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Grendene: mercado externo ganha espaço, mas lucro recua com Brasil

Queda de 9% na receita nacional foi quase toda, mas não toda, compensada por aumento das exportações
Grendene: foco no mercado externo, sem perder de vista o consumidor brasileiro (Divulgação/Melissa)
Grendene: foco no mercado externo, sem perder de vista o consumidor brasileiro (Divulgação/Melissa)
Por Karina SouzaPublicado em 28/04/2022 18:40 | Última atualização em 28/04/2022 19:22Tempo de Leitura: 7 min de leitura

A Grendene, dona das marcas Melissa, Ipanema, Azaleia e Rider, teve um trimestre recheado de desafios no mercado local, como mostra o balanço da companhia. O combo de inflação em alta, matéria-prima mais cara e volume menor de compras das lojas — por causa do Natal mais fraco em 2021 e reajustes de preço em 2022 — afetou a última linha do balanço: o lucro líquido encolheu 4,9% na comparação ano a ano, fechando os últimos três meses em R$ 125,3 milhões. A empresa vem reforçando a aposta no mercado externo, o que foi especialmente relevante nesse começo de 2022: um terço do faturamento de R$ 630,8 milhões veio de exportações no período, o que permitiu limitar a retração na receita total a 1%. A receita no Brasil caiu 9% e o volume das vendas, mais de 30%. 

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Os ganhos com exportação poderiam ter sido maiores não fosse o câmbio. A Grendene vendeu 9,7 milhões de pares para o mercado externo, um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A valorização do real acabou fazendo com que a receita internacional não acompanhasse integralmente a expansão no volume. 

No Brasil, o cenário foi inverso. O balanço mostra que o volume de pares vendidos sofreu queda de 30,4% no trimestre, totalizando 18,9 milhões de pares vendidos. A alta de 31% no preço por par fez com que a queda na receita ficasse contida em 9%. A companhia conseguiu reajustar preço para mitigar a alta nos custos. Houve correção de dois dígitos nos preços e concentração nas vendas de produtos de maior valor agregado, como Zaxy, Melissa e Azaleia.

“O mercado externo teve um cenário extremamente favorável, não só para nós, mas para o setor, como reflexo da retomada do turismo. Também colaborou para o nosso resultado a estratégia de diversificação de compradores internacionais, uma vez que o aumento do frete deixou o produto asiático menos competitivo”, afirma Alceu Albuquerque, diretor de relações com investidores da Grendene, ao EXAME IN. 

É um cenário que vem desde a pandemia e continua a existir com os conflitos entre Rússia e Ucrânia. Como resultado dessa conjuntura de frete mais caro, a companhia se beneficia da busca de outros países por produtos internacionais fora da Ásia, sem precisar fazer isso ela mesma, uma vez que tem uma cadeia totalmente verticalizada. 

Futuro: de olho no Brasil e na retomada pós-pandemia

Para os próximos trimestres, a expectativa é que a receita gerada com vendas no Brasil volte a crescer, impactando de forma positiva todo o balanço da companhia. Como justificativa para o otimismo, Alceu afirma que a companhia consegue monitorar, por meio de um sistema, a venda de parte dos clientes na ponta final e ter um termômetro mais preciso do que pode vir pela frente. E que os números mostram um horizonte otimista.

No primeiro trimestre, esse sistema de monitoramento de clientes mostrou que o desempenho das lojas de calçados em janeiro de 2022 (ante o mesmo mês de 2021) teve queda de 4% nas vendas (considerando todas as marcas do grupo menos Melissa), mas no acumulado até março, os estabelecimentos tiveram crescimento de 129% nas vendas, na comparação com os três meses do ano anterior. Em Melissa, a situação é bastante semelhante, com vendas 42% superiores às registradas nos três primeiros meses do ano passado. Ambos os aumentos vão na contramão das vendas da Grendene no período porque os varejistas fizeram a maior parte das compras em dezembro -- como forma de tentarem se proteger contra o aumento de preços de dois dígitos praticado pela companhia no início de janeiro. 

Daqui para frente, a companhia acredita que a maior procura dos consumidores pelos calçados nas lojas deve se refletir em maior número de vendas, de forma mais equilibrada. “Embora a inflação continue alta e o desemprego também, o governo está injetando recursos na economia, como a antecipação de 13º, renda Brasil, etc. Tudo isso incentiva o consumo e daqui para frente a nossa expectativa é ter números positivos. Esperamos um segundo trimestre bem forte com elevação de receita, volume maior e recomposição de margem”, diz Alceu. No trimestre atual, como reflexo dos desafios apresentados pela empresa, a margem bruta sofreu queda de 7,2 pontos percentuais, para 37,9%. 

Para sair desse patamar, a empresa acredita que a retomada no consumo dos produtos de maior valor agregado deve ajudar a puxar a alta ao longo dos próximos trimestres em rentabilidade. Ao mesmo tempo, a Grendene mantém o foco nos produtos de tíquete médio menor, de olho em design de produtos para atrair compradores. “O nosso produto tem os mesmos atributos do concorrente, com um preço de 10% a 15% menor. Em um cenário econômico desafiador e com uma produção verticalizada, isso nos favorece”, diz o executivo. 

Sem perder o foco nas exportações

Apesar da recuperação do mercado interno, o tom da empresa é o de que as exportações devem continuar representando uma parte mais relevante da receita, na comparação com anos anteriores. “Não sei se vamos manter esse patamar de um terço da receita vindo de fora daqui para frente, principalmente por causa do câmbio, mas a ideia é aumentar a quantidade de pares embarcados”, diz o executivo. Entre os mercados mais relevantes para a companhia, os demais países da América Latina ocupam o primeiro lugar, seguidos por Europa, América do Norte e Ásia. 

São planos que conversam com a Grendene Global Brands (GGB), vertical construída em parceria com a 3G Radar e que visa avançar com a expansão internacional das marcas Melissa, Rider e Ipanema. Apesar de a previsão ser de gerar resultados consistentes somente em 2023, este ano a companhia já sentiu alguma melhora na operação internacional. O e-commerce da Melissa nos Estados Unidos, por exemplo, cresceu 100% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. 

Entre as mudanças realizadas para chegar a esse número, estão: sortimento, que foi reduzido em 30% de olho em menor ruptura de estoque, além de melhorias na experiência do usuário no site. Antes, era necessário ter uma conta no Melissa USA para comprar, hoje não mais, além de preencher campo de “gênero” antes de comprar, algo que também deixou de existir. 

As mudanças que também respingam no e-commerce brasileiro: o GMV das vendas on-line locais cresceu 300% em relação ao mesmo período do ano passado, com 70% desse total vindo de Melissa. A quantidade de sessões passou de 14,2 milhões no último trimestre de 2021 para 16 milhões nos três meses encerrados em março. 

Saindo do mundo on-line para olhar a operação com o atacado no mercado externo, os próximos meses devem formar a base para a consolidação da receita que a GGB pode trazer. Isso porque os compradores de atacado fazem encomendas com cerca de um ano de antecedência – recebem o orçamento de 2023 em maio de 2022. “No mês que vem, o time comercial vai se reunir com esses varejistas para apresentar o catálogo e começar a pegar pedidos. O que a gente vendeu no ano passado será entregue só agora, por isso o efeito ainda não é imediato”, diz Alceu.

De olho em um mundo sem covid-19, a empresa constrói a base para o futuro, sem ignorar as lições aprendidas na pandemia: em um mundo cada vez mais digital e com mais disposição para olhar o mercado brasileiro para comprar, é necessário estar preparado.