. As pequenas empresas são os motores da economia. O nosso sonho é levar o Gympass tanto para a pessoa que está na cooperativa de pesca no interior do Alasca como para a pessoa trabalhando no mercado de bairro no interior da China”, diz César Carvalho, presidente do Gympass, ao EXAME IN.

A fase de incertezas parece estar ficando para trás. Desde março de 2021, o negócio cresce 10% ao mês, impulsionado tanto pela reabertura das academias em mercados como Estados Unidos e Reino Unido, onde a vacinação está mais avançada, quanto pelo crescimento do interesse dos usuários pelos serviços de bem-estar.

Hoje, de 40% a 50% da base de usuários finais do Gympass usa os aplicativos parceiros. Esse número de acessos nas novas verticais cresceu mais de 30% nos últimos meses, mesmo com a volta das atividades presenciais, o que indicou para a companhia e para os investidores que a frente de bem-estar veio para ficar. “Com o entusiasmo das pessoas voltando para as academias e escritórios, temos crescido muito. O momento para investir em produto e tecnologia é agora”, diz Carvalho.

Próximos passos

A rodada série de E de captação, que avaliou o unicórnio brasileiro em US$ 2,2 bilhões, foi liderada pelo SoftBank Group, que investe no negócio desde 2019, e contou com a participação dos fundos General Atlantic, Moore Strategic Ventures, Kaszek e Valor Capital Group.

A companhia está empenhada em usar o capital para continuar a expandir as novas categorias, seja por meio de novas parcerias ou desenvolvimento interno de soluções que não estejam disponíveis no mercado.

“Queremos construir uma solução de tecnologia que recomenda diferentes verticais para a pessoa construir uma jornada holística que não seja focada só na atividade física, mas que inclua também aplicativos de nutrição, meditação. Usando dados, conseguiremos fazer essa integração”, diz Carvalho.

A ideia é ter um algoritmo de recomendação de atividade preciso como o da Netflix para o usuário final e ajudar o RH internamente a pensar em formas de engajar mais os colaboradores. Para isso, as equipes de tecnologia, produto e bem-estar devem crescer. Hoje, a empresa tem cerca de 1.100 funcionários e projeta terminar o ano na casa dos 1.600.

César Carvalho, fundador e presidente do Gympass: empresa quer aumentar sua presença no mercado americano, onde tem 12.000 academias parceiras (Gympass/Divulgação)

Outro grande foco do Gympass a partir de agora é a operação nos Estados Unidos, um dos dez países em que atua. A empresa está no mercado americano desde 2018, onde já soma mais de 12.000 academias parceiras (cerca de 30% do mercado, segundo Carvalho), mas tem muito chão para percorrer para que sua base de clientes seja tão grande como é no Brasil. Por lá, ela disputa espaço com o unicórnio americano ClassPass, que já soma cerca de US$ 550 milhões em aportes.

"Estamos muito longe do potencial nos Estados Unidos, não temos nem 0,5% do que poderíamos ter", diz o fundador, que está morando no país para ajudar na expansão. A estratégia da empresa é abordar primeiro as grandes empresas que já usam o serviço do Gympass em outros países e depois as companhias sediadas em cidades em que a startup é parceira das melhores academias. “Os Estados Unidos têm 20 regiões metropolitanas, há muito potencial, mas requer recurso e comprometimento da liderança para conseguirmos crescer”, afirma Carvalho.

Enquanto se dedica a consolidar a operação americana, a empresa diz que não vai entrar em outros mercados no curto prazo. As fusões e aquisições também não são uma meta agora, mas podem acontecer caso haja uma oportunidade boa, de acordo com Carvalho. Em 2019, por exemplo, o Gympass comprou a startup portuguesa Flaner, inaugurando seu escritório de tecnologia em Lisboa. Na época, a empresa disse que a aquisição foi feita para trazer a equipe da startup, especializada em aprendizado de máquina, mecanismos de buscas e inteligência artificial, para o negócio.

A jornada até o bem-estar

O caminho até o aporte não foi fácil. Na segunda quinzena de março do ano passado, da noite para o dia, o principal produto do Gympass deixou de existir. No começo, a impossibilidade de ir à academia somada com a falta de soluções online para atividade física levaram muitas empresas clientes a congelar ou a pausar os planos de assinatura. Sem perspectiva de quanto tempo a crise iria durar, o Gympass demitiu 20% do quadro de funcionários para tentar preservar o caixa. As áreas mais afetadas foram as que dependiam de visitas presenciais, como as de integração com empresas e academias. A companhia também decidiu fechar algumas operações internacionais menores, como a da França e da Holanda, para poder focar nos mercados em que tinha mais clientes e parceiros.

A situação começou só a melhorar quando o Gympass desenvolveu um plano de ação para ajudar as academias e estúdios a oferecer aulas online para os usuários — uma iniciativa que ajudou a trazer as pessoas para dentro da plataforma e estabilizou o número de cancelamentos. Em algumas semanas com a solução no ar, grandes companhias, como a Colgate-Palmolive, começaram a procurar a startup em busca de soluções de atividade física remota para os funcionários em home office.

De acordo com Carvalho, foram as próprias áreas de recursos humanos dos clientes que começaram a demandar do Gympass mais soluções para os colaboradores, como meditação e terapia. Com o trabalho migrando para modelos mais flexíveis, a tendência é que cada vez mais as empresas e os funcionários se importem com esse tipo de benefício. De acordo com um estudo da McKinsey, o mercado global de bem-estar movimenta US$ 1,5 trilhão por ano e cresce de 5% a 10% anualmente conforme os consumidores vão dando mais valor ao tema. Segundo a consultoria, 79% das pessoas consideram o bem-estar importante. Para 42%, já é uma prioridade.

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